16 de abr de 2011

Só dependência química ou dependências?

Olá amigos e seguidores:

Alguns de vocês já se perguntaram sobre o que realmente é DEPENDÊNCIA e por que dependemos tanto de alguém ou de alguma coisa?

Faz parte da natureza humana, uma vez que toda a sua existência está compreendida entre estados de dependência: a dependência absoluta, a dependência relativa e a independência (D.W. Winnicott). Durante toda a vida o ser humano cria relações de dependência com pessoas, objetos e situações, algumas dessas relações são importantes para o bem estar, outras causam prejuízos e perda de autonomia.

Não vamos falar sobre a dependência química, mas sobre outras dependências, que levam a transtornos obsessivos e compulsivos.

COMPORTAMENTOS ADICTIVOS E A PERDA DE CONTROLE

DEPENDÊNCIA EMOCIONAL

Homens e mulheres são acometidos por esse transtorno. Os homens se apresentam obcecados pelo trabalho, por esporte ou por hobbies, enquanto as mulheres, por forças culturais e biológicas são mais acometidas desse mal, com forte tendência a se tornarem dependentes de relacionamentos com homens complicados, difíceis e distantes. A dependência emocional é o medo da liberdade e se caracteriza por comportamentos submissos, falta de confiança, dificuldade em tomar decisões, inabilidade para expressar desacordo e por um temor extremo ao abandono, à solidão e à separação.


A crença dos dependentes inclui: “Para que incomodar-me, questionar a honestidade do meu braço direito na empresa ou criticar a empregada de confiança, ou exigir uma mudança ao meu cônjuge, ou falar claro ao meu filho, ou armar uma discussão, se isto pode causar desequilíbrio???”

Esse transtorno possibilita às pessoas a construção de uma prisão interior, de uma tirania, se perpetuando através do medo da liberdade, da passividade, da negação da realidade e dos sentimentos de culpa, confirmando assim, sua condição de prisioneiros. É importante observar os momentos em que ficamos sós, para ver o que sentimos, como nos portamos e quais as sensações que temos desta situação. Em muitos casos somente a idéia de ficar só, traz pavor, pois ali estaremos em contato direto com nossos próprios pensamentos e isso pode ser assustador. Essa forma de se relacionar, disfuncional, pode se apresentar no âmbito afetivo, familiar, social, no trabalho e no econômico. Essas circunstâncias geram angústia e/ou depressão e para aliviar tais sintomas o mais aconselhável é que procure por tratamento médico. A diminuição desses sintomas é só o começo de um processo mais profundo.


Alguns fragmentos clínicos que ilustram o posicionamento do paciente perante a vida e perante a si mesmo:

- "Você não pode ser assim, seja independente!, pois isso não funciona. Eu sei que estou sendo dependente, mas não sei ser diferente, não consigo... Queria me sentir melhor, ser mais livre, realizar meus sonhos e objetivos, mas sempre me travo”.

"- No trabalho, nunca dou opiniões em reuniões, fico na minha, mas sempre comento as idéias dos outros, sempre elogiando e confirmando com a cabeça. Não suportaria ter minha opinião tida como ridícula, e quero ser visto como uma pessoa boa e confiável".

“- Minha vida acabou. Ele acabou com a minha vida. Eu não sei o que fazer agora, não sei pra onde ir, estou sozinha e não sei me virar... Não sei o que fazer, se ainda minha mãe estivesse viva, eu iria morar com ela cuidar dela, mas agora... Não sei como viver sozinha. Estou completamente perdida..."

DEPENDÊNCIA ECONÔMICA

Do lado dos Pais:

Durante a educação dos filhos, influenciá-los a refletirem sobre suas responsabilidades, após alcançarem uma vida adulta, e depois de ter tido o privilégio da proteção e do amparo dos Pais até então. É hora de encarar suas próprias vidas. Se a situação dos Pais permitirem, é certo uma pequena colaboração financeira , um “empréstimo de Pai para Filho”, no inicio, poderá ser muito válido, lícito e decisivo ao encaminhamento de um filho. Os Pais com muito carinho e amor precisam dar esse empurrão nos filhos, mostrando a estrada da vida, por mais que isto possa doer. Mais tarde, tanto os filhos como os Pais, olharão para esse passado com alegria e darão graças pela lucidez desse momento. Os Pais precisam ter o cuidado de não exercerem o poder econômico sobre seus filhos. Não fazendo as coisas à base de troca. Dêem, atribuindo-lhes responsabilidades para com suas próprias atitudes.

Do lado dos filhos:
Entenderem, que por muitos anos seus pais estiveram dedicando boa parte de suas vidas e de seu tempo no preparo das suas formações. * Avaliarem o quanto representam para seus pais. Entenderem que a grande maioria dos pais, ao optarem por recebê-los, renunciaram a muitas outras coisas, doando-se na grandeza do amor de forma natural. * Entenderem que o investimento na educação e formação de um filho é bastante significativo para qualquer família, independentemente de sua capacidade econômica. * Interprete isto como um presente e não como uma cobrança. * Filhos, é hora de jogar um novo jogo.

Sugestão aos Pais que ainda mantém um filho sob sua dependência: Ajude-o a libertar-se dessas amarras o quanto antes.


Sugestão ao filho que estiver dependendo de seus Pais: Procure livrar-se dessa indigna posição social.

DEPENDÊNCIA AFETIVA


Estado de IMATURIDADE que faz parte do processo natural de desenvolvimento humano. As pessoas nascem totalmente dependentes, tanto fisicamente como afetivamente. Evoluem gradativamente através das vivências e experiências, na busca da independência emocional. Existem pessoas que lutam contra essa dependência e algumas tornam-se onipotentes, distantes e sós. E há pessoas que tremem apenas com a idéia de dependerem principalmente de si mesmo; confundem individualidade com solidão, abandono e rejeição. Os primeiros temem se envolver e perder a sua individualidade e o outro extremo teme tê-la. Ambos acreditam que a autonomia e a capacidade de cuidar de si, tomar as próprias decisões, fazer escolhas, está fora de seu controle, ou melhor, fora de si.Toda a saúde e doença emocional nasce nas relações, ou seja são aprendidas durante o desenvolvimento através dos modelos que recebem , primeiramente da família de origem e secundariamente através das demais relações que vivenciam durante a vida. Nos primeiros anos de vida a criança necessita da confirmação de suas atitudes, da certeza de que seu comportamento está sendo aceito pelas pessoas que amam. Com o desenvolvimento emocional, passam a desejar e não mais necessitar dessa aprovação. Aprendem a se relacionar com o mundo pelas regras que recebem da família. A criança é espontânea e criativa por natureza, ninguém nasce culpado em ser espontâneo. A dependência afetiva muitas vezes nasce e é sustentada por problemas no relacionamento familiar, pelos conflitos pessoais, pela sensação de rejeição e de não ser aceito. Na verdade ninguém é dependente sozinho, dependência afetiva é uma via de mão dupla, se uma criança é dependente afetivamente, a mãe com certeza também o é, pois neste caso, a mãe é quem a estimula e acredita em seu potencial ajudando-a a ter a certeza que conseguirá superar suas dificuldades. Dessa relação, nasce a auto-estima e a sensação de segurança pessoal. Todo o ser humano nasce com uma capacidade de cuidar de si, um potencial que precisa ser estimulado e se não recebe este estímulo torna-se dependente. Na prática acabam por não confiarem em si mesmas e em seu valor pessoal, deixam de oferecer o seu melhor na vida, no trabalho e em seus relacionamentos. Deve-se respeitar as características genuínas, a natureza espontânea e a criatividade de cada criança. É importante aprender que dar limites é prova de amor e é diferente de reprovação. Dar parâmetros é dar condição para a criança desenvolver responsabilidade e aprender a superar as frustrações.


DEPENDÊNCIA FINANCEIRA


A dependência financeira atinge dimensões sérias e em alguns casos torna-se crônica na vida de muitos indivíduos, equiparável a viver com uma “doença para o resto da vida”, com a probabilidade de se manter ativa de geração em geração. A dependência financeira é frequente em indivíduos que apresentam comportamentos adictivos, assim como as suas famílias (alguns ex. drogas licitas e ilícitas, incluindo o álcool, jogo patológico, sexo compulsivo, compras compulsivas, co-dependência). São constatados inúmeros casos em que um membro de família dependente (drogas, incluindo o álcool, jogo patológico) afetou drasticamente todo o orçamento, recurso e o patrimônio familiar com o consentimento e permissividade de alguns membros da família.

A vergonha, a desconfiança, a raiva e o ressentimento, a obsessão e a compulsividade, o medo e o sentimento de culpa instalam-se e deterioram as relações familiares. Alguns indivíduos adotam comportamentos relacionados com dinheiro que não coincidem com os valores, ideais e ou objetivos pessoais e sociais, susceptíveis de sabotar todo e qualquer plano de estabilidade financeira (ex, poupanças). Representam um status social associado a um estilo de vida falso(vivendo de mentiras, manipulações, ideais irrealistas, de créditos bancários acumulando dividas acima das suas possibilidades, efeito “bola de neve”, etc). A dependência financeira pode manifestar-se de várias formas desde o financiamento recorrente para projetos (ex. instituições de crédito) até ao patrimônio familiar. Nos últimos anos a dependência financeira tem aumentado principalmente na camada jovem.

Os jovens dependem dos seus progenitores para satisfazerem as suas necessidades. A incompetência em atingir a independência pode ser uma fonte enorme de pressão na vida de um indivíduo afetando negativamente a sua motivação, a criatividade e o desejo de auto-realização financeira e emocional.

O dependente financeiro, visto apresentar um déficit na gestão e autonomia dos seus recursos, necessita de um ou vários facilitadores financeiros/ patrocinadores de forma a satisfazer as suas necessidades. “Caminham de mãos dadas” e não abdicam deste “jogo/dança” de representações. A razão da existência de um realça a importância do papel do outro na relação.

DEPENDÊNCIA DO TRABALHO


A dependência do trabalho é viciante, no sentido de que pode ocupar um espaço desproporcionadamente grande na vida de uma pessoa. A fantasia de controle, que dá origem à dependência do trabalho, decorre quase sempre da sensação, de que outras áreas da vida estão para além do controle dessa pessoa. Mais especificamente, as pessoas dependentes do trabalho sentem frequentemente que não estão habilitadas a lidar com tensões dos relacionamentos familiares: "Não se esqueça do nosso aniversário" ,"Agora estou a trabalhar!" e "Isto é importantíssimo!" .Todo o trabalho é um recuo, diante de responsabilidades que podem ser verdadeiramente mais sérias do que essa pessoa deseja admitir. Se estivermos a dedicar, cada minuto em que estamos acordados, ao nosso trabalho, devemos interrogar-nos, sobre se isso é realmente uma necessidade, ou uma escolha. O que fazer, se o trabalho, não tiver uma importância tão grande no dia a dia? Quando nos sentimos à vontade em outras áreas da nossa vida, deixamos de precisar do refugio que o trabalho fornece. Acredita-se que o trabalho é a vida. Vivemos para trabalhar, em vez de trabalharmos para viver. Achamos que todas as horas do nosso dia devem ser passadas a trabalhar, ganhar a vida e obter segurança para o futuro. O tempo que dedicamos à alma é, assim, dramaticamente curto. O tempo vai-nos escravizando à medida que dias de trabalho de oito horas se transformam em dias de doze horas. O fim de semana desaparece, porque queremos compensar o tempo perdido a ler, escrever ou acabar o trabalho que levamos para casa. Os prazos funcionam como uma guilhotina que paira, onipresente, sobre as nossas cabeças. Este comportamento nada tem a ver com a nossa relação com a alma e com tempo para a alma. Em vez de nos sentirmos sintonizados com os ciclos naturais do nosso corpo e das estações do ano, em vez de experimentarmos a ausência do tempo em atividades criativas, sentimos que estamos sempre com falta de tempo. O tempo tornou-se um bem escasso que se mede em milésimos de segundo. Como resultado dessa angústia, começamos a usar a cafeína, a nicotina ou pior ainda, a cocaína, para nos estimularmos. Lutamos contra os ciclos naturais do descanso e da necessidade de devaneio. Acabamos por perder o contacto com o nosso corpo, que se arrasta penosamente no emprego como uma máquina sem alma. Alguns trabalhadores-dependentes desenvolvem sintomas estranhos: fadiga crônica, insônia, impotência, dores de cabeça, depressão, e dependências múltiplas. No Japão, onde algumas companhias instalaram alojamentos que se assemelham a colméias, para que os trabalhadores não precisassem de ir a casa dormir, o governo inventou um novo termo: karoshi, que descreve os efeitos das práticas laborais que alteram os ritmos das pessoas e conduzem a uma crescente fadiga, que pode, em última análise, conduzir ao suicídio ou a uma doença mortal. Para alguns, o trabalho-dependência é uma forma de aliviar a ansiedade que resultaria de uma análise do nosso vazio interior e dos sentimentos de depressão que experimentamos. Só que, em vez de tentarmos sondar as profundezas da nossa ansiedade, refugiamo-nos no trabalho.Tal como a dependência das drogas e do álcool, que camuflam as necessidades da alma. Ao tapá-las com um estimulante químico, o trabalho-dependência adiciona cimento à fortaleza da nossa negação. A sua devoção míope e simplista a um trabalho desempenhado de forma eficiente fecha os nossos olhos para o que estamos realmente a fazer. Para começarmos a lidar com o trabalho-dependência como um problema da sombra, precisamos desmascarar a personagem que transforma o nosso lugar de trabalho num campo de batalha no qual temos de lutar com inimigos. Hércules, o herói grego, admirado pela sua força e auto-confiança, pode estar por detrás de alguns trabalhadores-dependentes, incitando-os constantemente a ultrapassar forças opostas. Outros menos heróicos, mas igualmente aliciados por esse tipo de combate, podem precisar de descobrir o deus que se esconde por detrás da sua eficiência perfeccionista ou da sua sede insaciável de bens materiais. Quando quebramos a identificação com essa figura paterna que exige que só trabalhemos e não nos recriemos, poderemos separar o nosso trabalho da nossa identidade como seres humanos, adquirir mais liberdade interior no seio do próprio trabalho e, eventualmente, adquirir uma maior capacidade de tomar decisões.


DEPENDÊNCIA DA INTERNET


A Dependência da Internet manifesta-se como uma inabilidade do indivíduo em controlar o uso e o envolvimento crescente com a Internet e com os assuntos afins, que por sua vez conduzem a uma perda progressiva de controle e aumento do desconforto emocional. Com efeitos sociais significativamente negativos, os indivíduos que despendem horas excessivas na Internet, tendem a utilizá-la como meios primários de aliviar a tensão e a depressão, apresentam a perda do sono em conseqüência do incitamento causado pela estimulação psicológica e a desenvolver problemas em suas relações interpessoais. Além disso, os dependentes usam a rede como uma ferramenta social e de comunicação, pois têm uma experiência maior de prazer e de satisfação quando estão on-line, podendo este ser um fator preditor para a dependência. Nesta vertente, alguns estudos consideram a sensação subjetiva de busca e/ou a auto-estima rebaixada, timidez, baixa confiança em si mesmo e baixa pró-atividade como outros fatores preditores para o uso abusivo da Internet.

Critérios de dependência de internet:

Apresentar, pelo menos, 5 dos 8 critérios abaixo descritos:

1 - Preocupação excessiva com a Internet. 2 - Necessidade de aumentar o tempo conectado (on-line) para ter a mesma satisfação. 3 - Exibe esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da Internet. 4 - Irritabilidade e/ou depressão. 5 - Quando o uso da Internet é restringido, apresenta labilidade emocional (Internet como forma de regulação emocional). 6 - Permanece mais conectado (on-line) do que o programado. 7 - Trabalho e as relações sociais ficam em risco pelo uso excessivo. 8 - Mente aos outros a respeito da quantidade de horas conectadas.


Tipos de dependência:

E-mails, chats (salas de bate-papo), jogos on-line, compras, sites com conteúdo especifico (eróticos, de relacionamento, bolsa da valores, busca de informações e etc).

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