29 de mai de 2014

Birra... como ocorre e como lidar com ela?

Uma coisa é fato: a birra é um comportamento que incomoda milhares de pais e, por mais incrível que pareça, também os filhos que a praticam.

A birra é sinônimo de insistência,de “bater o pé” até que consiga o que se quer. E ela pode ser aprendida “sem querer” e por motivos muitas vezes até compreensíveis. O meio em que a criança vive acaba ensinando a ela uma maneira não habilidosa, mas eficaz, de se conseguir o que se quer. Os pais e/ou as pessoas com as quais a criança mais convive podem ter várias tarefas a fazer, problemas ou podem ter um amor permissivo com seus filhos, que faz com que desejem tudo de “melhor” para eles, mas... será que essa é realmente uma boa postura?

Quando dizemos não aos nossos filhos, mas com muita insistência resistimos aos caprichos das crianças, o que estamos ensinando? Muitas vezes fazemos isso porque não aguentamos mais os resmungos nas nossas cabeças, ou ficamos com dó, ou damos aquilo que querem simplesmente para acabar com aquele conflito logo. Dessa forma, infelizmente estamos fazendo com que a criança entenda que a insistência, mesmo que cause brigas, choros, irritabilidade, stress, chateação, querendo ou não, vai ter um bom resultado, ou seja, se terá o que se quer. Acabamos premiando nossas crianças por terem sido mal educadas, por terem gritado, chorado, desrespeitado os mais velhos. É como se, ao invés de ter dado os parabéns por uma boa nota da escola, déssemos os parabéns pelo “show de birra” e isso pode tomar dimensões muito mais preocupantes durante a adolescência, resultando em jovens sem limites e que normalmente sofrem muito para conseguir seus objetivos. 

A birra acaba causando sofrimento para os pais e para a criança (sim, para as crianças também! Pense no desgaste emocional e no sofrimento que elas percebem que têm que passar para que possam ter suas conquistas!). Mas o que fazer? 

Acredito que a maior dica que pode ser dada é que os pais sejam honestos com os seus filhos. Quando algo não puder ser feito pela criança ou dado para ela, persistir em suas decisões (aí é sua hora de “bater o pé”) e explicar a criança o motivo delas terem sido tomadas. O lendário “porque não” realmente não é resposta. Os pais têm o direito de mudar de opinião, mas caso haja uma boa e educada conversa com os filhos e que todos os “porquês” sejam realmente explicados.

Outra coisa também é fato. Erramos por amar demais, por querermos tudo para os nossos pequenos. Mas o “não” às vezes também é amar, mesmo que seja difícil de ser dado. Aliás,quem disse que amar não dói? E que amar seria fácil?


Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
CRP 04/34346
Clínica Acolher: 3083-6720

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