23 de dez de 2016

Recesso

O Acolher: espaço terapêutico agradece à todos os clientes que estiveram conosco em 2016 e desejamos uma ótima passagem de ano.
A secretaria da clínica estará recesso entre os dias 23/12/16 à 17/01/17 e os contatos poderão ser feitos através do e-mail:  contato@clinicaacolher.com  ou também individualmente com os profissionais da clínica:

Teresa Cristina Martins Silva: teresacristina@clinicaacolher.com
Thamy Morais: thamy@clinicaacolher.com
Célia Gonçalves: celiapsy@hotmail.com
Marília Rez: mmarilia09@gmail.com
Ludmilla Soares: ludmillassoares@yahoo.com.br
Juliene Pimenta: jupimenta@gmail.com
Filipe Castro: filipesilvadm@hotmail.com


video

19 de dez de 2016

Alimentação e saúde mental

Que a nossa alimentação influencia a nossa saúde todo mundo sabe, mas estudos recentes indicam que nossa alimentação também influencia nossa saúde mental. O psiquiatra da Universidade de Melbourne e integrante da Sociedade de Pesquisa Internacional em Psiquiatria Nutricional, Jerome Sarris, tem estudado os benefícios da alimentação como tratamento de desordens psicológicas e psiquiátricas, como a depressão e o transtorno bipolar, por exemplo. “Os determinantes da saúde mental são complexos, mas, cada vez mais, há evidências sobre a importância da nutrição e sua implicação na incidência de distúrbios mentais. Defendemos o reconhecimento da dieta e da nutrição como determinantes centrais da saúde física e mental.", afirma Sarris (2015). Os novos modos de vida, advindos da modernidade, têm contribuído para o aumento significativo da ansiedade, depressão e outros transtornos mentais, e a alimentação tem sido um determinante crucial. Uma dieta rica em alimentos integrais, legumes, frutas, frutos do mar, carne magra, nozes e leguminosas, evitando-se o consumo de processados, fornece nutrientes essenciais para se prevenir vários transtornos mentais. Isso ocorre porque, para funcionar, o nosso cérebro utiliza uma proporção da nossa ingestão total de energia e nutrientes. Tanto sua estrutura como suas funções depende de aminoácidos, gorduras, vitaminas e minerais. Vários estudos epidemiológicos mostraram que padrões alimentares saudáveis estão ligados à redução da prevalência e do risco de depressão e suicídio. A nutrição materna durante a gestação e amamentação também tem se mostrado um importante determinante da saúde mental das crianças. Estudos têm mostrado que a orientação sobre uma alimentação mais saudável foi tão eficaz como a psicoterapia na prevenção e melhora de quadros de depressão. Nutrientes como ômega-3, vitamina B (incluindo ácido fólico), ferro, zinco, magnésio, vitamina D, aminoácidos, entre outros, podem auxiliar em atividades neuroquímicas benéficas para o manejo de transtornos mentais. Estudos clínicos apontam a utilidade dos ácidos graxos ômega-3 na prevenção de distúrbios como a depressão bipolar, transtornos de estresse pós-traumático, depressão maior e psicose. Além disso, a deficiência de zinco tem sido associada ao aumento de sintomas depressivos, havendo evidências de que a suplementação de zinco melhora o humor depressivo. Já a deficiência de vitamina B, principalmente o folato (B9), foi encontrada em pessoas deprimidas.  O ácido fólico também tem auxiliado na melhora de pacientes deprimidos. Estudos sugerem ainda que a deficiência de vitamina D nas mães está relacionada a um maior risco de se desenvolver esquizofrenia, e ao aumento de sintomas depressivos. É importante ressaltar que uma alimentação combinada com todas essas vitaminas tem se revelado mais eficaz do que a suplementação dos nutrientes isoladamente. Por isso, mais do que auxiliar nossos processos fisiológicos e nossa saúde física, uma alimentação correta, equilibrada e saudável também previne transtornos psicológicos, e colabora efetivamente para uma melhor saúde mental.


*Referência: Sarris, J. et. al. (2015). Nutritional medicine as mainstream in psychiatry. The Lancet Psychiatry 2(3), p. 271-274.

Juliene Pimenta Assunção

Psicóloga e Terapeuta Cognitivo Comportamental
CRP 04/46648 

5 de dez de 2016

A dor do luto

Com a proximidade do final de ano, das comemorações em família e do inevitável balanço do ano que está acabando, é natural experimentar emoções como tristeza e saudade pela ausência de pessoas queridas, por estarem distantes ou, nos casos mais dolorosos, pela morte. Em muitas famílias, junto com a alegria pelos reencontros e a comemoração de conquistas, pairam lembranças nostálgicas e um tanto de pesar pelo que se perdeu, sejam pessoas, lugares, oportunidades ou sonhos. Mas, se lugares podem ser revisitados, oportunidades e sonhos se renovam, a perda de cônjuge, parente ou amigo representa a dor por algo irrecuperável.
 A morte é inevitável, faz parte do ciclo da vida, e nem por isso é um acontecimento fácil de superar ao contrário, dependendo de vários fatores, como grau de proximidade, tipo de relacionamento e como o falecimento se deu (doença longa, acidente, suicídio), pode causar tamanho sofrimento que leva à depressão. A morte de um filho, por exemplo, é tão devastadora que, muitas vezes, a família se desestrutura de tal forma que os pais se separam. Pelo espírito gregário do ser humano, as mortes coletivas, causadas por catástrofes naturais ou não, também provocam os sintomas percebidos no luto particular e suas consequências emocionais. 
 A dor de perder alguém é tão poderosa que cada um recorre a diversas formas de se defender perante o sofrimento. Segundo o psicanalista Bowlby, quanto maior a vinculação ou seja, o apego a ligação á pessoa perdida, maior será o sofrimento e a dor do luto. São várias formas de emoções e comportamentos que vão surgindo ao longo do processo de luto, que de acordo com Bowlby, organizam-se da seguinte forma:
  • Fase de choque e negação, na qual a pessoa pode sentir-se como desligada da realidade, meio atordoada e desamparada, imobilizada e perdida. A negação surge como defesa contra a dor da aceitação da perda;
  • Fase do protesto, que se caracteriza pelas emoções fortes, pelo sofrimento psicológico e pelo aumento da agitação física. Nesta altura, podem manifestar-se sentimentos de raiva contra si próprio (por não ter conseguido fazer mais nada) ou contra outras pessoas;
  • Fase do desespero, que se associa a momentos de apatia e depressão e que pode conduzir a um isolamento social e a um desinvestimento nas atividades diárias, aumentando o desinteresse, as dificuldades de concentração e os sintomas físicos (como insônias, perda de peso ou aumento de apetite, crises de choro, desesperança);
  • Fase da desorganização e reorganização que permite que a pessoa aceite a perda, integrando a importância da pessoa perdida e do seu significado no dia-a-dia, enfrentando a situação de forma mais consciente. As emoções já não estão á flor da pele e o desespero e a desesperança diminuem e o processo de cura emocional se inicia.

 A fase aguda do luto dura geralmente dois meses, podendo demorar um ano ou mais para que se vençam os sentimentos mais fortes. O luto precisa ser vivido em todas as suas fases, mas quando a dor da perda permanece muito grande ou quando a pessoa não manifesta sinais de reação poderá desenvolver-se uma situação de luto patológico, onde se assiste a uma fixação em alguma das fases. A pessoa vive com maior intensidade algum dos sintomas e o sofrimento se prolonga indefinidamente, com sintomas e complicações que comprometem sua vida quotidiana. Nesses casos deve-se recorrer a ajuda especializada e com a psicoterapia trabalhar sentimentos, estratégias e mecanismos internos que possibilitem a superação e permitam a evolução do processo de luto.
Texto contém referência de Maria Cristina Ramos Brito.

Célia Gonçalves dos Santos 
Psicologa Clínica e Neuropsicóloga - CRP: 04/IS00497
Telefone:3083 6720

22 de nov de 2016

Violência doméstica: um olhar da perspectiva da Terapia Sistêmica

A violência doméstica é um assunto que foi encoberto durante muito tempo em nossa sociedade, mas que agora está no foco de diversos pesquisadores e da mídia. Depois que foi sancionada a Lei 11.340 de 7 de agosto de 2006, conhecida com Lei Maria da Penha, houve um aumento significativo de denúncias e a sociedade começou a dar mais atenção a esse problema que não é recente e traz muitos prejuízos.
Contudo apenas um terço das relações de violência entre os sexos é denunciada, as classes médias (que são as mais afetadas) e altas geralmente não denunciam, para se preservar de escândalos. A causa mais comum da violência é o ciúme e um dos fatores catalisadores da violência é o álcool e as drogas, que está presente na maioria dos casos de agressão.
Quanto aos motivos que levam as mulheres a não denunciar podemos citar inúmeros, como vergonha, medo, sentimento de culpa, baixa autoestima, crença de que não acontecerá de novo, falta de estrutura, vergonha perante os filhos, falta de apoio familiar, medo do agressor, e a “Síndrome de Estocolmo” (gratificação ao homem por não matá-la substitui a raiva e o medo), entre outros.
Entende-se por violência qualquer “conduta que cause dano, morte, sofrimento físico, sexual, psicológico, moral e patrimonial ao sujeito, tanto no âmbito público, como no privado”. A violência contra mulher não é recente e está presente em todas as classes sociais e sociedades.
As mulheres são alvos de vários tipos de agressões, entre as principais são: Violência doméstica, que costuma ocorrer dentro de casa, sendo praticada por alguém de sua convivência e baseia-se nas relações interpessoais de desigualdade; Violência institucional é cometida por agentes prestadores de serviços públicos que deveriam proteger as vítimas e garantir a reparação dos danos causados pela agressão; Violência moral são os atos de humilhação, desqualificação, ridicularização e difamação que ocorre repetidamente nas relações interpessoais, conjugais e no trabalho, para forçar uma demissão; Assédio Sexual que é outra forma de violência que ocorre no local de trabalho, onde o agressor, geralmente o patrão usa sua hierarquia para obrigar sua funcionária a ter relação sexual, criando assim um ambiente hostil e abusivo; Violência Patrimonial caracteriza-se por meio de ações que dificultam o acesso à autonomia e implicam em dano, perda ou retenção de bens e valores.
A maior parte dos crimes de violência sofridos pelas mulheres são lesões corporais, e seguida os homicídios; os agressores, na sua maioria são amásios, maridos, namorados e ex., motivados por ciúmes. O álcool e as drogas também têm uma boa parcela de culpa diante dessa violência, pois são fatores que facilitam as relações de violência que é a principal causa de mortes de mulheres entre 14 e 44 anos em todo o mundo. Observa-se que o álcool pode ser um precipitador da situação de violência e não pode ser tratado como o culpado, pois há muitos fatores envolvidos.
As condutas mais comuns relacionadas à violência doméstica e intrafamiliar são: ameaça; abandono material; assédio sexual; atentado violento ao pudor e estrupo; calúnia, injúria e difamação; cárcere privado; constrangimento ilegal; dano, destruição e supressão de documentos e violação de correspondência; discriminação por motivo de sexo; importunação ofensiva ao pudor e ato obsceno; induzimento ou auxílio ao suicídio; lesão corporal; perigo do contágio venéreo e de moléstia grave; racismo; sedução e corrupção de menores; tentativa de homicídio e homicídio.
Com a esperança de que o companheiro/agressor mude seu comportamento, as vítimas não os denunciam e permanecem nesse ciclo que muitas vezes termina com sua morte.
Casar, ter filhos, formar uma família são acontecimentos esperados e desejados na nossa cultura ocidental. As pessoas ao se unirem experimentam a sensação de bem estar e felicidade, nos encontros passam a se conhecer melhor e a planejarem um futuro juntos.
Duas pessoas se conhecem e se sentem atraídas em decorrência de uma mistura de similaridades e diferenças, e um senso de conexão surgi entre elas. Durante a convivência o casal experimenta algumas situações de conflito e testam suas habilidades para resolvê-lo.
O conteúdo da discussão e a forma como os cônjuges tentam resolvê-los é o que caracteriza e qualifica o padrão de resolução de conflitos, definindo o quanto de ressentimento, mágoas e decepções os cônjuges acumulam na medida em que não é efetiva a resolução do conflito.
Em decorrência destas interações e dos conflitos não resolvidos, uma mudança importante ocorre ao longo da união do casal, a presença do parceiro que antes era associado a sentimentos positivos, passa a causar desconfortos, irritação e frustação. Sendo que as interpretações negativas sobre o outro passam a ser constantes, podendo gerar um conflito, onde um quer impor ao outro seus desejos e maneiras de lidar com os desafios da vida a dois.
Alguns casais experimentam não somente as agressões verbais, mas a violência física, passando a se tornar um ciclo de violência. As mulheres vítimas desta violência não conseguem romper com este ciclo, por causa da dependência do agressor, por não ter o apoio da família. O agressor se apoia e justifica suas agressões no vício, e transferindo sua responsabilidade para a mulher, tentando culpa-la, alegando que deseja revidar, pelo fato da vítima ter o desapontado, o desafiado. A necessidade de dominar e controlar o parceiro são a força principal que alimenta a violência entre casais. Podendo até levar a união conjugal ao fim, por se transformar no oposto daquilo que era no início.
A terapia familiar deu-se início no exterior, mas foi nos anos 1980 que houve uma grande expansão no Brasil, como método terapêutico possuidora de teoria e prática, o que a fez ser mais acessível a profissionais e famílias.
A terapia familiar vem apoiar estas vítimas de violência, a fim de ajuda-las a elaborarem ferramentas para saírem deste circulo de violência.
O objetivo da terapia é provocar mudanças positivas na maneira como a vítima se relaciona com o agressor e sua família, bem como também se vê neste ciclo de violência, oferecendo-lhe ajuda para lhe dar com a causa. E no atendimento ao agressor, leva-lo a reflexão de seu comportamento agressivo, e que existem outras possibilidades de se relacionar com as mulheres de forma não agressiva.
A psicoterapia no atendimento ao homem agressor tem como objetivo fazer com que eles reflitam sobre seu comportamento agressivo e suas consequências, e percebam o quanto eles perdem ao terem que reprimir alguns desejos e vontades, além de negarem seus sentimentos mais “frágeis” como a tristeza, saudade, amor, para se enquadrarem dentro do estereótipo de masculinidade criado a partir da cultura da sociedade no qual está inserido, sendo assim essas reflexões podem favorecer a mudança em sua forma de se relacionar com as mulheres.
A psicoterapia no atendimento a mulher vítima de violência doméstica, visa auxilia-la a transformar sua autoimagem e a resgatar sua autoestima, que no decorrer da relação violenta pode ter sido abalada com sentimentos de menos valia, incapacidade, impotência, insegurança e culpa. Outro aspecto importante a ser trabalhado é auxiliar a vítima a sair do papel de dominada e de submissão que se encontra, mudando sua postura diante do agressor ou procurando reconstruir sua vida longe dele.
A terapia familiar no atendimento a vítimas de violência,visa à contenção de conflitos, a reparação e elaboração. Nesta perspectiva a terapia familiar pode auxiliar na educação conjugal, que é definida teoricamente como treinamento preventivo/educacional para casais.
Tal intervenção visa engajar o casal em processos de aprendizagem, reflexão, conscientização e treinamento de habilidades, como resolução de conflitos, no intuito de estabelecerem relações com melhores níveis de saúde e estabilidade.

Alguns casais conseguem com muito esforço retomar o caminho para alcançarem maiores níveis de satisfação e menores índices de conflitos na relação. Normalmente, eles necessitam da ajuda de profissionais para realizar este percurso. É comprovado que casais que são ajudados precocemente a conhecer os fatores de risco do casamento e como lidar com eles, possuem maiores chances de obterem êxito na relação. 

Ludmilla Boaventura é psicóloga, graduada pela Faculdade Pitágoras de Uberlândia, pós graduada em Terapia Familiar e Sexologia pela Faculdade Fases. Trabalha clinicamente com psicoterapia de crianças, adolescentes , adultos e casais. Atuou como psicóloga na Instituição de Acolhimento Missão Esperança,  com crianças, adolescentes e famílias em situação de risco e vulnerabilidade social,  e atuou como psicóloga voluntária na Pontes de Amor, com o público de casais pretendentes a adoção. 
Contato: 3083-6720



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...