26 de abr de 2016

Como você lida com sua sexualidade? - Algumas reflexões

Vamos fazer um rápido exercício: Pense por um instante nas formas de expressar carinho, amor, desejo, excitação, que você já presenciou. Deixe as cenas brotarem de sua memória, sua família seus pais, você mesmo, como acontecia? Seus pais se beijavam na sua frente? Trocavam carícias, andavam de mãos dadas, lado a lado ou um na frente outro atrás?, conversavam sobre sexo, amor, carinho com você?, censuravam  filmes, horários de TV? Reagiam com vergonha ou com naturalidade as suas perguntas? Estavam presentes…
Agora lembre-se de como você lidava com tudo isso, você era tímido, ousado, curioso? Tinha medo de fazer perguntas ou não?…contentava-se com qualquer resposta? Conversava com amigos(as) sobre suas dúvidas? Por último tente detectar a influência de tudo isso em sua sexualidade hoje.
Entendo que trata-se de uma tarefa ampla para ser feita num breve instante, e obviamente não coloquei aqui todas as variáveis que deveríamos considerar, mas é apenas o início de um exercício que poderá ajudá-lo a compreender a influência de nossas experiências em nosso comportamento, principalmente na expressão de nossos sentimentos.
Hoje a expressão de sua sexualidade com alta chance é o resultado dessa difícil e complexa equação: tudo que recebeu de informação – conceitos e preconceitos, mitos e verdades – somados a sua forma particular de decodificar aquilo que recebeu – seu ”óculos”.
A escolha sexual, passa por um processo físico, emocional e social. Como podemos perceber,
recebemos modelos de comportamento em nossa educação e nascemos com características particulares. Aprendemos a nos vestir, a nos movimentar de forma “adequada”, ou esperada socialmente , a escolher o que comer, a torcer por um time , ou um esporte, a gostar de TV ou não. Tudo isso de forma explícita ou nem tanto, dependendo do grau de consciência dos educadores que cada um de nós teve. Da mesma forma aprendemos a “lidar” com nossa sexualidade.
Nossos envolvimentos amorosos passam por nossas buscas, insatisfações, fantasias, crenças, medos, certezas e entendimentos de mundo. O ser humano naturalmente busca se envolver afetivamente e amorosamente. A demanda do ser humano é uma demanda de amor, o prazer, o carinho, fazem parte desta esfera.  O tipo de parceiro(a) que escolhemos está relacionado a esses modelos que recebemos durante nosso desenvolvimento, às pessoas que conhecemos, e histórias que acompanhamos.
As formas que buscamos para obter prazer relacionam-se a nossas fantasias, desejos, e as possibilidades de realizá-los. O ser humano é um complexo formado por razão , emoção e espiritualidade. O desejo é livre, podemos desejar muitas coisas, mas, a execução desses desejos passa pelo crivo da nossa razão e espiritualidade. O que quero dizer é que desejar  é expressão do humano que existe em nós, mas executar o desejo é expressão de nossa saúde interna, de nossa capacidade de adequação, ou habilidade para viver socialmente, e de nosso entendimento de mundo.
Durante o desenvolvimento pessoal temos a difícil tarefa de aprender a respeitar nossos valores, sermos espontâneos em nossos desejos e criativos, procurando o caminho para superar nossas limitações. Difícil também é detectar nossos desejos. Os desejos enquanto substância humana são a expressão de nossa individualidade.
Ainda temos muitos preconceitos mesmo nos dias de hoje. A homossexualidade por exemplo ainda é alvo de ataques e desrespeito. A liberdade de escolher e de ser o que se deseja ainda está longe de ser conquistada, ainda há de se crescer muito e amadurecer nosso modo de nos relacionar com aqueles que pensam, sentem e percebem o mundo de  maneira particular e diferente de nós.
A virgindade hoje em dia tornou-se um tabu ao “contrário”, entre os jovens o “crime” agora é servirgem e não mais não ser como a 40 ou 50 anos atrás, apenas se inverteu a posição, portanto o preconceito ainda impera absoluto.
A virgindade não é apenas uma questão de “transar” ou não, mas está diretamente relacionada á noção de respeito próprio, capacidade para cuidar de si e  responsabilidade. O jovem estará preparado quando a relação sexual, não for uma obrigatoriedade ou apenas mais uma afronta. É comum escutar frases do tipo …”todas as minhas amigas da minha idade já transaram”…, ou,  “quando alguém me pergunta ,eu vou logo dizendo que é claro que já tive a minha experiência”…, ou, “sou chamada de “vacilona”  porque não quis transar ainda”... Este é um importante aprendizado emocional: assumir nossas escolhas e “bancar” suas conseqüências.
A noção de respeito e individualidade ainda é muito confusa socialmente. No brasil a sexualidade é algo explorado e produto da mídia, somos o país das mulatas e dos biquínis. As crianças são estimuladas através das roupas, acessórios, TV, músicas e até algumas danças, a voltarem sua atenção para a sexualidade, algumas vezes perdendo com isso, seu espaço de serem crianças simplesmente  porque a sexualidade faz parte do mundo do jovem/adulto e não da infância.
Comerciais de TV, aludem a sexualidade, mulheres são associadas a cervejas ou ao prazer provocado por elas. A mídia é a expressão do imaginário humano,  refletindo idéias, valores, desejos e fantasias da atualidade. A mulher como objeto sexual ainda vende, mas o homem também passou a ser produto de consumo.
Estamos numa época de reformulação de valores, idéias e crenças. O ser humano está sempre em evolução e transformação. Nossos entendimentos de bom e mau, certo e errado modificam-se de acordo com o prisma que escolhemos para decodificar a vida.
A sexualidade deve ser olhada e aceita como algo natural que faz parte do desenvolvimento, das descobertas, experiências pessoais e principalmente da  expressão da vida. Para vivenciar a própria sexualidade sem culpas ou sofrimentos é necessário respeito próprio e enfrentamento dos próprios medos, conseguidos apenas através da ampla consciência de quem somos e da noção de nossas possibilidades e responsabilidades.
Créditos: Sirley R. S. Bittu
Teresa Cristina Martins Silva
Psicóloga clínica
Terapeuta de casais e família
(34) 3083-6720

19 de abr de 2016

O que fazer quando nos tornamos algozes de nós mesmos? Uma reflexão sobre a importância da autocompaixão.

      Se pararmos para pensar, no decorrer de nossas vidas, não raras foram as vezes que sofremos duras críticas de nossos pais, professores, amigos, colegas. Essas críticas colocadas de maneira depreciativa, nos desqualificando, geralmente levam à baixa auto-estima e uma auto-crítica exagerada. Com o passar do tempo, ainda que estas pessoas não tenham tanta influência sobre nós, suas vozes parecem ser internalizadas e somos nós mesmos que nos depreciamos e temos sentimentos de menos valia, nos tornando algozes de nós mesmos. É preciso resignificar essas duras críticas que dirigimos à nós para termos uma relação mais saudável conosco e com o mundo. A psicoterapia surge como um processo para nos ajudar nessa tarefa. Assistam o vídeo abaixo que ilustra de maneira significativa essa reflexão:

video

Teresa Cristina Martins Silva
Psicóloga clínica
Terapeuta de casais e família
(34) 3083-6720

14 de abr de 2016

10 considerações sobre Terapia de Casal.


Ainda tem quem encare a terapia de casal como o último recurso de uma dupla infeliz às vésperas do divórcio. Não é. Cada vez mais, ela pode e tem sido usada para solucionar um conflito entre parceiros que anda emperrando a vida a dois. Aliás, de maneira geral, quanto antes se buscar auxílio, melhor. “Senão, pode ser tarde demais”, avalia Ailton Amélio da Silva, professor de psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor de Relacionamento Amoroso (Publifolha), entre outros livros do gênero. “É comum o casal procurar um profissional só quando já há muito desgaste e mágoa na relação. Aí, fica difícil mesmo reverter o quadro”, admite. Ele e outros três especialistas, todos com larga experiência em atender cônjuges (e mesmo noivos e namorados que ainda não vivem juntos), ajudam a entender melhor do que se trata (ou não) o divã a dois e como aproveitar o tempo em frente ao terapeuta para levar o relacionamento adiante. 

1. O objetivo é ficar junto, ou separado e feliz 

 Manter o casal unido e em harmonia é o objetivo maior. “Se a decisão de se separar já está tomada por ambos, não é necessário procurar um terapeuta, mas um advogado”, resume Flávio Gikovate, psicoterapeuta e autor de livros como Uma Nova Visão do Amor (MG Editores). Caso apenas uma das partes queira o fim ou se ninguém está pensando em terminar, mas os conflitos estão perdurando ou trazendo angústia, então há questões a ser trabalhadas. Qualquer que tenha sido o motivo, se depois das sessões cada um resolveu ir para o seu lado, não significa que o processo deu errado. “Se for para se divorciar, que a separação se dê de forma amena para o bem de cada um e dos filhos, se houver. A tendência é que os conflitos se agravem no momento da separação. Nisso, o profissional pode ajudar bastante”, diz Gikovate. 

 2. A vida amorosa não tem que ser um mar de rosas

 “Em um relacionamento, vários elementos entram em jogo”, lembra Ailton Amélio. Da história de vida ao temperamento de cada um, passando pelo comportamento na cama. E da mesma forma que há uma variedade de temas envolvidos, há também possibilidades de desacordos. A questão não é evitá-los, mas ter capacidade de lidar com eles quando aparecem. “Isso pode significar tanto solucioná-los como decidir que vale a pena conviver com eles”, diz o psicanalista Luiz Hanns, autor de A Equação do Casamento (Companhia das Letras). 

 3. Nem tudo se resolve com conversa 

 O diálogo pode ser curativo em muitos casos, mas não é a saída para tudo. “Às vezes, o conflito não tem solução, mesmo que os dois se gostem”, diz a psicanalista Mena Mota, de São Paulo. Isso em geral ocorre quando os projetos de vida são muito distintos – um quer filhos, o outro não, por exemplo. “Entrar em acordo pressupõe abrir mão, o que faz parte de toda relação. Mas, quando as visões de mundo são muito diferentes, pode acontecer de um se anular para satisfazer o outro”, afirma. Essa estratégia, aprende-se (quase) sempre, costuma ter tempo limitado. 

 4. O processo às vezes é desgastante 

 Para Hanns, muitos têm mais resistência à terapia conjunta porque ela em geral surge em função de conflitos. “Na individual, cada um apresenta só sua versão dos fatos”, acrescenta. “Na de casal, sua visão pode ser contestada pelo outro, gerando confronto.” Choro e até ofensas são reações comuns. E aí cabe ao profissional ajudar a organizar a conversa. 

 5. Não há juiz 

 O papel do terapeuta é o de mediador, não de fã de um dos parceiros nem tampouco de juiz da situação ou dono da verdade. “Cabe ao bom profissional procurar entender aqueles indivíduos e o casal como um todo. Ele é como um hacker que tenta entrar no software de cada um para buscar um ponto de convergência entre ambos e fazer a costura”, pondera Gikovate.

 6. Você não precisa contar tudo

 Na terapia individual, todo conteúdo que o paciente apresentar é bem-vindo, inclusive devaneios que passam pela cabeça, fantasias, sonhos… Mas, quando a sessão é dividida, algumas questões podem ser mantidas do lado de fora – e até devem. “É claro que tem de haver uma boa dose de entrega, mas não é preciso falar tudo”, avalia Hanns. “Certa vez, uma paciente disse que o ex era mais bem-dotado. O marido ficou magoado e não conseguiu superar isso. A vida sexual ficou prejudicada. São coisas que podem vir à nossa mente, mas que, se o outro souber, são capazes de fazer um estrago.” Dê prioridade ao que vem provocando angústia e que, compartilhado com o outro, pode levar a uma nova etapa do relacionamento. 

 7. O problema pode ser pontual

 A terapia também é útil (e muito) para resolver situações específicas, como dificuldades para chegar a um acordo sobre as finanças ou a educação dos filhos e até transtornos no relacionamento com os parentes, por exemplo. “Já trabalhei de forma bem-sucedida vários tipos de questões mais focadas em três meses de terapia”, conta Mena. 

 8. Não basta ir, tem que participar 

 Como na terapia individual, é preciso sentir empatia pelo profissional e se envolver com o processo. “É muito comum que um dos parceiros não esteja disposto a se expor ou investir na relação, enquanto o outro está”, diz Hanns. “Cabe ao terapeuta perceber isso e trabalhar a questão. Até porque, se a indisposição permanece, o trabalho fica inviável.” Em casos assim, é possível que se proponham algumas sessões individuais para entender o que está acontecendo. “Às vezes, preparo o paciente sozinho para que ele se expresse melhor em conjunto”, explica Mena. 

 9. O que acontece no consultório fica no consultório 

 Vocês dois são reservados e ficam desconfortáveis com a ideia de se expor? “Nem detalhes da profissão eu pergunto”, afirma Gikovate. E a privacidade é sempre respeitada. Mesmo o que se fala no divã individualmente, se houver sessões só com um dos parceiros, não é compartilhado na conversa a dois sem autorização. Mais: os terapeutas não costumam debater os problemas dos pacientes na mesa de bar. “Se necessário, por motivos profissionais, falo com colegas sobre algum caso, mas omitindo nomes e detalhes para que os pacientes não sejam identificados”, diz Silva. 

 10. Se quiser, volte sempre 

 Os casais podem retomar as sessões depois de meses ou anos longe do consultório. “Tenho pacientes que são cíclicos”, diz Silva. “Outros resolvem a questão que os trouxe e não aparecem mais.” O retorno pode se dar por um novo motivo ou pelo mesmo. Longe de sinal de fraqueza, indica maturidade – para resolver o que perturba a relação. 

 Créditos: Liliane Prata


Teresa Cristina Martins Silva
Psicóloga clínica
Terapeuta de casais e família
(34) 3083-6720

10 de mar de 2016

A raiva e sua função em nossas vidas

Raiva! Quem já não sentiu? Num milésimo de segundo ela vem como uma avalanche. Nos toma, tira a nossa razão. Seca a boca, acelera o coração, esquenta o sangue e treme as mãos. É uma emoção avassaladora; e se  não controlada, pode produzir efeitos de difícil reparação.
Quando não sabemos lidar com nossos sentimentos, eles têm o poder de nos fazer responder sempre da mesma forma a eventos bastante diferentes. Desta forma, bater o dedinho do pé na mesinha de centro da sala e ver alguém bater no seu filho, podem invocar exatamente a mesma reação; isso porque o calor das emoções tem uma capacidade sobremaneira de afetar significativamente a nossa função racional.
Entretanto, a raiva é um sentimento muito importante. Ela nos auxilia durante a caminhada rumo à realização humana. Quando não gostamos de algo em nós, é dela que pode vir o impulso para a mudança. Quando nos indignamos com as injustiças sociais, ela pode ser a nossa força de luta e transformação. Quando sofremos pela separação de um parceiro(a), ela é companheira fiel na retomada da própria vida. Sem uma pitada de raiva, os sofrimentos não teriam fim. Assim, é uma função de extrema importância para as nossas defesas, estabelecimento de limites e tomadas de atitude.
Mas é preciso usá-la com consciência para aproveitar de sua sabedoria! Respostas sempre enfurecidas podem tanto ferir nossas relações afetivas mais preciosas, quanto gerar uma cadeia de mágoas e situações mal resolvidas, para nós e para os outros. Proporcionalmente, quando a projetamos apenas para dentro, podemos sentir o seu efeito destruidor através do doloroso sofrimento psíquico, ou da presença de inúmeras doenças que podem se associar a ela.
É comum às pessoas furiosas, a dificuldade de lidar com as frustrações; geralmente, “explodem” diante do ataque de alguém ou quando as expectativas, vontades e opiniões não são correspondidas. Jogamos sobre o outro a obrigação de apoiar nossas ideias, pensar como nós ou realizar nossos desejos, sem perceber que este tipo de atitude não corrobora para a construção de relações verdadeiras e maduras, aquelas em que podemos ser quem somos e crescemos no diálogo com as individualidades.
Portanto, seguem seis lições para quem quer se dar bem com a raiva:
1- Aprenda que todo sentimento deve ser reconhecido e respeitado, mas nenhum deles deve ganhar o lugar de “senhor de nossas vidas”.
2- Não tente resolver os problemas sem antes retomar o próprio controle. Conte até dez; se necessário, até cem ou mil. Sempre “espere a poeira baixar”.
3- Lembre-se que raiva demais é como penas espalhadas ao vento. Recolher os seus estragos pode ser uma tarefa bastante complicada.
4- Não se esqueça que não somos o centro do universo! Haverá sempre alguém que pensa e faz diferente de nós. Assim, construa relações de diálogo e não permita que o outro controle o seu comportamento.
5- Não permita que a carga emocional aprisione sua função racional. É preciso conhecer e atentar-se às próprias reações para tirar proveito da função positiva da raiva.
6- Se você engolir tudo o que sente, no final você se afoga! Dar vazão aos sentimentos é se permitir entrar em contato com as próprias fraquezas e sombras; assim se conhece os próprios limites, aprende e amadurece.
Créditos: Juliana Santos - Psique em equilíbrio

  Psicóloga Clínica
CRP 23049/04

(34) 3083-6720
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...