5 de ago de 2013

Luto...



luto  é uma emoção que o ser humano vivencia quando perde alguém, ou seja, assim que uma ruptura o distancia do ser querido, o qual parte através da morte. Um profundo sentimento de tristeza ou compaixão nasce desta carência, a qual se revela mínima ou de grande intensidade, de natureza positiva ou negativa.

Mas é importante perceber que o luto não se restringe apenas à presença da morte. Ele também está presente em alguns momentos específicos, tais como nas rupturas matrimoniais, nos rompimentos com amigos, na mudança para outro país. Assim, este sentimento pode ser entendido, na verdade, como um mecanismo inerente à psique humana.

Esta fase é marcada por uma natural instabilidade emocional, sinalizada por emoções como a agressividade, estado de choque, ira, solidão, tensão, cansaço físico e emocional, entre outras. Estes sentimentos oscilam conforme a faixa etária das pessoas envolvidas na perda, as condições em que se encontra seu organismo, como se deu a ruptura, seu contexto cultural, o credo religioso, a situação econômica, a esfera social que a abriga, sua forma de reagir aos choques da vida.... 

Cada uma destas categorias influi consideravelmente no luto da pessoa, intensificando-o ou reduzindo seu grau de impacto. O importante é vivenciar esta etapa, não tentar reprimir o sofrimento, pois as consequências disso podem ser muito sérias posteriormente. Não se pode precisar exatamente quanto tempo durará esta fase da vida, mas com o tempo a dor vai perdendo a intensidade e as pessoas acabam retomando a sua rotina, o que não exclui certos momentos de retomada do luto.


De acordo com Kluber – Ross, o luto/perda normalmente passa por 5 fases:

1. Negação e Isolamento: são mecanismos de defesa temporários contra a dor psíquica diante da morte. A intensidade e duração dependem de como a própria pessoa que sofre e as outras pessoas ao seu redor são capazes de lidar com essa dor. Em geral, a Negação e o Isolamento não persistem por muito tempo.

2. Raiva: nessa fase a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre, geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo, os relacionamentos se tornam problemáticos e todo o ambiente é hostilizado. Junto com a raiva, também surgem sentimentos de revolta, inveja e ressentimento.

3. Barganha: acontece após a pessoa ter deixado de lado a Negação e o Isolamento “percebendo” que a raiva também não resolveu. Nessa fase busca-se fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes. Começa uma tentativa desesperada de negociação com a emoção ou com quem achar ser o culpado de sua perda.

4. Depressão: Nessa fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento em que acontece uma grande introspecção e necessidade de isolamento, aparece quando a pessoa começa a tomar consciência de sua debilidade física, já não consegue negar as condições em que se encontra atualmente, quando as perspectivas da perda são claramente sentidas. Evidentemente, trata-se de uma atitude evolutiva; negar não adiantou, agredir e se revoltar também não, fazer barganhas não resolveu. Surge então um sentimento de grande perda.

5. Aceitação: nesse estágio a pessoa já não experimenta o desespero e não nega sua realidade. As emoções não estão mais tão à flor da pele e a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com consciência das suas possibilidades e limitações. Claramente o que interessa é que o paciente alcance esse estágio de aceitação em paz e com dignidade, mas a aceitação não deve ser confundida com um estágio feliz, ela é quase destituída de sentimentos.

 

         O papel do psicólogo neste momento é facilitar a superação de obstáculos que impedem de completar as fases normais do luto, ajudar a pessoa a lidar com afetos latentes, superar impedimentos ao reajustamento após a perda e promover novos investimentos emocionais.





Psicóloga e psicanalista
  CRP 04/26314 
Tel.: (34) 3083-6720

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