12 de jul de 2016

"Não se faça em pedaços para manter os outros completos"

Frequentemente nos quebramos em pedaços para manter outras pessoas completas, para não abrir feridas ou não deixar que doam nelas aquelas feridas que já têm. Fazemos isso sem nos darmos conta ou, ao menos, sem darmos importância a isso.
Quando nos acostumamos a dar sem receber acabamos sentindo que dedicar-nos a nós mesmos é algo egoísta, mas nada mais longe da verdade. A troca é essencial em toda relação e toda pessoa precisa dela sendo um ser emocional.
Amar a nós mesmos é algo que devemos cultivar todos os dias para nos manter completos. Porque quando estamos despedaçados uma consequência direta é o sofrimento, e esta não deixa darmos o melhor de nós mesmos.
Quando ficamos em pedaços?
– Ficamos em pedaços quando deixamos de cuidar de nós.
– Ficamos em pedaços quando evitamos fazer aquilo que gostamos.
– Nos despedaçamos quando deixamos de cultivar nossa felicidade ou quando postergamos nossos interesses.
– Nos partimos em pedaços quando não nos escutamos nem nos prestamos ajuda.
– Nos partimos em pedaços quando priorizamos as necessidades dos outros e não prestamos atenção às nossas.
-Quando queremos ser perfeitos e deixamos de ser nós mesmos.
-Quando tentamos agradar e maquiar nossa realidade ou nossa opinião.

-Quando nos esquecemos do que precisamos e nos obrigamos a passar na frente de nossas necessidades os desejos dos outros.
-Quando transformamos o sacrifício em obrigação.
-Quando achamos que somos pessoas ruins porque nos afastamos de um ambiente que nos faz mal para respirar aliviados.
-Quando cedemos a chantagens emocionais e favores que impedem nosso próprio crescimento.
-Quando sacrificamos nosso bem-estar e nos deixamos levar pela inércia de quem nos acompanha mas nos atrasa, deixando de lado o que nos agrada para fazer com que os outros se sintam bem.
É complicado sim, por isso devemos optar pelo equilíbrio entre as paixões, o cuidado e a dedicação a si mesmo e ao outro. Se assim fizermos, viveremos deliciosamente contemplando nossa essência plena, sem exceções ou poréns.

Às vezes devemos esquecer o que sentimos para lembrar o que merecemos

Quando não temos reciprocidade estamos sendo agressivos com o princípio do equilíbrio, que devemos manter sempre para termos sucesso em nos mantermos completos e não nos despedaçarmos.
Devemos lembrar que as relações afetivas não são uma mera interação, mas exigem uma troca equilibrada e satisfatória que faça sentido quando colocada na nossa balança social e afetiva.
Ou seja, não podemos fazer de nossas relações apenas oportunidades de “dar”, mas também devemos procurar que haja um equilíbrio com o “receber”. Isso não é egoísta nem mesquinho, mas sim enriquecedor.
Quem dá tudo em primeiro pessoa, quem se oferece inteiramente aos outros, não recebe nada em troca e não trabalha em si mesmo, termina sentindo-se vazio e machucado. Não podemos deixar de lado nossa autoestima para procurar a felicidade alheia, pois acabamos sendo vítimas da nossa própria atitude.
Só jogando com o interesse pessoal e o alheio podemos cultivar nosso próprio desenvolvimento sem deixar de lado o outro. Ou seja, mantendo a balança equilibrada, numa linha reta e perfeita.
Dar e receber são partes de um todo. Quando alcançado, esse todo nos faz sentir
capazes de amar e merecedores de amor e reconhecimento. Baseando-se nisso devemos ser capazes de:
  • Manter nossos direitos: pode ser que em algum momento haja algo que não nos fará bem ou que simplesmente não nos agradará fazer. Nesse momento devemos fazer valer nosso direito de manter nosso próprio espaço.
  • Cultivar nossos interesses e passatempos: esta é a base para a satisfação, para a felicidade e para o crescimento pessoal. É importante que não deixemos de nos cuidar e de dar alimento aos nossos desejos.
Lembre-se de que as grandes mudanças sempre vêm acompanhadas de algumas dificuldades. Ainda que a mudança doa e seja incômoda, a melhora gradual lhe mostrará que longe de ser um fim, é a oportunidade do início de um grande momento emocional.
Créditos: Raquel Brito



Psicoterapeuta e Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720

2 de jul de 2016

As dores da transform(ação): estruturações e reestruturações

"Observo em mim mesma as mudanças de estação: eu claramente mudo com elas."
Clarice Lispector


   Transformar, dar uma nova forma, tomar uma nova ação, converter, transfigurar, transmutar, metamorfosear...tantas formas de dizer.
     As transformações decorrem à todo tempo, podendo se assemelharem com as estações do ano, como dizia Clarice Lispector.
    A primavera seria o desabrochar de nós mesmos do nascimento aos 20 anos, a saída do útero, o primeiro sorriso, a primeira leitura na escola, na adolescência, a primeira menstruação, a descoberta do beijo, da identidade sexual, da primeira vez. Esse florescer é permeado de surpresas, dores, primeiros amores. O verão se estabelece dos 20 aos 40 anos, uma época quente, ciclos encerrando e novos ciclos se abrindo, trabalho, o sexo, as amizades já não são mais as mesmas, a temperatura sobe na internalização do “ser responsável” , ativo, produtivo,manter o equilíbrio em seus diversos contextos (saúde, família, social, emocional, financeiro), aprender que por mais que na estação da primavera escolhas foram estabelecidas, pra nós mesmos e pra vida, como a saída da escola, a busca do ensino superior e a chegada à faculdade, no verão, as vezes, podemos chegar a conclusões de que o que queríamos, a expectativas que criamos, não necessariamente são as mesmas agora, as reestruturações estarão presentes, a caminhada na trilha é desistida no meio do caminho, novos caminhos são descobertos em outras direções completamente diferentes, novas trilhas, novos rumos, e novas perspectivas renascem.
    O outono chega dos 40 aos 60 anos, os cabelos caem, ficam brancos, toda a beleza
viçosa da vida, começa a diminuir, a chegada da aposentadoria vem o cansaço,a inércia, a bagagem é mais pesada que na primavera e no verão, o autoconhecimento de si mesmo, do outro e do mundo é maior, mais rico, o aprendiz de ontem, hoje se torna mestre regado de sabedoria, a euforia dos 20 e poucos hoje é exemplificada em paz, sossego, ensinamento, e por fim, o inverno de nossas vidas ( o fim de nossa existência), galhos secos, sem o verde brilhante das folhas. O dia é um ciclo, as fases da lua, as estações, tudo se inicia, e se tem um fim. Não aceitar a condição de cíclico, é não aceitar a condição da existência, das coisas que saem do lugar estático e que vão ao caminho do mudar, metamorfosear. Que sejamos sempre, as 4 estações do ano, que sejam necessárias para nossa construção do início da nossa história, até o último capítulo do livro.

Arythana De Freitas Soares
CRP 04/43456
(34) 3083-6720

21 de jun de 2016

Carência afetiva e a necessidade de auto-afirmação nas redes sociais

    "Vivemos em uma época em que a maioria dos internautas se classificam nas gerações y e z. São jovens adultos e adolescentes que nos trouxeram mudanças comportamentais a partir de novos paradigmas tecnológicos relacionais, e que as gerações anteriores de uma certa forma foram compelidas a se atualizar.
    Com a democratização do acesso a internet e redes sociais, foram internalizados novos aspectos comportamentais e agregados novos valores sociais. Presenciamos as transformações sociais reconfigurando o processo de subjetivação das novas maneiras de se relacionar com o mundo e com o outro.
    No entanto, junto às conexões, fotos, selfies e check-ins, podemos concluir que as redes sociais foram o propulsor importante para denunciar a nossa fragilidade egoica. Necessitamos incessantemente da aprovação do outro através dos likes e comentários que elevam a nossa auto-estima. Necessitamos da validação, da aprovação do outro, em busca de convencermo-nos daquilo que não temos certeza em nós mesmos.
    Esse olhar perscrutador, avaliador e validativo do outro acerca dos nossos estados emocionais, do nosso sucesso e bem estar nos leva à conclusão de que nós não estamos convencidos internamente daquilo que somos e do que sentimos. Existe uma fragilidade em tudo isto e não foi a internet que desenvolveu. Na realidade estas questões já existiam; a internet foi apenas a ferramenta eliciadora para a eclosão dos conteúdos que presenciamos dia a dia nas redes sociais.
   Somos seres gregários e nos realizamos nos relacionamentos interpessoais que nos validam através do olhar do outro e isto além de legitimo, é necessário. No entanto, o que percebo nas redes sociais é uma necessidade premente e constante de autoafirmação, onde percebe-se o movimento de convencer o outro do que ainda não estamos convencidos em nós mesmos. Em outras palavras, as redes sociais são o grande termômetro da insatisfação e insegurança das pessoas consigo mesmas.
     Isto é comprovado pelo simples raciocínio de que se não conseguimos nos satisfazer em um nível mais profundo, necessariamente precisamos buscar isto fora.
    É fato que não somos e nunca fomos e nem seremos auto-suficientes, portanto, não podemos satisfazer sozinhos as nossas próprias necessidades e carências. Precisamos do outro, é do humano. Mas na internet existe uma caricaturização, uma exacerbação do nosso narcisismo.
   Sendo assim, as redes sociais “cairam como uma luva” para a insatisfação humana e pra necessidade fundamental do olhar de aprovação do outro enquanto sujeito que necessita ser valorado e reconhecido, causando um aprisionamento desta necessidade constante de criar muitas vezes uma personalidade fictícia, uma realidade muitas vezes mascarada para satisfazermos as nossas fantasias e necessidades profundas.
   Até que ponto acreditamos nesta realidade da felicidade constante, dos amores de contos de fadas, em uma vida sem problemas?
   Nos afugentamos nas redes sociais para criarmos esta possibilidade. Criamos muitas vezes uma realidade pré-fabricada a partir das nossas carências afetivas e emocionais. Vivemos o que gostaríamos de viver na realidade e isto agora foi possibilitado pela socialização da internet."

 Texto e reflexão:Soraya Rodrigues de Aragão

 Fonte:@universovivo

Célia Gonçalves dos Santos
Psicologa Clínica e Neuropsicóloga - CRP: 04/IS00497
Telefone:3083 6720

1 de jun de 2016

Lidando com a timidez e expandindo a espontaneidade.

      A timidez é uma característica muito comum em diversas pessoas e em algumas delas pode ser excessiva de forma a trazer prejuízos para os relacionamentos ou interações com outras pessoas e com o meio em que se convive. O canal "Mega Curioso" no YouTube recebeu diversos pedidos de pessoas que se consideram "tímidas" pedindo "dicas" para lidar com a timidez, o que nos leva a crer que este tema possui relevância e impacto na vida cotidiana dessas pessoas. Assim, o canal supracitado preparou um vídeo para seus seguidores intitulado "7 dicas infalíveis para combater a timidez". O conteúdo do vídeo traz alguns recursos para lidar com a timidez que chamamos de "distorções cognitivas" e que é muito comum de acontecerem nas nossas interações interpessoais. Como psicóloga, acredito que as dicas são interessantes como instrumentos e ferramentas para lidar com essa característica, porém a timidez, a meu ver, não precisa ser "combatida", mas estar em um nível em que a pessoa sinta-se confortável em suas relações cotidianas. 

Assim, vamos apresentar o vídeo e também na sequência algumas distorções cognitivas e as respostas alternativas saudáveis que podemos criar para interagirmos com melhor qualidade. 
video


1)Leitura metal: você acha que sabe o que os outros estão pensando, falhando assim, em considerar outras possibilidades mais prováveis.

Resposta Alternativa: Pedir esclarecimentos - pergunte a si mesmo: Eu posso mesmo saber o que as pessoas estão pensando, sem que elas me contem? É obvio que não. Então , se você quiser esclarecimentos, pergunte a pessoa ou pare totalmente de adivinhar. 

2) Declarações do tipo “eu deveria” e “eu devo”: Você tem uma idéia exata estabelecida de como você ou os outros deveriam comportar-se e você superestima quão ruim é que essas expectativas não sejam preenchidas. Ex. “é terrível que eu tenha cometido um erro. Eu deveria dar o melhor de mim.”

Resposta Alternativa: Seja flexível - pergunte a si mesmo: como eu posso ser mais flexível para que eu possa ficar um pouco mais satisfeito? O que eu não estou considerando? Como posso equilibrar isso?
3) Catastrofizando: você prevê o futuro negativamente sem considerar outros resultados mais prováveis.

Resposta alternativa: Considere todas as possibilidade - pergunte a si mesmo: o que eu não estou considerando? O que mais pode acontecer? A minha situação pode melhorar de alguma forma?
4)Pensamento do tipo tudo ou nada: você vê uma situação em apenas duas categorias em vez de em um contínuo ou contexto. Ou as coisas são totalmente boas ou ruins, um sucesso ou um fracasso, perfeitos ou defeituosos...

Resposta alternativa: Enxergue os pontos intermediários - questione-se: Eu estou sendo justo? As coisas são 100% boas ou ruins? Que possibilidades eu estou desconsiderando quando vejo as coisas em termos de tudo ou nada?

Teresa Cristina Martins Silva
Psicóloga clínica

(34) 3083-6720
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