3 de jun de 2014

Você “curtiu”? Reflexões sobre o flerte online

É fato que as redes sociais trouxeram novas possibilidades de conhecer pessoas e de se relacionar.  Com apenas um clique podemos nos conectar de forma muito rápida com inúmeras pessoas e mais, termos acesso a uma gama de informações fornecidas por elas mesmas em um perfil editado. Muito diferente da forma de conhecer gente há algumas décadas atrás.
Num passado não tão remoto assim, para conhecer pessoas novas precisávamos sair de casa. Ir ao encontro dos amigos, a festas, clubes, shows, bares, casa de familiares. Assim, se alguém nos despertasse interesse era hora de começar as aproximações. Troca de olhares, sorrisos, um aceno com as mãos, ou num pedido para que um amigo nos apresentasse. Assim começava o flerte e a paquera e com isso a expectativa da troca de telefone, dos contatos iniciais e quem sabe um convite para sair à sós.
Com os chat’s online as pessoas já aumentaram as chances de conhecer pessoas, mas ainda sim, nestes chat’s existia alguma privacidade, pois muitas vezes eram usados apelidos o que garantia até certo ponto o anonimato. Um flerte poderia ser levado adiante ou não dependendo da conversa e encerrava-se o contato muitas vezes sem conhecer o rosto da pessoa.
Com a chegada das redes sociais, o privado se torna público e fazemos um “recorte” das nossas características e publicamos em um perfil. Além disso, essas redes sociais nos sugerem “amigos” além daqueles que adicionamos espontaneamente e que fazem parte do nosso cotidiano. Assim, com apenas um clique podemos iniciar uma conversa e até um flerte “online”. Flerte esse que será construído ao som das teclas do computador ou smartphone e pela seleção de “emoticons”.
No flerte “tradicional” ao vivo em cores, tínhamos acesso a leitura do comportamento verbal e não-verbal (gestos, postura corporal) do outro o que nos dava uma maior possibilidade de saber o quão estavam interessado ou não na nossa companhia. No flerte “online” podemos ir até onde nossa imaginação e desejo quiser, pois precisamos apenas teclar, curtir fotos, publicações, postar frases ou músicas que poderiam sugerir para a outra pessoa o nosso interesse.
Porém, essa nova forma de flertar acaba gerando dúvidas sobre o real interesse que se tem para além do flerte online. Não raras são as vezes em que escuto histórias no consultório ou fora dele de que pessoas que foram flertadas online e ficaram sem saber como agir, pois a demonstração de interesse não passava de tecladas ou curtidas nas redes sociais. Muitas vezes, pede-se o telefone, adiciona no “whatsapp” e este aplicativo acaba se tornando apenas mais uma possibilidade de interação online, apesar de se ter o telefone da pessoa e a possibilidade de fazer uma ligação.

                Então convido o leitor a seguinte reflexão: curtidas, tecladas e postagens nas redes sociais são suficientes para demonstrar seu interesse? Tenho comigo que essas novas possibilidades são suficientes para o início de interação, mas nem de longe vão substituir o face a face. Se você realmente “curtiu” alguém, lembre-se que o seu telefone e o da pessoa também faz e recebe ligações. Ligue, ouça a voz, faça um convite para sair. Transponha a “segura” tela do computador ou do smartphone e arrisque-se. Não esgote as conversas no modo “online”, experimente ao menos uma vez ficar off-line para a tela e online para a pessoa que te interessou e passe a desfrutar de coisas que somente um encontro pessoal pode proporcionar: você pode descobrir que o sorriso dela é lindo mesmo, e que ele tem um jeito de olhar que te encanta. Ou que a atração não foi lá essas coisas, mas que possuem tantos interesses em comum e que no mínimo pode surgir uma amizade. Ou que não foi nada disso, que o encontro foi um saco, a pessoa era chata e mesmo assim você terá uma história real para contar. 

Psicoterapeuta e Psicóloga Clínica
CRP 23049/04
(34) 3083-6720

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