24 de fev de 2013

Desvendando o Transtorno Bipolar.

Por Dante Galileu Guedes Duarte 

O tema Transtorno Bipolar tem recebido grande atenção por parte da imprensa e, consequentemente da população em geral. Todavia, muitas vezes é confundido, deturpado e entendido de maneira equivocada. 
Meu consultório é um exemplo em que muitos pacientes me procuram já falando que são bipolares. Dizem: “eu li na Revista X, eu sou bipolar...”, “apareceu na televisão e me encaixei direitinho...”
Essa é a razão pela qual há uma grande necessidade de esclarecer o que realmente é essa doença e quais são suas características. Torna-se relevante divulgar, de forma científica e com uma visão médica-psiquiátrica, o conceito da enfermidade em questão.
Bom, de início, você tem que saber que a incidência da doença Bipolar é de 1% da população total, ou seja, muitos que se chamam bipolares não têm a doença e outros passam a vida sem saber que são bipolares e sem tratar. é claro.  É necessário que fique claro o seguinte: a doença é chamada de Transtorno Bipolar pois consiste em uma variação entre episódios de Mania e de Depressão. A grande confusão está entre Mania e Depressão  versus Alegria e Tristeza. Uma paciente minha achou que era Bipolar, pois  estava  bastante alegre durante 2 semanas com o sucesso do filho no vestibular e, 1 mês depois permaneceu muito entristecida pela perda do emprego.
Então vou começar pela Alegria que se trata de uma emoção humana, em geral reativa a algo que acontece. A duração é relativamente curta e depende de fatores imediatos, tais como: ganho de aumento salarial, conquista da mulher desejada, vitória em uma partida de futebol... Portanto, Alegria é uma emoção controlável e que não traz nenhum prejuízo para o indivíduo.
E a Tristeza? O que você acha? A tristeza constitui-se na resposta humana universal às situações de perda, derrota, desapontamento e outras adversidades. Cumpre lembrar que essa resposta tem valor adaptativo, do ponto de vista evolucionário, uma vez que, através do retraimento, poupa energia e recursos para o futuro. Por outro lado, constitui-se em sinal de alerta, para os demais, de que a pessoa está precisando de companhia e ajuda. Mais uma vez, é controlável e sua duração depende do fator que está causando.
Agora sim, preciso esclarecer direitinho o que é Mania e o que é Depressão.
          A Mania é um estado fora do normal, longe do controle, marcado por uma euforia extrema a ponto de achar que é realmente o “Super Homem”, podendo acontecer de gasta muito dinheiro, chegar a um elevado consumo de bebida alcoólica, ter um grande envolvimento em brigas e agressões, dirigir o carro desgovernadamente, entre outras manifestações. Essas pessoas, em geral, chegam até nós, psiquiatras, trazidos pela polícia, SAMU ou corpo de bombeiros. Lembro que um paciente meu subiu em uma árvore e queria pular de qualquer jeito, alegando que tinha a agilidade do Tarzan. Acrescenta-se ao exposto, irritabilidade, nervosismo, pensamento acelerado, pressão para falar o tempo todo, “verdadeiro tagarela”, autoestima inflada “é o bonzão”. Tudo isso com muito prejuízo social, econômico e familiar.
          Importante não confundir o que é Depressão:

É um estado de Humor Deprimido quase todos os dias, na maior parte do dia: “a pessoa não reage a nada, o que acontece ao seu entorno não altera seu estado”. Há uma perda de interesse em todas ou quase todas as atividades, tem um sentimento excessivo de culpa, ruína e inutilidade. Em geral, cursa com pensamento de morte e, em certos casos, tenta-se suicídio. Lembrando-se que experiência depressiva traz sofrimentos tão intensos que são inimagináveis para os outros. O espaço do deprimido tende a ser vazio, sem relevos nem perspectivas; as coisas são vividas como isoladas, distantes e inalcançáveis, dentro de um universo fechado e opressor.
Querido leitor, querida leitora, diante do exposto, espero ter ficado claro como a água a diferença entre os conceitos abordados. Uma maior consciência sobre o Transtorno Bipolar contribui sobremaneira para o entendimento da Psiquiatria como um todo.
A mensagem que quero deixar é a seguinte: a maioria de nós (aqueles que não são portadores de Transtorno Bipolar) temos variações naturais ao longo da vida. Ora estamos tristes, “para baixo”, ora alegres, “para cima”. O objetivo deve ser atingir o equilíbrio sempre, em todos os domínios da vida: esporte, alimentação, família, trabalho… Assim, ficamos mais próximos da harmonia, em outras palavras, da Saúde.

Sobre o  autor:










Dante Galileu Guedes Duarte
Médico Psiquiatra
Psicogeriatra
Mestre em Transtorno Bipolar


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