10 de mai de 2015

Relacionamentos no século XXI: da liquidez ao desejo de conexão

De acordo com muitas teorias psicológicas, uma das primeiras necessidades do ser humano é a conexão e aceitação. Tal necessidade fala do quão desenvolver laços de intimidade, laços emocionais, sentir-se pertencente e aceito – sentimento de ser amável, merecedor de amor, afeto, atenção, cuidado e carinho são primordiais para o bem-estar emocional de qualquer pessoa.
Inicialmente essa tarefa é dos nossos cuidadores – mães, pais e outras figuras significativas da nossa infância que são responsáveis por nos fornecer esse senso de conexão e aceitação. Assim, na adolescência e vida adulta buscamos outras pessoas para que possamos nos vincular: amigos e relacionamentos amorosos.              
 Vivemos na “era da conectividade”, nunca foi tão fácil visualizar um grande número de pessoas com apenas alguns “cliques”, mas também, talvez não tenha sido tão difícil estabelecer vínculos reais e profundos. 
O sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, em Amor Líquido traz uma grande reflexão sobre a liquidez das relações: faz uma analogia de que os relacionamentos no século atual se assemelham as relações de consumo experimentadas na nossa sociedade – consumimos e somos consumidos por pessoas, assim como consumiríamos algum objeto de desejo em oferta em um shopping.  Ainda para esse autor:  “ Elas são “relações virtuais”. Ao contrário dos relacionamentos antiquados (para não falar daqueles  com “compromisso” muito menos dos compromissos de longo prazo), elas parecem feitas sob medida para o líquido cenário da vida moderna, em que se espera e se deseja que as possibilidades românticas  (e não apenas as românticas) surjam e desapareçam numa velocidade crescente e em volume cada vez maior, aniquilando-se mutuamente e tentando impor aos gritos a promessa de “ser mais satisfatória e a mais completa”. Diferentemente dos “relacionamentos reais” é fácil entrar e sair dos relacionamentos virtuais. Em comparação com a “coisa autêntica”, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear.”
No entanto, os avanços tecnológicos têm um impacto direto nas novas formas de relacionar-se no século XXI. Estão literalmente em nossas mãos através de smartphones inúmeras possibilidades de conhecer pessoas novas. Em outro artigo abordei o tema “flerte online” para ler clique “aqui”, no qual as pessoas demonstravam interesse através de “curtidas” ou iniciando conversas virtuais, mas tinham pouca iniciativa para realizar o contato pessoal, apesar de parecerem desejosas de tal contato.
Mas o que chama atenção é que ao mesmo tempo em que observamos a liquidez das relações, também observamos o crescente número de pessoas que buscam outras através de aplicativos de relacionamento. Seria a necessidade primordial e evolutiva de conexão e aceitação batendo à porta dessas pessoas?
Temos além do já conhecido aplicativo “Tinder”, o aplicativo Kickoff, segundo seus criadores pretendem “Dar o ponta pé inicial para quem quer algo sério” e agora o recente Happn, mostra quem “cruza” o seu caminho, ou seja, as pessoas que trabalham, estudam, ou vão a lugares comuns com os seus estão ao alcance, desde que ambos tenham o aplicativo instalado.
Concluindo, creio que as novas ferramentas de conhecer pessoas favorecem a possibilidade de iniciar relações, mas o que garante a continuidade delas é o desejo mútuo de aceitar – amar, ofertar afeto, carinho e atenção e se conectar profundamente com o outro e isso exige muito mais do que os cliques e conversas online. Além disso, volto a reafirmar que conexão, pertencimento e vínculos saudáveis são fundamentais para o bem-estar psicológico e emocional.


 Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720

14 de out de 2014

Ansiedade: a favor ou contra o bem-estar?

A clínica Acolher realizará nos dias 11, 12, 13 e 14 de novembro, às 19:30hs, o Circuito de Palestras "Ansiedade: a favor ou contra o bem-estar?"

Compreendendo que o conceito de saúde envolve o bem-estar físico, mental e social, convidamos profissionais de diferentes áreas do conhecimento para falarem um pouco sobre a ANSIEDADE e como podemos mantê-la em equilíbrio, utilizando-a a nosso favor. 

As inscrições poderão ser realizadas no Acolher espaço terapêutico, localizado na Av. Cipriano Del Fávero, 794. Centro. Horário comercial. 

A inscrição para cada palestra pede uma contribuição de 2 litros de leite.

O evento será totalmente beneficente e toda contribuição será doada para instituições de caridade.

Aguardamos a sua presença!
São apenas 20 vagas para cada palestra! Corra, inscreva-se, venha participar desse momento de aprendizagem e, ainda por cima, fazer o bem!



11 de jun de 2014

Inveja: que sentimento é esse??

De acordo com o dicionário, a inveja é um sentimento de tristeza perante o que o outro tem e a própria pessoa não tem (pode ser tanto coisas materias como qualidades inerentes ao ser).  A inveja pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual.

Esse sentimento humano é próprio de pessoas que querem sempre ser o centro das atenções ou as maiores e melhores em tudo o que são, fazem ou falam, razão pela qual se sentem ameaçadas com a presença de outro alguém que possa, até mesmo involuntariamente, "roubar" seu lugar ao pódio.A principal limitação que os impedem de ter os atributos tanto cobiçados é o deixar de viver a própria vida para viver a vida alheia. 
Ao se falar sobre a inveja, o primeiro impulso é condenar e julgar este sentimento como algo errado, feio, baixo. Quando invejamos os outros, sentimos vergonha ou ficamos assustados e nos reprimimos; se percebemos a inveja dos outros, ficamos com medo ou raiva da outra pessoa. Porém, a inveja faz parte da natureza humana e, portanto, faz parte de absolutamente todos nós.
Habitualmente, a inveja é formada a partir do momento em que as qualidades do outro são comparadas, faltando uma avaliação do próprio potencial. Estes sentimentos de grande frustração e de inferioridade são gerados pelo fato de a pessoa não ser capaz de realizar ações minimamente úteis para si e para os outros, consolidando-se assim o complexo de inferioridade à pessoa invejada.
A inveja sinaliza o quanto estamos precisando trabalhar nosso amor próprio e autoestima:quanto mais sentimos, maior é o nosso vazio interno. O mesmo serve para quem é sempre o alvo da inveja dos outros, ou seja, parece contraditório, mas quem se sente afetado pela inveja alheia, na realidade carrega as mesmas energias desarmonizadas de insegurança e falta de autoestima de quem sente inveja, apesar do sentimento se manifestar de maneiras diferentes em cada situação. Se a pessoa está segura ou plena em si mesma, a inveja alheia não incomoda ou, como se diz na linguagem popular, "não pega".
Mas, quem sai mais prejudicado da inveja não são os outros, mas quem inveja. Ela é destrutiva, corrói a autoestima, destrói o crescimento individual, destruindo a sua auto-aceitação porque não produz mudanças favoráveis ao desenvolvimento do invejoso, enquanto pessoa. Contaminado pelo ódio, o invejoso aproveita-se da projeção, tornando más as pessoas que são boas e, por não conseguir obter o que o invejado consegue, faz com que as qualidades do indivíduo invejado fiquem escondidas, por não as querer perceber perante os outros, numa tentativa de raiva e tristeza por tudo o que ele tem e conquista. Frustrado, e por negar os próprios sentimentos negativos que há dentro de si, o invejoso coloca todo o tipo de sentimentos maus naquele que é o objeto da sua inveja.
A única maneira de realmente neutralizar esse sentimento é aprender a utilizá-lo a nosso favor, já que, querendo ou não, ele continuará existindo dentro e fora de nós, porque é algo inerente à natureza humana. Nosso grande e nobre objetivo não é deixar de sentir inveja, mas aprender a direcioná-la de forma positiva.
Então, que tal ficar atento e da próxima vez que tiver que lidar com a inveja dentro ou fora de si, em vez de julgar ou sentir raiva, fazer um gesto de amor por si mesmo? Traga sua atenção para dentro, cuide de si, aprofunde seu trabalho de fortalecimento do amor próprio! Transforme a inveja em um motor para sua autoestima!

Larissa Aparecida Costa Furlanetto
          Psicóloga / Psicanalista

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