5 de jun de 2013

Medo de falar em público: compreenda como isso ocorre e o que fazer para melhorar



O medo de falar em público é muito comum entre pessoas de todas as idades e pode ter solução! Normalmente, os primeiros pensamentos que vêm à mente são do tipo: “Eu vou gaguejar, eu não vou dar conta, as pessoas vão reparar e me criticar, vou parecer um idiota lá na frente...” e por aí vai. O fato é que essas crenças conduzem a reações tão fortes em nosso corpo que acabam fazendo com que os nossos medos realmente se concretizem. No entanto, compreender esse circuito é um bom começo para começar a elaborar estratégias para enfrentar e aprender a lidar com essa situação.

Na nossa história, algo pode ter ocorrido

Geralmente as pessoas que têm medo de falar em público começam a ter esse sentimento após ocorrer alguma situação semelhante em que não tiveram um bom desempenho, em que foram criticados, exigidos demais ou algo do tipo. Essa situação é marcada na nossa memória e “falar em público” começa a ser algo ameaçador. A partir disso começamos a ter certas distorções sobre nossas competências e sobre o que pode ocorrer em outras ocasiões similares. 

Tudo começa na hora que o evento foi marcado

Na hora em que o professor marca uma apresentação, o diretor diz que é preciso expor os resultados da equipe para toda empresa, ou se pede para que faça uma palestra, e assim por diante, nossos sentidos captam a informação de será preciso falar em público e começa a processá-la em nosso cérebro.

O divisor de águas: os pensamentos intrusivos e sabotadores!

A partir daí, começam os pensamentos que podem, realmente, fazer com que tudo dê errado. Automaticamente, eles penetram em nossa cabeça como verdadeiros pregos martelados em nossa confiança: “Eu vou tremer, vou gaguejar, meu coração vai acelerar, não conseguirei lembrar de nada e vou ser péssimo”.

Surpresa: realmente poderá acontecer tudo isso.

Na medida em que temos esse tipo de pensamento, começamos a desencadear reações no nosso corpo, característicos da ansiedade, que é o medo antecipado de se ter um mau desempenho futuro. Os sintomas clássicos da ansiedade são, justamente, coração acelerado, respiração ofegante (o que atrapalha a frequência da fala), tontura, tremor, sudorese, e por aí vai. Ou seja, nossos pensamentos negativos e desencorajadores acabam gerando exatamente as reações que tememos.

O circuito do stress

Algumas pesquisas mostram que quando consideramos um evento muito ameaçador, o nosso cérebro tende a se preparar para enfrentá-lo ou para “correr” dele (de forma bem primitiva como quando nossos ancestrais se deparavam com um animal feroz e ameaçador e tinham que tomar atitudes). Para que sejamos muito rápidos e sobrevivamos, o cérebro trabalha de forma mais automática, bloqueando algumas aprendizagens que não vão ser tão úteis para enfrentar ou fugir do perigo (que deveria ser um bicho ou um desastre – e não as apresentações em público) e gera o conhecido branco! As informações somem da nossa cabeça e esquecemos de tudo que tínhamos pensado em falar! O cérebro está nos protegendo do perigo e preservando nossa sobrevivência. Mas, falar em público ameaça a nossa vida?

Conclusão da história...

Depois de tudo isso, acabamos nos dando realmente “mal” nas apresentações, o que CONFIRMA nossa crença de que “não conseguimos falar em público” e faz com que aqueles primeiros pensamentos negativos ocorram sempre e cada vez de uma forma mais intensa. Daí por diante começa-se tudo novamente.


Depois de tudo isso você deve estar se perguntando “ok, entendi tudo, mas o que fazer?”. 

Se você acha que esse medo é muito forte e incontrolável, com certeza a psicoterapia e o treino de habilidades sociais podem lhe ajudar muito e acelerar o processo. No entanto, aqui vão algumas dicas que podem lhe ajudar.



1 – Se questione: “Por que acho que falar em público é tão ameaçador? Estou realmente em risco?”, “Como posso provar que os outros me criticarão?”, “O que pode acontecer de diferente? Se acontecer, o que farei?”, “Se eu pensar negativamente estarei contribuindo para o meu bom desempenho?”

2 – Prepare-se: pense em tudo que possa acontecer e estude, treine várias vezes em frente ao espelho, prestando atenção no tom de voz, ritmo, postura... e, se possível, peça que um amigo de confiança lhe avalie, dê sugestões. Você pode não ser excelente na primeira tentativa, mas com certeza conseguirá sentir-se bem após algum treino. Esse amigo pode simular diferentes reações do público como desânimo, motivação, impaciência, de acordo com sua performance (e isso será apenas um teatro num ambiente seguro, que não é ameaçador e que possibilita que você vá melhorando seu desempenho de acordo com as colocações de seu amigo). 

3 – Visualize a situação: se veja chegando na escola ou no escritório, cumprimentando as pessoas, colocando o computador no local, pegando o microfone e assim por diante (imagine-se fazendo isso com muita tranquilidade e conforto). Visualizar esse roteiro o fará ficar mais tranquilo e preparado. 

4 – Faça um roteiro escrito do que precisará levar e outro com palavras-chaves do conteúdo de sua palestra, que façam com que você se lembre do que quer dizer. Dessa forma, você ficará ainda mais seguro.

5 – “Manda ver!”. Fale o precisa dizer da forma como treinou. Se facilitar, imagine o seu público em situações engraçadas como com uma melancia na cabeça, com nariz de palhaço, etc (aí o perigo será só você cair na risada!!).


Saiba que na primeira vez que você fizer tudo isso, alguns pensamentos negativos ainda insistirão em tomar conta de você, mas com o passar do tempo, verá que será cada vez melhor e isso mudará muito daquilo que acredita sobre você. 

 

Treine, acredite, prepare-se e, com certeza,
momentos cada vez melhores virão na sua vida!
E aí, vamos começar agora?


Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
  Especializanda em Neuropsicologia
CRP 04/3434-6 
Tel.: (34) 3083-6720


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