29 de jul de 2015

Quero mudar, mas não consigo: fatores que podem dificultar a mudança!


"Mudar é difícil porque requer enorme energia positiva para que uma pessoa consiga avançar na direção de seus sonhos. Isso em função dela encontrar um fortíssimo “vento” contrário, constituído por inúmeros fatores que tendem a contribuir para a inércia. 
  • O primeiro deles é o medo de qualquer novidade, uma vez que num terreno desconhecido sempre estamos sujeitos a sofrimento.  
  • O segundo fator, nada desprezível, é a culpa, uma vez que as mudanças que interferem na forma como a pessoa interage sempre poderá suprimir algum benefício – indevido – usufruído pelo que irá reclamar e se lamentar. 
  • O terceiro é a impaciência e o imediatismo: é essencial entender que o caminho das mudanças é longo, rico em obstáculos e atalhos que não levam a parte alguma (e que, por isso mesmo devem ser evitados); é preciso boa tolerância a contrariedades e dócil aceitação dos revezes que inevitavelmente permearão a trajetória na direção das mudanças que, no fim, serão bem sucedidas e compensadoras.

Um ingrediente que não pode ser negligenciado e que interfere muito negativamente no processo de mudança são os “ganhos secundários”, os benefícios imediatos que derivam de atos aparentemente nocivos. É o caso das compulsões, hábitos dolorosos ou nefastos mas que atenuam o nervosismo e a ansiedade; são exemplos o roer das unhas em situações de aflição, o ato de comer compulsivamente quando surge a ansiedade, tristeza ou sensação de desamparo. Comer compulsivamente é grave, pois o alívio imediato do sofrimento gera maior ganho de peso, o que reforça o sofrimento e pede mais alimento: os círculos viciosos são terríveis e têm que ser evitados a qualquer custo. No caso dos vícios, compulsões com grande gratificação imediata e malefícios previstos para o médio ou longo prazo – e que pavimentam sólidos roteiros no sistema nervoso central, roteiros esses que pedem repetição regular – a situação é ainda mais dramática e difícil de ser revertida. Porém, tudo é sempre possível desde que seja essa a determinação firme da pessoa.
Há ganhos secundários na generosidade, condição na qual a pessoa se envaidece por ser forte e se achar com algum poder sobre os que dependem dela. Há ganho óbvio no egoísmo, onde o indivíduo pode se considerar muito esperto por levar vantagem e supor que está manipulando os mais generosos através da intimidação ou ao provocar culpa. Essas e outras condutas difíceis de serem alteradas desagradam intimamente os que persistem nelas; porém, os ganhos imediatos são sólidos e, em muitos casos, reforçados pelos comportamentos e cobranças daqueles com quem convivem. É necessária muita vontade para conseguir abrir mão de algum benefício imediato em favor de outros maiores, mas que só serão alcançados em um futuro nem sempre muito próximo. Isso corresponde ao que Freud chamava de renúncia ao princípio do prazer (imediatista) em favor do princípio da realidade (benefício maior a ser alcançado lá adiante). Viver de acordo com o princípio da realidade é privilégio das pessoas mais maduras, pacientes e tolerantes.
Não convém subestimar aquelas situações em que o benefício a ser alcançado está muito distante e os prazeres imediatos associados a determinados comportamentos são enormes. O melhor exemplo é o do consumo das bebidas alcoólicas de modo regular e exagerado. O vício que vai se estabelecendo é insidioso e muitas vezes os que gostam das sensações próprias da embriaguez desconsideram essa possibilidade – ou a colocam muito longe deles. Os benefícios imediatos bem conhecidos: sensação de alegria e bem-estar, euforia e, para muitos, aumento do desejo sexual; extroversão e aparente facilidade na socialização, o que é tido como fundamental, por exemplo, para um adolescente tímido e que não se sente com coragem de abordar uma moça que o encantou; outros ainda gostam do efeito do álcool porque se sentem com mais coragem para lutar e reivindicar seus direitos. E os malefícios? Talvez alguma doença degenerativa cerebral ou hepática dentro de décadas. É difícil renunciar a tantas vantagens em nome de uma maior chance de longevidade; isso especialmente para os mais moços que, como regra, se sentem imortais."
Créditos: Dr. Flávio Gikovate

 Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720

25 de jul de 2015

Facebook: Existe algum impacto relevante do uso desta rede social na vida e do comportamento das pessoas?

As redes sociais fazem parte da vida cotidiana. O seu uso pode ser de grande utilidade para aproximar pessoas, ficar por dentro das notícias e eventos. Porém, há também alguns aspectos negativos do uso dessa rede. E você? O que acha? Deixe seu comentário, sua reflexão!!!

Créditos: canal Minutos Psíquicos no Youtube

 Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720

10 de mai de 2015

Relacionamentos no século XXI: da liquidez ao desejo de conexão

De acordo com muitas teorias psicológicas, uma das primeiras necessidades do ser humano é a conexão e aceitação. Tal necessidade fala do quão desenvolver laços de intimidade, laços emocionais, sentir-se pertencente e aceito – sentimento de ser amável, merecedor de amor, afeto, atenção, cuidado e carinho são primordiais para o bem-estar emocional de qualquer pessoa.
Inicialmente essa tarefa é dos nossos cuidadores – mães, pais e outras figuras significativas da nossa infância que são responsáveis por nos fornecer esse senso de conexão e aceitação. Assim, na adolescência e vida adulta buscamos outras pessoas para que possamos nos vincular: amigos e relacionamentos amorosos.              
 Vivemos na “era da conectividade”, nunca foi tão fácil visualizar um grande número de pessoas com apenas alguns “cliques”, mas também, talvez não tenha sido tão difícil estabelecer vínculos reais e profundos. 
O sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, em Amor Líquido traz uma grande reflexão sobre a liquidez das relações: faz uma analogia de que os relacionamentos no século atual se assemelham as relações de consumo experimentadas na nossa sociedade – consumimos e somos consumidos por pessoas, assim como consumiríamos algum objeto de desejo em oferta em um shopping.  Ainda para esse autor:  “ Elas são “relações virtuais”. Ao contrário dos relacionamentos antiquados (para não falar daqueles  com “compromisso” muito menos dos compromissos de longo prazo), elas parecem feitas sob medida para o líquido cenário da vida moderna, em que se espera e se deseja que as possibilidades românticas  (e não apenas as românticas) surjam e desapareçam numa velocidade crescente e em volume cada vez maior, aniquilando-se mutuamente e tentando impor aos gritos a promessa de “ser mais satisfatória e a mais completa”. Diferentemente dos “relacionamentos reais” é fácil entrar e sair dos relacionamentos virtuais. Em comparação com a “coisa autêntica”, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear.”
No entanto, os avanços tecnológicos têm um impacto direto nas novas formas de relacionar-se no século XXI. Estão literalmente em nossas mãos através de smartphones inúmeras possibilidades de conhecer pessoas novas. Em outro artigo abordei o tema “flerte online” para ler clique “aqui”, no qual as pessoas demonstravam interesse através de “curtidas” ou iniciando conversas virtuais, mas tinham pouca iniciativa para realizar o contato pessoal, apesar de parecerem desejosas de tal contato.
Mas o que chama atenção é que ao mesmo tempo em que observamos a liquidez das relações, também observamos o crescente número de pessoas que buscam outras através de aplicativos de relacionamento. Seria a necessidade primordial e evolutiva de conexão e aceitação batendo à porta dessas pessoas?
Temos além do já conhecido aplicativo “Tinder”, o aplicativo Kickoff, segundo seus criadores pretendem “Dar o ponta pé inicial para quem quer algo sério” e agora o recente Happn, mostra quem “cruza” o seu caminho, ou seja, as pessoas que trabalham, estudam, ou vão a lugares comuns com os seus estão ao alcance, desde que ambos tenham o aplicativo instalado.
Concluindo, creio que as novas ferramentas de conhecer pessoas favorecem a possibilidade de iniciar relações, mas o que garante a continuidade delas é o desejo mútuo de aceitar – amar, ofertar afeto, carinho e atenção e se conectar profundamente com o outro e isso exige muito mais do que os cliques e conversas online. Além disso, volto a reafirmar que conexão, pertencimento e vínculos saudáveis são fundamentais para o bem-estar psicológico e emocional.


 Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720
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