29 de set de 2013

Abuso Sexual Infantil

 O abuso sexual de crianças e adolescentes é um problema muito sério e difícil de ser abordado, principalmente porque envolve tabus, sentimentos de vergonha, culpa e violação da privacidade.
Qualquer forma de violência sexual é profundamente condenável, porque geralmente acontece pelo domínio do mais fraco pelo mais forte. É uma das formas mais graves de maltrato infantil podendo ocorrer em qualquer classe social ou nível sócio-cultural e constitui um dos traumas psíquicos mais intensos e com consequências sumamente destrutivas na personalidade da vítima. 
  A violência sexual pode ser praticada por pessoas estranhas ou por adultos que participam ativamente do dia-a-dia da criança, mas com frequência acontece dentro da própria casa.


  É fato muito raro que as crianças ou os adolescentes que tenham sido ou estejam sendo
molestados sexualmente por um adulto, demonstrem ter a consciência do que está ocorrendo e procurem ajuda seja de um familiar, educador ou alguém que tenham um vínculo, com o intuito de denunciar os abusos. Comumente tendem a guardar segredo, principalmente se o pedófilo for um parente, tal como pai, irmão, primo, padrasto ou um amigo de confiança dos pais.
Na mente infantil o fato traumático, consequente do abuso sexual e a necessidade da manter isto "escondido", acarreta uma situação de forte angústia e gera alterações do comportamento. Isso acontece devido à incapacidade de um psiquismo em desenvolvimento, que é o da criança, poder elaborar um trauma tão intenso e invasivo causado pela situação de que foi vítima.


Sinais comportamentais de abuso sexual:


• Algumas mudanças comportamentais podem sinalizar que a criança está sendo abusada. É importante estar atento se perceber mudanças emocionais súbitas ou um comportamento muito diferente do que a criança costumava apresentar; pode ser, por exemplo, o surgimento de uma tristeza constante, desmotivação, muita sonolência ou uma agressividade repentina. 

• O medo de ficar sozinha com uma determinada pessoa e sua evitação ou o medo exagerado de adultos também devem ser levados em consideração. 
• Perder repentinamente o interesse ou a vontade de brincar pode ser mais uma evidência de abuso. 
• Outro sinal seria uma curiosidade exacerbada sobre sexo ou masturbação frequente. 
• Em alguns casos, ocorre também a perda de controle sobre as fezes (encoprese) ou sobre a urina (enurese). 

• Crianças em idade pré-escolar com transtornos do sono (pesadelos, terrores noturnos, insônia) podem ser indicadores, assim como condutas regressivas. 
• Podem ocorrer mudanças bruscas no rendimento escolar, problemas com figuras de autoridade, mentiras,fugas de casa, fobiasrituais compulsivos, delinquência e também queixas somáticas recorrentes (como dores de cabeça e abdominais).
• Nos adolescentes fatores como prostituição, promiscuidade, drogadição, condutas auto-agressivas, excessiva inibição sexual e comportamentos anoréxicos ou bulímicos devem ser investigados, pois podem denunciar abusos.

 São várias as consequências tardias decorrentes do abuso e que comprometem emocionalmente a vida adulta dos indivíduos, sob a forma de sintomas e alterações psíquicas tais como: 


• Acentuado rebaixamento da autoestima que se expressa sob a forma de descrença em si mesmo e grande dificuldade para reconhecer e valorizar seus potenciais afetivos e intelectuais.
• Surgimento de sintomas depressivos ou até o quadro crônico da doença.

• Desenvolvimento de um profundo sentimento de desamparo afetivo, crises de ansiedade e em muitos casos, também a Síndrome do Pânico.
• Além de distúrbios psicossexuais como anorgasmia, desprazer ou aversão sexual e dispareunia.


 Diante do impacto e a gravidade que as sequelas do abuso geram no desenvolvimento emocional das vítimas, o processo psicoterápico é de extrema importância afim de acolher, avaliar e investigar o risco que tal sofrimento causa ao funcionamento psíquico da criança ou adulto, possibilitando elaborar o trauma e diminuir as marcas do abuso sexual sofrido.







ImportanteEstar seguro de que não possa haver outra explicação para as evidências encontradas e se for o responsável legal pela criança, retirá-la imediatamente do alcance do suposto agressor. Se isso não estiver ao alcance, levar o caso ao Conselho Tutelar que irá tomar as devidas providências.


Célia Gonçalves dos Santos
Psicóloga Clínica e Especializanda em Neuropsicologia.
CRP: 04/IS00497
Tel: 34 3083-6720

2 comentários:

Rafael Moraes disse...

Uma pessoa q guardou um trauma por muitos anos e aquilo a afetou constantemente, agora adulta ela consegue desabar com a ter conseguido contar o que passou? E recomondavel e/ou necessário qUE busque ajuda especializada, consultas? O que fazer nestes casos?

Rafael Moraes disse...

Quando a pessoa sofreu com um trauma de infância, abuso, que a atormentou muitos anos e só agora adulta ela consegue desabafar, como podemos ajuda-la, a pessoa pode ficar em paz e bem somente pelo fato de já ter contado o qUE passou? Pois ela diz qUE muitos complexos emocibais qUE possui é por conta disso e que agora é como se tivesse se libertado. É recomendável e/ou necessário que ela faça algum tipo de consulta? Tratamento específico?

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