20/02/2013

Psicólogo ou Psiquiatra? Quem eu devo procurar?



Constantemente lidamos com pessoas que possuem esse tipo de dúvida, seja no consultório ou nas reuniões informais de amigos e familiares. Infelizmente, tenho observado que, normalmente, as pessoas respondem a essa pergunta da seguinte maneira “se o caso for grave, é caso de psiquiatra, se for um problema de relacionamento, vá ao psicólogo”.
O primeiro fator a ser desmitificado é o de que psicologia e a psiquiatria são estudos voltados para “doidos”. Cada vez mais a psicologia vem contribuindo para a qualidade de vida das pessoas que, por sua vez, estão conscientes de que é possível assumirem suas dificuldades, pedirem ajuda, mudarem e melhorarem suas vidas.
Para poder responder melhor essa questão, é importante definir como cada um desses profissionais atua:
 O psiquiatra é um profissional que fez sua graduação em Medicina e, após formado, fez residência por mais alguns anos (normalmente 2 anos) em psiquiatria. Alguns se especializam ainda mais, tornando-se psiquiatras infantis ou geriatras, por exemplo.  Dessa forma, a ênfase psiquiátrica consiste no estudo dos substratos anátomo-fisiológicos relacionados às síndromes e nas intervenções destinadas a restituir o funcionamento normal do organismo.
O psicólogo, por sua vez, para atuar de clinicamente, passa por uma graduação em Psicologia e pode, também, se especializar, através de pós-graduações e cursos de formação, em diversas áreas e abordagens, como, por exemplo, a neuropsicologia, a terapia cognitiva, a psicanálise, psicologia infantil, dentre outros. O enfoque do psicólogo, portanto, consiste no estudo e análise das interações entre o homem e seu ambiente.
De acordo com a legislação brasileira, tanto o psicólogo quanto o psiquiatra podem fazer psicoterapia, ou seja, realizar uma analise conjunta dos fatores que exercem influencia nos problemas de comportamento do paciente até a realização de tarefas que promovam mudança clínica. No entanto, apenas o psiquiatra está autorizado a prescrever medicações.
Na medida em que houve a evolução da farmacologia aplicada aos transtornos mentais, como a esquizofrenia, o TOC, a depressão, dentre outros, os profissionais das áreas de psiquiatria passaram a abandonar seu trabalho psicoterapêutico, voltando-se, cada vez mais ao tratamento medicamentoso. Essa evolução foi bastante entusiástica, pois os medicamentos realmente contribuíram muito para a melhora de sintomas de alguns quadros clínicos. No entanto, ainda existem muitas dúvidas sobre a “causa biológica” dos transtornos mentais.
A psicologia moderna, por sua vez, tem buscado, cada vez mais, a causa de muitos problemas de comportamento através de pesquisas cientificas em laboratório, onde é possível manipular diferentes tipos de condições do ambiente para observar sua influência sobre a instalação e manutenção dos comportamentos. Dessa forma, o psicólogo busca compreender a história de vida do paciente, entender como os fatos da vida influenciaram sua maneira de pensar, agir e sentir, promover o autoconhecimento e, a partir e durante esse processo, buscar mudanças para que tenha uma vida mais saudável.
Com esses dados, podemos ver que a psiquiatria e a psicologia não se opõem e que, em alguns casos, o mais recomendado é o tratamento conjunto, ou seja, psicoterapêutico e medicamentoso. Profissionais realmente qualificados conseguem perceber essa necessidade e encaminhar ao acompanhamento de outro profissional, quando necessário.
O que é preciso ficar atento é que, muitas vezes, as pessoas querem recorrer à medicação, por não quererem promover mudanças de pensamento e comportamento, mas apenas se sentir melhores (e em curto prazo). Sentir-se melhor, no entanto, na maioria das vezes, não faz com que a pessoa aprenda a ter novas habilidades para enfrentar e resolver os problemas.  Por isso, a psicoterapia pode ser fundamental para que a pessoa realmente melhore sua qualidade de vida.
É fundamental que busque um profissional competente para realizar a psicoterapia e também as orientações médicas. Para isso, busque indicações, conheça as especializações e enfoque dos profissionais que você deseja consultar, analise a disponibilidade que possuem de comunicar e desenvolver um trabalho conjunto com o outro profissional, etc. O importante é saber que um bom profissional será capaz de realizar os encaminhamentos necessários, a partir de uma avaliação séria e ética, e de lhe acolher com atenção e respeito.

Obs.: Para buscar o atendimento psicológico, não é necessário encaminhamento/ autorização de um médico, com exceção de alguns convênios.

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
  Especializanda em Neuropsicologia
CRP 04/3434-6 
Tel.: (34) 3083-6720


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