14 de mar de 2014

Quando travamos uma corrida contra relógio: entenda o Pradrão de comportamento Tipo A .

Muitas pessoas vivem “correndo” de um lado para o outro para dar conta de seus inúmeros afazeres, especialmente na esfera do trabalho. Algumas carreiras e determinados perfis profissionais como pessoas empreendedoras, profissionais liberais e autônomos podem estar mais propensos a desenvolver determinados comportamentos que podem desencadeiar o Padrão de Comportamento Tipo A .
            Com o excesso de atividades as pessoas começam a ficar queixosas sobre a sobrecarga de trabalho, a competitividade do mercado, sobre as pressões para alcançar resultados e acabam sacrificando outras esferas da vida afim de cumprir prazos e alcançar os resultados estabelecidos por si mesmas, ou para os empregadores. É comum ouvir “tempo é dinheiro”, “não posso perder tempo”, “No pain, no gain”.  Dessa forma, é fácil ver estas pessoas priorizando demasiadamente as atividades profissionais e recusando convites para sair com amigos, faltando à reuniões na escola dos filhos, não participando de atividades culturais, e tão menos atividades físicas, pois acham que devem cumprir os prazos e trabalhar inclusive em horários desumanos.
            Agindo assim, conflitos e problemas começam a surgir nas esferas relacionais, tais como o relacionamento afetivo, com amigos (social), filhos e até mesmo com os colegas de trabalho. Geralmente estas pessoas começam a tratar as pessoas do seu convívio diário com demasiada objetividade e racionalidade, já que “não podem perder tempo” com coisas “bobas” e guardam toda a gentileza e coordialidade para a relações de trabalho que podem trazer benefícios. Não raras são as vezes em que familiares e amigos começam a reclamar da ausência da pessoa e esta, muitas vezes se justifica que está tentando fazer o melhor para família, e que precisa garantir o futuro, mas convido à reflexão: a que custo?
            Sim, tal padrão de comportamento pode ter impactos muito negativos na saúde da pessoa, nos seus relacionamento e na sua própria autoimagem. Na saúde, é comum aparecer sintomas de estresse, tensão muscular, humor irratado, além de problemas cardiovasculares. Nos relacionamentos as pessoas podem se afastar, causando assim o isolamento. E na autoimagem, na medida em que a pessoa não “dá conta” de tudo que assume para si, pode se rotular como fraco, fracassado, impotente.
            Seguem agora as principais características do Padrão de comportamento tipo A, para que você possa identificar se no seu cotidiano você apresenta alguns ou muitos deles:
1.    Tendência para procurar atingir metas não bem definidas ou muito altas;
2. Acentuada impulsão para competir;
3. Desejo contínuo de ser reconhecido e de progredir;
4. Envolvimento em múltiplas funções;
5. Impossibilidade prática (falta de tempo) para terminar alguns empreendimentos;
6. Preocupação física e mental;
7. Incapacidade de relaxamento satisfatório, mesmo em épocas de folga;
8. Insatisfação crônica com as realizações;
9. Grau de ambição está sempre acima do que obtém;
10. Movimentos rápidos do corpo;
11. Tensão facial;
12. Entonação emotiva e explosiva na conversação normal;
13. Mãos e dentes quase sempre apertados
            (Fonte:  PsiqWeb- portal de Psiquiatria)
           
            Talvez agora você tenha refletido se possui algumas ou muitas dessas características e a reflexão sempre é importante para termos a oportunidade de fazer diferente na busca de uma vida equilibrada e gratificante.
            O primeiro passo é reconhecer que precisa mudar, para assim avaliar quais aspectos tem sido mais danosos na sua conduta. O segundo passo é compreender que mudanças são um processo e que não acontecem com decisões radicais, mas que para serem efetivas ocorrem gradualmente.
            Algumas ferramentas podem ajudar-lhe neste processo de mudança caso você tenha identificado que vive neste padrão. São elas:
1.    Reflita sobre quando e porque começou a se comportar assim? O que você tem valorizado em demasia? Isso lhe traz os ganhos esperados em todas as esferas da vida, ou tem sido danoso?
2.    Avalie suas fontes estressoras. Elas são internas, externas ou imaginárias? Quando temos clareza delas, podemos mudá-las.
3.    Busque ou resgate atividades relaxantes ou prazerosas que talvez você tenha deixado de fazer.
4.    Compreenda seus limites, será que você está indo além deles? Se sim, é hora de reavaliar.
5.    Procure realizar diariamente atividades diferentes e que não estejam relacionadas com sua atividade profissional. Pode ser um hobby, uma caminhada, um happy hour, a leitura de um livro, assistir um filme, dentre outras possibilidades.
6.    Delegue tarefas a outras pessoas quando isso for possível, talvez você esteja se sobrecarregando sem necessidade. Reavalie.
7.    Cultive o relacionamento afetivo, faça amizades, cuide das já existentes. Quando falar olhe nos olhes demonstre real interesse. Quando ouvir esteja atento ao que o outro quer lhe comunicar.

8.    Cuide de você, lembre-se que uma vida equilibrada está relacionada a nos dedicarmos não só ao trabalho, mas também ao autocuidado, aos relacionamentos, lazer e espiritualidade. 

Psicoterapeuta e Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720

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