31 de mai de 2017

Compreendendo o Transtorno Obsessivo Compulsivo

Resultado de imagem para tocO TOC caracteriza-se pela presença de obsessões ou compulsões que consomem tempo ou interferem de forma significativa nas rotinas diárias da pessoa, no seu trabalho, na vida familiar ou social, e causam profundo sofrimento.
Considerado raro até há pouco tempo, o TOC é uma doença bastante comum, acometendo, aproximadamente, um em cada 40 ou 50 indivíduos. No Brasil, é provável que existam entre 3 e 4 milhões de portadores. Muitas dessas pessoas, embora tenham suas vidas gravemente comprometidas pelos sintomas, nunca foram diagnosticadas e nem tratadas. Talvez a maioria desconheça o fato de esses sintomas constituírem uma doença.
O TOC não sendo tratado pode-se tornar crônico. É considerado um transtorno mental grave. Até o momento as causas do TOC não são tão conhecidas, o início da doença, os aspectos neurológicos, neuropsicológicos e cognitivos, bem como as respostas aos tratamentos varia muito de cada indivíduo. O TOC atinge ambos os sexos geralmente apresentando-se na adolescência.
Existem fortes evidências de que fatores biológicos, a incidência familiar (genética), tornam certos indivíduos mais suscetíveis a desenvolver esses transtornos.
Estudos mostram que a maioria dos portadores tem pelo menos um outro transtorno psiquiátrico associado, sendo os mais frequentes (ansiedade) como a fobia social ou as fobias específicas e o transtorno depressivo maior.
Os diferentes sintomas de TOC são: contaminação e lavagem, ordem e simetria, repetição, verificação, colecionismo (acúmulo) e pensamentos indesejáveis (repugnantes), sobre sexo, agressão e religião (blasfêmias).
Limpeza. Origina-se do medo da contaminação. A pessoa fica avessa à sujeira de uma forma muito exagerada e passa a limpar, lavar, desinfetar tudo o que acha que possa estar sujo, de forma exagerada podendo chegar a passar noites em claro esfregando a casa.
Ordem e simetria. Se refere a sensação de que as coisas tem que estar naquela ordem que a pessoa considera a correta, ou tudo simétrico. Exemplos: Se ela tomou um gole de água vai ter que tomar outro só para formar um número par.
Repetição. A pessoa repete um certo número de vezes o mesmo comportamento. Por exemplo para chegar até a porta ela sente que tem que dar cinco passos, se não der os cinco passos sente compulsão a voltar e fazer novamente até estar correto.
Verificação. A pessoa passa horas verificando se as coisas estão da forma que ela considera ideal, nos lugares certinhos, por exemplo um deve estar copo no ponto exato da prateleira.
Acúmulo. A pessoa passa a acumular coisas inúteis até mesmo quebrados e sujos. Tem gente que guarda lixo em casa de forma a não sobrar espaço para passar pelos corredores. Eventualmente a televisão mostra algum caso de TOC onde pessoas além de não sair de casa também não deixam ninguém entrar pois sentem vergonha se si mesmas, mas ainda assim não consegue se conter.
Existem alguns eventos cognitivos relacionados ao TOC que podem levar a interpretação errada dos pensamentos intrusivos: responsabilidade exagerada, importância exagerada dos pensamentos, importância de controlar os pensamentos, exacerbação do risco, intolerância à incerteza e perfeccionismo.
A família pode ajudar e se transformar em um suporte importante para o diagnóstico e tratamento do TOC. Pode auxiliar a identificar rituais encobertos e não percebidos pelo próprio paciente, na elaboração das listas de rituais e de evitações (essencial para a terapia cognitivo- comportamental). Para tanto, é necessária a compreensão de como se dá o processo de cura, conhecer o fenômeno da habituação a aflição passa, por mais elevados que sejam seus níveis, e é suportável. É fundamental o apoio às tentativas de exposição e prevenção de rituais e à adesão ao tratamento, além da paciência e tolerância para eventuais aumentos de ansiedade ou retrocessos do paciente.
O TOC tem tratamento, na Terapia Cognitiva Comportamental é feito primeiro uma avaliação do paciente, diagnosticado inicia-se o tratamento, e de suma importância que paciente esteja motivado para a mudança que o tratamento exigirá. Utilizamos as técnicas de psicoeducação, a elaboração da lista de sintomas, diário de sintomas, exposição e prevenção de respostas e avaliação exagerada de riscos. A Terapia Cognitivo Comportamental é o tratamento mais eficaz a curto e a longo prazos para os sintomas do TOC.

Referências:
Rangé, Bernard e colaboradores. Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria – Porto Alegre: Artemed, 2011.
Cordioli, Aristides Volpato. Vencendo o transtorno obsessivo-compulsivo: manual da terapia cognitivo-comportamental para pacientes e terapeutas – Porto Alegre - Artemed, 2004.
Torres, Albina Rodrigues; Shavitt, Roseli Gedanke; Miguel, Eurípedes Constantino. Medos, dúvidas e manias: orientação para pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo e seus familiares – Porto Alegre – Artemed, 2001.

Ludmila Santos Soares 
Psicóloga Clínica
3083-6720


25 de mai de 2017

Confiar


Para realizar é preciso confiar! Esta poderia ser uma dentre milhares de frases motivacionais e inspiradoras que encontramos frequentemente na internet. E por vezes, precisamos delas. Para alimentar nossas esperanças, para crermos que vale a pena seguir adiante. Para entendermos que muitos dos que venceram foram seres humanos como nós e podem ter um conselho precioso a fornecer.
  Confiar em si mesmo é fundamental! Mas, por que então nos sabotamos? Por que dizemos que aquilo não é para nós? Por que dizemos que o outro é sempre melhor? O que nos falta para entendermos que podemos conseguir?
  Talvez, lendo até aqui você diga: ei espere! Nós não podemos tudo? De fato, não! Há muitas coisas que não podemos mudar. Mas, podemos muito! Principalmente, aquelas que dizem respeito a nós mesmos. A grande questão é: o quão consciente disso nós estamos?
  Ao longo da vida, tivemos uma série de aprendizagens. Aprendemos através de exemplos, contextos, experiências, livros, modelos e muito mais. Mas, a medida que você aprende, você diminui a frequência que pensa naquilo.
  Assim, quando você está aprendendo a dirigir, possivelmente você estará extremamente consciente do processo. Quando pisar na embreagem, quando soltá-la vagarosamente, quando acelerar, quando passar da primeira para segunda marcha, quando der seta. Você se mantém atento a absolutamente tudo ao seu redor, buscando o melhor comportamento e a melhor reação para cada situação. Se um carro para a sua frente, você precisa estar atento para ir freando, diminuindo a velocidade, para pisar na embreagem e parar o carro, sem apagá-lo. Depois que o carro a frente sair, é sua vez. Você precisa se preparar: primeira marcha, solta levemente a embreagem enquanto acelera levemente e vai. Com o tempo, todo este processo se torna automático. E se você já tem algum tempo na direção, sabe que hoje o seu cérebro lhe permite comandar a direção pensando na conta que você tem que pagar, nas compras que irá fazer na padaria, no quanto o seu chefe abusou de você neste dia. Você fica no piloto automático.
  Este piloto automático não é só para habilidades. Ele serve também a outros tipos de comportamento e reações. E o executamos inclusive no processamento de nossos pensamentos. Estamos acostumados na utilização de determinados padrões para pensarmos sobre nós mesmos, sobre o mundo ao nosso redor e sobre as pessoas com as quais convivemos. E, normalmente quando estamos no piloto automático ficamos alheios a um pensamento mais consciente e de uma interpretação melhor que leve em consideração como estamos nos sentindo, como está o nosso corpo. Simplesmente nos deixamos levar, porque acreditamos que se aprendemos a levar a vida assim, assim ela deve ser.
  Será? E se eu tiver aprendido por conta de algumas experiências infelizes de que não sou capaz de falar em público? Devo me conformar e aceitar este trágico fim que me espera? Devo, então, crer que se em qualquer momento de minha vida surgir alguma oportunidade que me exija tal habilidade, irei abdicar e deixar para outro que mereça? Não. Definitivamente não. Você pode pensar de uma maneira diferente. E, portanto agir de forma distinta.
  Você pode começar a confiar que ainda não desenvolveu tal habilidade. Mas, que pode desenvolvê-la, mesmo que isso envolva um treino sério e alguns sacrifícios. As mudanças podem nos requerer alguns sacrifícios. Mas, você pode confiar em si mesmo!
  “Eu já tentei, já fiz milhares de coisas.” “Já fiz tudo que eu podia!” Bacana! Mas, você estava se sentindo autoconfiante? Dê-se uma oportunidade de tentar novamente, agora se utilizando deste novo recurso.
   Há muitos métodos e formas de se desenvolver autoconfiança. E é claro que uma postagem jamais seria capaz de abarcar tamanho fenômeno. Entretanto, algumas dicas podem lhe ser úteis. Se você se sente paralisado e incapacitado para desenvolver tal recurso procure ajuda de um profissional.

  Um caminho útil para desenvolvimento da autoconfiança é a saída do “piloto automático” para o alcance da atenção plena. Ellen Langer, uma das pioneiras no mindfulness (técnica de uso da atenção plena) diz: "A falta de atenção não é estupidez", explica. "Você aprende algo e começa a pensar só daquela forma". "Às vezes não vemos o que está na nossa frente, porque achamos que já sabemos das coisas, mas não sabemos. Independentemente do que esteja fazendo, fazer com consciência plena é muito melhor."  Olhar ao redor e ver como está o próprio ambiente. Talvez, não é que você não seja capaz, é o ambiente que não lhe permite demonstrar toda sua potencialidade. Talvez, você precise desenvolver alguns recursos antes de querer chegar até algum lugar, mas você pode. Talvez, você só esteja com medo de ser punido por aqueles que estão ao redor. Receio das críticas, da rejeição, do abandono. Logo, prestar atenção em si e na situação momento a momento pode ser muito útil para lhe fornecer informações sobre o que você está pensando, sentindo, vivendo.
  Outra dica importante pode ser você estabelecer pequenas metas e pensar nos passos que você deve traçar para alcança-la. E ir desenvolvendo, passo por passo. E em cada um deles, continuar atento a tudo que eles despertam em você. Ali, aproveite para identificar seus pontos fortes e pontos fracos. Em que eu sou bom? Como posso utilizar isso para o meu bem-estar e para minha felicidade! E identificar os pontos fracos. Em que devo melhorar? Como posso fazer para conseguir desenvolver isso de uma forma mais positiva?
  E a medida que cada conquista boa, for aparecendo em sua vida. Parabenize-se! Reserve um tempo para perceber o quanto aquela ação que você escolheu, trouxe a você consequências boas. Entenda que suas escolhas aliadas a seus comportamentos e atitudes permitiram que você tivesse aquela vitória. Somos muito punitivos. Se trancarmos a porta todos os dias ao sair, não nos parabenizaremos. Mas, se esquecermos de trancar um dia, ao chegarmos, nos criticaremos, brigaremos conosco mesmo por minutos a fio. Vamos minando nossa autoconfiança. E quanto mais desconfiamos de nós mesmos, mais nos punimos por uma tentativa fracassada. Se você não confia em si mesmo para expressar seus sentimentos e quando tenta fazê-lo o outro reage mal, você se sente realmente fracassado nesta habilidade. E não é assim que nos permitiremos mudar.
  A mudança virá quando nos dispusermos a fazer diferente! E por isso, a última dica tenta unir as outras. Comece a cuidar mais de você! Cuide de sua alimentação, de seu corpo, de sua rotina, de sua agenda. Estabeleça consigo mesmo o compromisso de levar uma vida mais equilibrada, mais saudável e principalmente, mais alinhada aos valores que você carrega dentro de si. Cuide de sua aparência, de suas amizades, do seu entorno. E portanto, cuide da saúde de sua mente. Comece a ouvir quais pensamentos costumam aparecer mais em sua cabeça e diferencie aqueles que te ajudam daqueles que te sabotam. E comece a nutrir os que te favorecem. Estabeleça as pequenas metas e as realize. Sinta que você conseguiu e crie outras mais desafiadoras. Saia do piloto automático, mantendo-se consciente do presente e se permitindo entender o que está passando e se permitindo assumir a responsabilidade de que você é um agente deste mundo incrível, cheio de possibilidades.

Fontes extras:
http://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2015/11/todos-estamos-sofrendo-com-desatencao-diz-mae-do-mindfulness.html
http://www.comeceasaber.com/autoconfianca


Filipe Castro 
Psicólogo clínico
Fundador e diretor da Comece a saber
Acolher: espaço terapêutico 
Fone: 3083-6720

8 de mai de 2017

Falando sobre Timidez

A timidez é nitidamente uma reação de fuga. Por isso, quando em certas situações surge a timidez,
se fôssemos crianças não pensaríamos duas vezes: sairíamos correndo para nos refugiarmos em casa ou para nos atirarmos nos braços da mamãe. Como não somos mais crianças, nosso orgulho adulto não admite um ato que represente tamanha fraqueza. Controlamos nosso corpo e ele fica ali, mesmo que meio tenso, duro e sem ginga na cintura. Mas não controlamos nossa alma, que sai em disparada para se encaramujar em nossos interiores. Assim, porque não ficamos mais presentes, por inteiro, participando de corpo e alma da situação, ficamos psicologicamente empobrecidos e mediocrizados.
Essa é a dinâmica universal de todo sentimento de timidez. (Trecho do livro "Emoções no divã" de Eduardo Mascarenhas Ed.Guanabara).
 
  Muitas pessoas sofrem com a timidez, mesmo quando quase todos nós podemos ter algum traço inibitório como rubor, vergonha e insegurança em determinadas circunstâncias. Em alguns casos isso não causa prejuízo ou grandes problemas por ser até uma forma de proteção, um timing pessoal necessário para se adaptar a uma situação, ambiente ou pessoa nova.
Porém há um grau realmente perturbador nessas manifestações, quando a timidez alcança níveis tão intensos gerando um sofrimento tão acentuando que provoca limitações, retrações e isolamentos podendo chegar a chamada fobia social.

  O indivíduo tímido muitas vezes apresenta fenômenos físicos, como boca seca, palpitações, dor de cabeça, dor de barriga, suor excessivo, calafrios pelo corpo, gagueja ou perde momentaneamente a fala, tem dores musculares e sensações de mal estar generalizado.
Como consequências comportamentais a pessoa fala pouco, tem gestos pouco expressivos, fica de cabeça baixa, desvia o olhar facilmente, apresenta hesitação em falar, necessita estar quase sempre acompanhado e psicologicamente sente demasiada insegurança, vergonha, medo, baixa auto estima, tem sentimentos de inferioridade e são muitos sensíveis a críticas, temendo avaliações negativas.
Não raro devido aos sentimentos angustiantes diante das trocas afetivo-relacionais e como ato compensatório no enfrentamento dessa dor, ocorre o abuso de álcool e drogas.

  Como outros quadros psicológicos a timidez também apresenta raízes em causas multifatoriais, desde a forma da educação familiar ou um ambiente que não favoreça o contato social, mudanças frequentes de escola na infância, pais rígidos ou perfeccionistas, separação dos pais, experiências pessoais negativas e até traumáticas no campo social, profissional ou mesmo cultural onde a interpretação entre o ajuste ao que é imposto e a auto imagem resultam na crença pessoal de inadequação.
E como um ciclo vicioso e repetitivo, quanto antes esses efeitos da timidez fazem parte da vida do indivíduo mais difícil se torna 
a passagem pelas etapas de desenvolvimento humano, podendo adquirir características fóbicas ou de total isolamento por temor, angústia ou inabilidade nas trocas afetivos relacionais.

  Tão importante quanto reconhecer o que envolve a timidez e suas consequências é saber que ela não é imutável, não é um tipo de personalidade mas que é um estado diante do medo, é uma máscara usada ante as dificuldades e muitas vezes é o sentimento onde o grande juiz do tímido não está no mundo externo, mas dentro dele.
Com entendimento, tomada de consciência e apoio emocional é possível transformar os sintomas, encontrar soluções adequadas, viáveis e desejáveis para superar a timidez, vencer e lidar com os medos e ter uma vida normal.



Célia Gonçalves dos Santos
Psicóloga clínica
CRP 04/IS00497
Atendimentos presencial e online

27 de abr de 2017

O que é Bullying?

Utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.
O termo com esta definição foi proposto após o Massacre de Columbine, ocorrido em um colégio nos Estados Unidos  no ano de 1999, (onde dois adolescentes mataram 12 vítimas e feriram 21 vítimas, com tiros e bombas, e após o ato de violência  os adolescentes suicidaram), pelo pesquisador sueco Dan Olweus, a partir do gerúndio do verbo inglês to bully (que tem acepção de "tiranizar, oprimir, ameaçar ou amedrontar") para definir os valentões que, nas escolas, procuram intimidar os colegas tratando-os como inferiores.
A prática do bullying não é  recente, sendo este um problema mundial. A prática tem um grande poder de destruir a auto-estima da vítima, pois esta precisa permanecer no ambiente escolar e enfrentar todos os dias as humilhações diante de todos os colegas.
Em 20% dos casos o praticante de bullying também é vítima e já sofreu  antes atos de bullying. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida por medo ou vergonha.
Formas de Bullying
Algumas atitudes podem se configurar em formas diretas ou indiretas de praticar o bullying, como as listadas a seguir:
* Verbal: Insultar, ofender, xingar, fazer gozações, colocar apelidos pejorativos, fazer piadas ofensivas.
* Físico e Mental: Bater, chutar, espancar, empurrar, ferir, beliscar, roubar, furtar ou destruir os pertences da vítima, atirar objetos contra as vítimas.
* Psicológico e Moral: Irritar, humilhar e ridicularizar, excluir, isolar, ignorar, desprezar ou fazer pouco caso, discriminar, aterrorizar e ameaçar, chantagear e intimidar, tiranizar, dominar, perseguir, difamar, passar bilhetes e desenhos entre os colegas de caráter ofensivo, fazer intrigas, fofocas ou mexericos (mais comum entre os meninas).
* Sexual: Abusar, violentar, assediar, insinuar.
* Virtual: Com o surgimento de aparelhos e equipamentos de comunicação (computador, celular, internet...) surgiu novas formas de bullying, que são capazes de difundir de maneira avassaladora, calúnias e maledicências. Essa forma de bullying é conhecida como Ciberbullying.  Os praticantes do ciberbullying utilizam de todas as possibilidades que os recursos da moderna tecnologia lhes oferecem: e-mails, blogs, fotoblogs,  Youtube, Facebook,  Twitter, fotoshop, torpedos... Aproveitando do anomimato os praticantes de bullying (bullies) virtuais, inventam mentiras, espalham rumores, boatos depreciativos e insultos sobre outros estudantes, familiares desses, professores e outros profissionais da escola.
Consequências psíquicas e comportamentais do Bullying
Geralmente as vítimas de bullying apresentam uma baixa autoestima, a prática de bullying agrava o problema preexistente, assim como pode abrir quadros graves de transtornos psíquicos irreversíveis.  Não somente crianças e adolescentes sofrem com essa prática indecorosa, como também muitos adultos ainda experimentam aflições intensas advindas de uma vida estudantil traumática. Os problemas mais comuns que o bullying pode desencadear são:
* Sintomas Psicossomáticos:  Dor de cabeça, cansaço crônico, insônia, dificuldade de concentração, náuseas (enjoo), diarreia, palpitações, sudorese, tremores, desmaios, sensação de “nó” na garganta, calafrios, tensão muscular, formigamentos.
* Transtorno do Pânico: Caracteriza-se pelo medo intenso e infundado, que parece surgir do nada, sem qualquer aviso prévio.  O indivíduo é tomado por uma sensação enorme de medo e ansiedade, acompanhado de palpitações, calafrios, taquicardia, suores, sem razão aparente.
* Fobia escolar: Caracteriza-se pelo medo intenso de frequentar a escola, ocasionando repetências por faltas, problemas de aprendizagem ou evasão escolar. Quem sofre de fobia escolar passa a apresentar diversos sintomas psicossomáticos e reações do transtorno de pânico dentro da própria escola, onde a pessoa não consegue permanecer no ambiente escolar, onde as lembranças são traumáticas.
* Fobia social: Conhecida também  por timidez patológica, sofre ansiedade excessiva e persistente, com temor exacerbado de se sentir o centro das atenções ou de estar sendo julgado e avaliado negativamente. Com o decorrer do tempo, tal indivíduo passa a evitar qualquer evento social, ou procura esquivar-se deles, o que traz sérios problemas para sua vida escolar, social e afetiva.
* Transtorno de ansiedade generalizada (TAG):  A ansiedade generalizada é uma sensação de medo e insegurança persistente, que não “larga do pé”. A pessoa que sofre de TAG preocupa-se com todas as situações ao seu redor, desde as mais delicadas e importantes até as mais corriqueiras.
* Depressão: É uma doença que afeta o humor, os pensamentos, a saúde e o comportamento. Os sintomas são: tristeza persistente, ansiedade ou sensação de vazio, sentimento de culpa, inutilidade e desamparo, perda e aumento de peso, pessimismo, perca de interesse por atividades que anteriormente tinha prazer, ideias ou tentativas de suicídio.
* Anorexia e bulimia: É considerado um transtorno alimentar, sendo a anorexia um pavor descabido e inexplicável que a pessoa tem de engordar, com grave distorção da sua imagem corporal. Sendo que o indivíduo mesmo estando magro se vê acima do peso, e utiliza de regimes alimentares agressivos e rigorosos para se atingir os “padrões” de beleza. Já a bulimia se caracteriza pela ingestão compulsiva e exagerada de alimentos, geralmente muito calóricos, seguida por um enorme sentimento de culpa a pessoa utiliza ações compensatórias, como por exemplo, vômitos autoinduzidos (várias vezes ao dia), uso de laxantes, excesso de exercícios físicos e longos períodos de jejum.
* Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): Popularmente conhecido como “manias”, se caracteriza por pensamentos sempre de natureza ruim, intrusivos e recorrentes causando muita ansiedade e sofrimento.  Na tentativa de “exorcizar” tais pensamentos e aliviar a ansiedade, o portador de TOC passa adotar comportamentos repetitivos e ritualizado como: lavar as mãos várias vezes com medo de se contaminar, checar a maçaneta várias vezes, organizar os objetos sempre da mesma forma, na mesma posição, caso ela não cumpra esse ritual, sua mente não consegue parar de pensar que algo muito grave poderá acontecer a ela ou a seus entes queridos.
* Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): Pessoas que passaram por experiências traumáticas como vivenciar a morte de perto, acidentes, sequestros, assaltos... e vítimas de bullying que sofreram agressões ou presenciaram cenas de extrema violência e abusos sexuais, podem desenvolver TEPT. Este transtorno se caracteriza por ideias intrusivas e recorrentes do evento traumático, com flashbacks (como se fosse um filme) revivendo a situação do trauma e todo horror que os abateu.
Quadros menos frequentes
* Esquizofrenia: Popularmente conhecida como psicose ou loucura, é uma doença mental, onde faz com que o indivíduo rompa com a barreira da realidade e passe a vivenciar um mundo imaginário, paralelo. Caracteriza pela presença de delírios, pensamentos de perseguição, alucinações (ouvir vozes, ver vultos).
* Suicídio ou homicídio: Ocorre quando o indivíduo alvo de bullying não consegue suportar a coação dos bullies. Em total desespero, essas vítimas lançam mão de atitudes extremas como forma de aliviar seu sofrimento.
A vulnerabilidade de cada indivíduo, aliada ao ambiente externo, as pressões psicológicas e às situações de estresse prolongado, pode deflagrar transtornos graves que se encontravam, até então, adormecidos.
Identificando os personagens do Bullying
* As vítimas: Em geral são os alunos tímidos ou reservados, que apresentam pouca habilidade de socialização e que não conseguem reagir aos comportamentos provocadores e agressivos dirigidos contra elas.  Normalmente são mais frágeis fisicamente ou apresentam alguma “marca” que as destaca da maioria dos outros alunos: são gordinhas ou magra demais, altas ou baixas demais, usam óculos, são ‘nerds”, deficientes físicos, apresentam sardas ou manchas... Enfim, qualquer coisa que fuja ao padrão imposto por um determinado grupo pode deflagar o processo de escolha da vítima de bullying.
* Os agressores: Eles podem ser de ambos os sexos. Possuem em sua personalidade traços de desrespeito e maldade, o agressor pode agir sozinho ou em grupo. Os agressores demonstram aversão a normas, não aceitam serem contrariados ou frustrados, geralmente praticam pequenos delitos, como furtos, roubos ou vandalismos. O que lhes falta, é afeto pelos outros, essa afetividade deficitária  pode ser decorrente a lares desestruturados ou no próprio temperamento deste indivíduo.
* Os espectadores: São alunos que testemunham as ações dos agressores contra as vítimas, mas não tomam qualquer atitude em relação a isso: não saem em defesa agredindo, tampouco se juntam aos agressores.
As reações individuais das vítimas de Bullying
Não existe ser humano igual ao outro, cada um possui uma biologia própria, assim como suas próprias vivências psicológicas. Cada pessoa é um ser humano especial com suas habilidades e dificuldades, diante disso podemos observar diversos comportamentos frente ao bullying sofrido:
Algumas vítimas buscam ajuda em profissionais da área da saúde mental, (psicólogos, psiquiatras) visando adquirir habilidades para saber lhe dar com o outro, como resolver conflitos, melhorar a autoestima, a autossuperação dos medos. Outras revelam traços da personalidade ainda desconhecidos, como a capacidade de ser resiliente (capacidade do indivíduo de transformar dor, raiva, magoa em aprendizado), sendo capaz de gerar soluções que o ajude a superar os problemas e traumas surgidos pelas agressões do bullying.
Certas vítimas do bullying tornam-se ansiosos, inseguros, depressivos ou mesmo agressivos. Tendem a reproduzir em seus relacionamentos a violência que sofreram no ambiente escolar, podendo se estender até a fase adulta. Também podem desenvolver transtorno psiquiátrico sérios como: pânico, depressão, TOC, anorexia e bulimia... como falamos anteriormente. O Bullying ocorre em todas as escolas, tanto particulares como nas públicas.  
Não se pode esquecer que o bullying é um fenômeno de mão dupla, ou seja, ocorre dentro para fora da escola e virse-versa.  Em função disso, muitas tragédias ocorrem nas imediações das escolas, em shoppings, danceterias, festas, ruas ou praças públicas. Aqui no Brasil vários episódios já foram registrados.
Legislação
No Brasil, o ato pode levar os jovens infratores à aplicação de medidas socioeducativas. Na área cível, e os pais dos bullies podem, ser obrigados a pagar indenizações e podem haver processos por danos morais.
Foi sancionada a lei pela Presidente da república DILMA ROUSSEFF.  Art. 1o  Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território nacional. § 1o  No contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Parágrafo único.  
Há intimidação sistemática na rede mundial de computadores (cyberbullying), quando se usarem os instrumentos que lhe são próprios para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial.
É necessário entendermos que brincadeiras normais e sadias são aquelas nas quais todos os participantes se divertem. Quando apenas alguns se divertem á custa de outros que sofrem, isso ganha outra conotação (bullying).
A falta de conhecimento sobre a existência, o funcionamento e as consequências do bullying propicia o aumento desordenado no número e na gravidade de novos casos, e nos expõe a situações trágicas isoladas ou coletivas que poderiam ser evitadas.
Devemos aprender a não tolerar qualquer tipo de violência, de preconceito e de desrespeito ao próximo. Se você é vítima de bullying, peça ajuda. Conte o que está acontecendo para seus pais ou responsáveis, professores e diretores, para que sejam tomada as medidas cabíveis. Se você é um bullies (praticante do bullying), decida hoje abandonar este comportamento, pois você aprendeu as consequências que o bullying pode causar nas vítimas. Caso seja necessário peça ajuda de um profissional, um psicólogo ou psiquiatra, para saber lhe dar com as consequência do bullying ou a prática do mesmo.
Referências
Silva, Ana Beatriz. Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.  
BEANE, A. L. Proteja seu filho do bullying. Rio de Janeiro: Best Seller, 2010.
MALDONADO, M. T. Bullying e cyberbullying: o que fazemos com o que fazem conosco. São Paulo: Moderna, 2011.
RUOTTI, C.; ALVES, R.; CUBAS, V. de O. Violência na escola: um guia para pais e professores. São Paulo: Imprensa oficial do Estado de São Paulo, 2006.

Psicóloga Ludmilla Boaventura  CRP-04/37426
Especialista em Terapia Familiar e Sexologia
Psicoterapia com crianças, adolescentes e adultos.
Contatos: (34) 99649-2779 / (34) 98838-2779
Clínica Acolher


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