11 de fev de 2013

Do luto à luta: O que fazer com as perdas?


Isso não está acontecendo!
Morri junto com meu filho!
Não consigo mais viver sem você!

      São declarações ouvidas após a perda de alguém querido. Essa perda tanto para a morte como o término de uma relação pode ser doloroso até mesmo destrutivo para a pessoa que não sabe o que fazer ao perder.
         Assim nos perguntamos como centenas de pais vão continuar vivendo após a perda de seus filhos jovens após o incêndio em uma boate?
         Perder é quase sempre muito difícil para qualquer ser humano, pois somos seres dependentes afetivamente e socialmente, ninguém esta preparado para não ter mais alguém ao seu lado, ninguém esta preparado para viver sem os sonhos e desejos depositados no outro que fazem parte dos próprios desejos, e, por fim, ninguém esta preparado para ser frágil.
         A morte é um tabu, não gostamos de pensa-la, não gostamos de discuti-la, quando ela se torna real em um fato, dificilmente a pessoa sabe o que fazer como vivenciar a dor ou simboliza-la colocando em palavras seu sentimento.
O mundo contemporâneo não permite a dor nem a tristeza, inúmeros analgésicos dispostos no mercado e ao primeiro sinal de dor são consumidos sem pensar no disparador daquela dor, inúmeros antidepressivos consumidos para anestesiar o sofrimento, o ser frágil e sofredor não tem mais espaço.
Então o que fazer quando se perde? Como se um pedaço fosse embora junto com a pessoa amada?
Sem duvida existe uma ligação muito forte com a pessoa amada, a primeira reação é a negação da morte ou perda, não se acredita no que aconteceu, vive-se como se a pessoa não tivesse ido embora, a ligação permanece intensa e a realidade se torna muito difícil ocorrendo uma distorção da realidade e consequentemente um adoecimento psíquico. A segunda reação esperada é a raiva, entrando em contato com a realidade a pessoa se revolta com tudo e todos diante do fato real da perda, após a fase da raiva pode ocorrer à depressão na qual a pessoa se cansa de lutar e se entristece, ficando ensimesmada, calada, sem energia psíquica para o externo, esse momento é muito importante para pessoa se reorganizar e iniciar o processo de aceitação até conseguir lutar e enfrentar a perda. Neste período a pessoa não deixa de viver o luto, mas luta para continuar a viver e fazer novas ligações, assim por meio de novos investimentos ela não esquece o que ocorreu,esquecer não é possível, mas é possível se ligar a novas pessoas e voltar a sorrir...
Portanto a melhor maneira de lidar com a perda é se permitir sofrer não se forçar a ser forte e com o tempo e com a percepção de sua fragilidade, viver sem a pessoa amada fica possível... 

Psicoterapeuta - CRP 04/32033
Clínica Acolher: 3083-6720

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