11/06/2014

Inveja: que sentimento é esse??

De acordo com o dicionário, a inveja é um sentimento de tristeza perante o que o outro tem e a própria pessoa não tem (pode ser tanto coisas materias como qualidades inerentes ao ser).  A inveja pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual.

Esse sentimento humano é próprio de pessoas que querem sempre ser o centro das atenções ou as maiores e melhores em tudo o que são, fazem ou falam, razão pela qual se sentem ameaçadas com a presença de outro alguém que possa, até mesmo involuntariamente, "roubar" seu lugar ao pódio.A principal limitação que os impedem de ter os atributos tanto cobiçados é o deixar de viver a própria vida para viver a vida alheia. 
Ao se falar sobre a inveja, o primeiro impulso é condenar e julgar este sentimento como algo errado, feio, baixo. Quando invejamos os outros, sentimos vergonha ou ficamos assustados e nos reprimimos; se percebemos a inveja dos outros, ficamos com medo ou raiva da outra pessoa. Porém, a inveja faz parte da natureza humana e, portanto, faz parte de absolutamente todos nós.
Habitualmente, a inveja é formada a partir do momento em que as qualidades do outro são comparadas, faltando uma avaliação do próprio potencial. Estes sentimentos de grande frustração e de inferioridade são gerados pelo fato de a pessoa não ser capaz de realizar ações minimamente úteis para si e para os outros, consolidando-se assim o complexo de inferioridade à pessoa invejada.
A inveja sinaliza o quanto estamos precisando trabalhar nosso amor próprio e autoestima:quanto mais sentimos, maior é o nosso vazio interno. O mesmo serve para quem é sempre o alvo da inveja dos outros, ou seja, parece contraditório, mas quem se sente afetado pela inveja alheia, na realidade carrega as mesmas energias desarmonizadas de insegurança e falta de autoestima de quem sente inveja, apesar do sentimento se manifestar de maneiras diferentes em cada situação. Se a pessoa está segura ou plena em si mesma, a inveja alheia não incomoda ou, como se diz na linguagem popular, "não pega".
Mas, quem sai mais prejudicado da inveja não são os outros, mas quem inveja. Ela é destrutiva, corrói a autoestima, destrói o crescimento individual, destruindo a sua auto-aceitação porque não produz mudanças favoráveis ao desenvolvimento do invejoso, enquanto pessoa. Contaminado pelo ódio, o invejoso aproveita-se da projeção, tornando más as pessoas que são boas e, por não conseguir obter o que o invejado consegue, faz com que as qualidades do indivíduo invejado fiquem escondidas, por não as querer perceber perante os outros, numa tentativa de raiva e tristeza por tudo o que ele tem e conquista. Frustrado, e por negar os próprios sentimentos negativos que há dentro de si, o invejoso coloca todo o tipo de sentimentos maus naquele que é o objeto da sua inveja.
A única maneira de realmente neutralizar esse sentimento é aprender a utilizá-lo a nosso favor, já que, querendo ou não, ele continuará existindo dentro e fora de nós, porque é algo inerente à natureza humana. Nosso grande e nobre objetivo não é deixar de sentir inveja, mas aprender a direcioná-la de forma positiva.
Então, que tal ficar atento e da próxima vez que tiver que lidar com a inveja dentro ou fora de si, em vez de julgar ou sentir raiva, fazer um gesto de amor por si mesmo? Traga sua atenção para dentro, cuide de si, aprofunde seu trabalho de fortalecimento do amor próprio! Transforme a inveja em um motor para sua autoestima!

Larissa Aparecida Costa Furlanetto
          Psicóloga / Psicanalista

03/06/2014

Você “curtiu”? Reflexões sobre o flerte online

É fato que as redes sociais trouxeram novas possibilidades de conhecer pessoas e de se relacionar.  Com apenas um clique podemos nos conectar de forma muito rápida com inúmeras pessoas e mais, termos acesso a uma gama de informações fornecidas por elas mesmas em um perfil editado. Muito diferente da forma de conhecer gente há algumas décadas atrás.
Num passado não tão remoto assim, para conhecer pessoas novas precisávamos sair de casa. Ir ao encontro dos amigos, a festas, clubes, shows, bares, casa de familiares. Assim, se alguém nos despertasse interesse era hora de começar as aproximações. Troca de olhares, sorrisos, um aceno com as mãos, ou num pedido para que um amigo nos apresentasse. Assim começava o flerte e a paquera e com isso a expectativa da troca de telefone, dos contatos iniciais e quem sabe um convite para sair à sós.
Com os chat’s online as pessoas já aumentaram as chances de conhecer pessoas, mas ainda sim, nestes chat’s existia alguma privacidade, pois muitas vezes eram usados apelidos o que garantia até certo ponto o anonimato. Um flerte poderia ser levado adiante ou não dependendo da conversa e encerrava-se o contato muitas vezes sem conhecer o rosto da pessoa.
Com a chegada das redes sociais, o privado se torna público e fazemos um “recorte” das nossas características e publicamos em um perfil. Além disso, essas redes sociais nos sugerem “amigos” além daqueles que adicionamos espontaneamente e que fazem parte do nosso cotidiano. Assim, com apenas um clique podemos iniciar uma conversa e até um flerte “online”. Flerte esse que será construído ao som das teclas do computador ou smartphone e pela seleção de “emoticons”.
No flerte “tradicional” ao vivo em cores, tínhamos acesso a leitura do comportamento verbal e não-verbal (gestos, postura corporal) do outro o que nos dava uma maior possibilidade de saber o quão estavam interessado ou não na nossa companhia. No flerte “online” podemos ir até onde nossa imaginação e desejo quiser, pois precisamos apenas teclar, curtir fotos, publicações, postar frases ou músicas que poderiam sugerir para a outra pessoa o nosso interesse.
Porém, essa nova forma de flertar acaba gerando dúvidas sobre o real interesse que se tem para além do flerte online. Não raras são as vezes em que escuto histórias no consultório ou fora dele de que pessoas que foram flertadas online e ficaram sem saber como agir, pois a demonstração de interesse não passava de tecladas ou curtidas nas redes sociais. Muitas vezes, pede-se o telefone, adiciona no “whatsapp” e este aplicativo acaba se tornando apenas mais uma possibilidade de interação online, apesar de se ter o telefone da pessoa e a possibilidade de fazer uma ligação.

                Então convido o leitor a seguinte reflexão: curtidas, tecladas e postagens nas redes sociais são suficientes para demonstrar seu interesse? Tenho comigo que essas novas possibilidades são suficientes para o início de interação, mas nem de longe vão substituir o face a face. Se você realmente “curtiu” alguém, lembre-se que o seu telefone e o da pessoa também faz e recebe ligações. Ligue, ouça a voz, faça um convite para sair. Transponha a “segura” tela do computador ou do smartphone e arrisque-se. Não esgote as conversas no modo “online”, experimente ao menos uma vez ficar off-line para a tela e online para a pessoa que te interessou e passe a desfrutar de coisas que somente um encontro pessoal pode proporcionar: você pode descobrir que o sorriso dela é lindo mesmo, e que ele tem um jeito de olhar que te encanta. Ou que a atração não foi lá essas coisas, mas que possuem tantos interesses em comum e que no mínimo pode surgir uma amizade. Ou que não foi nada disso, que o encontro foi um saco, a pessoa era chata e mesmo assim você terá uma história real para contar. 

Psicoterapeuta e Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720

29/05/2014

Birra... como ocorre e como lidar com ela?

Uma coisa é fato: a birra é um comportamento que incomoda milhares de pais e, por mais incrível que pareça, também os filhos que a praticam.

A birra é sinônimo de insistência,de “bater o pé” até que consiga o que se quer. E ela pode ser aprendida “sem querer” e por motivos muitas vezes até compreensíveis. O meio em que a criança vive acaba ensinando a ela uma maneira não habilidosa, mas eficaz, de se conseguir o que se quer. Os pais e/ou as pessoas com as quais a criança mais convive podem ter várias tarefas a fazer, problemas ou podem ter um amor permissivo com seus filhos, que faz com que desejem tudo de “melhor” para eles, mas... será que essa é realmente uma boa postura?

Quando dizemos não aos nossos filhos, mas com muita insistência resistimos aos caprichos das crianças, o que estamos ensinando? Muitas vezes fazemos isso porque não aguentamos mais os resmungos nas nossas cabeças, ou ficamos com dó, ou damos aquilo que querem simplesmente para acabar com aquele conflito logo. Dessa forma, infelizmente estamos fazendo com que a criança entenda que a insistência, mesmo que cause brigas, choros, irritabilidade, stress, chateação, querendo ou não, vai ter um bom resultado, ou seja, se terá o que se quer. Acabamos premiando nossas crianças por terem sido mal educadas, por terem gritado, chorado, desrespeitado os mais velhos. É como se, ao invés de ter dado os parabéns por uma boa nota da escola, déssemos os parabéns pelo “show de birra” e isso pode tomar dimensões muito mais preocupantes durante a adolescência, resultando em jovens sem limites e que normalmente sofrem muito para conseguir seus objetivos. 

A birra acaba causando sofrimento para os pais e para a criança (sim, para as crianças também! Pense no desgaste emocional e no sofrimento que elas percebem que têm que passar para que possam ter suas conquistas!). Mas o que fazer? 

Acredito que a maior dica que pode ser dada é que os pais sejam honestos com os seus filhos. Quando algo não puder ser feito pela criança ou dado para ela, persistir em suas decisões (aí é sua hora de “bater o pé”) e explicar a criança o motivo delas terem sido tomadas. O lendário “porque não” realmente não é resposta. Os pais têm o direito de mudar de opinião, mas caso haja uma boa e educada conversa com os filhos e que todos os “porquês” sejam realmente explicados.

Outra coisa também é fato. Erramos por amar demais, por querermos tudo para os nossos pequenos. Mas o “não” às vezes também é amar, mesmo que seja difícil de ser dado. Aliás,quem disse que amar não dói? E que amar seria fácil?


Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
CRP 04/34346
Clínica Acolher: 3083-6720

20/05/2014

Sucesso: três elementos fundamentais para alcançá-lo!

Uma ideia nasce e nos apaixonamos por ela. Mergulhamos de cabeça neste ideal e nos dedicamos arduamente a implementar aquilo que idealizamos. Mas, não raras são as vezes em que quando a paixão passa, nos deparamos com as dificuldades que surgem ao longo do caminho e a ideia maravilhosa e encantadora se transforma num fardo. Então, como evitar isso?
            Costumo dizer, que quando temos uma ideia, devemos antes “namorar” com ela. Observá-la, conhecê-la, perceber se essa ideia tem haver com quem somos e nossos valores. “Namorando com a ideia” e percebendo que a mesma responde tanto as nossas demandas quanto às demandas sociais, podemos então transformá-la em um objetivo.
            O objetivo constitui o primeiro pilar da tríade do sucesso. Transformar a ideia em objetivo ajuda a definir claramente “o que” se quer. Aliado a noção de meta, defini-se ainda “quando”, “quanto” e “como” queremos alcançar o nosso objetivo, sonho ou concretizar a nossa ideia. É de suma importância colocar seu objetivo em uma linguagem positiva e verificar quais os recursos que você possui e os que precisa adquirir para alcançá-lo.
            Acuidade perceptiva é outro pilar importante para se ter êxito. Isto consiste em observar se os caminhos, recursos, pessoas, estão nos levando ao alcance do objetivo ou está nos desviando do mesmo. A acuidade perceptiva faz parte de todo processo e precisa acontecer o tempo todo. É como se fosse um monitoramento contínuo na execução do objetivo. É nesta fase, que se a motivação ou entusiamos iniciais estiverem baixos, há de se parar para refletir, avaliar e buscar novamente os motivos para seguir em frente e retomar a direção do barco, não o deixando à deriva.
            O terceiro pilar da tríade do sucesso é a flexibilidade. No processo da acuidade perceptiva, caso seja identificado que algo precisa ser redirecionado temos que ter flexibilidade de pensamentos, sentimento e ações. Flexibilidade, neste caso, consiste em estar aberto para encontrar várias maneiras para agir diante de um problema, ou situação. A rigidez, muitas vezes nos paralisa e deixa estagnado. A flexibilidade abre espaço para a criatividade, tomada de decisão e solução de problemas.

            Dessa forma, a tríade do sucesso: objetivo, acuidade perceptiva e flexibilidade serão os seus aliados na concretização de suas ideias, sonhos, bem como na contunuidade de projetos já existentes. 

Psicoterapeuta e Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720
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