7 de dez de 2012

Música, Cérebro e Emoções



Através da música, como também de outras manifestações artísticas e culturais, podemos evocar sentimentos e reviver lembranças... sejam elas agradáveis ou não. É algo repleto de significados, representações e percepções distintos e que, para cada pessoa, será percebido de uma maneira diferente. Essa arte é capaz de acionar diversas áreas do cérebro humano, sendo capaz de influenciar ações, pensamentos e emoções. É possível observarmos essa influência, quando ouvimos uma música romântica, agitada, animada, dentre outros.

O ser humano é essencialmente musical, seja no ritmo corporal, ao falar, mastigar ou andar, como também no fisiológico, nos batimentos cardíacos, respiração, etc. Além disso, a música tem se revelado importante para o neurodesenvolvimento da criança e de suas funções cognitivas.

A música, ao consideramos sua ação psíquica, acompanha quase todos os momentos emocionais relevantes da vida das pessoas. Ela está presente nos momentos de ninar e até na morte. Isso contribui para que construamos relações afetivas com as canções e que são evocadas ao ouvi-las. Dessa forma, nossas experiências pessoais e sociais, como também nossa memória, conduzirão a que lembrança, desejo ou emoção a música ativará ao ser escutada, dançada, tocada ou cantada.

Quando a música é capaz de emocionar, são ativadas estruturas das regiões cerebelares, responsáveis por produzirem e liberarem neurotransmissores como a dopamina e a noradrenalina, e também a amídala, principal área do processamento da emoção. Ao ouvirmos uma canção, mesmo que de forma quase automática, as regiões do hipocampo (responsável pelas memórias) e do córtex frontal inferior são ativadas. Ao executá-la, acionam-se os lobos frontais, tanto através do córtex motor quanto sensorial.

Estudos revelam que a dopamina é liberada antes do prazer associado à música, como também durante o pico de prazer, no auge emocional. No auge do prazer, é ativado o núcleo chamado “accumbens”, que é relacionado com a euforia que é produzida na ingestão de psicoestimulantes como a cocaína.

Ao se relacionar diretamente ao sistema límbico (região do cérebro responsável pelas emoções e pela afetividade), a música contribui para a socialização e, além de todos os neurotransmissores já citados, para o aumento da produção de endorfina. Dessa forma,  a música pode ser utilizada também para contribuir no combate à depressão, ao estresse, à ansiedade, no alívio de sintomas de doenças como hipertensão, câncer ou em pacientes com dores crônicas.

Diante de algumas das influências que música realiza sobre o nosso físico e psicológico, é evidente o quanto nossos afetos são influenciados e mobilizados pela música, a ponto de não nos sentirmos felizes ouvindo certas músicas que nos fazem lembrar de momentos tristes e vice-versa. 

Sabendo disso, que tal ouvir mais músicas? Que tal escolher melhor os estilos musicais e agregar aos bons momentos boas canções? Que tal estimular o ensino da música, sua apreciação e execução? Com certeza o seu cérebro agradecerá!


Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
  Especializanda em Neuropsicologia
CRP 04/3434-6 
Tel.: (34) 3083-6720

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