16 de set de 2015

Procrastinação: até quando adiar as tarefas para amanhã?



Muitos de nós algumas vezes falamos frases como “amanhã eu faço”, “tem 10 dias ainda para entregar o trabalho”, “ vou descansar esse final de semana e começo a semana que vem renovado” e quando sentam na mesa para então poder realizar a tarefa, um bip do celular com notificações do Facebook ou mensagens do Whatsapp, dispersam completamente a atenção reservada para a execução da tarefa.  E com o passar dos dias, a responsabilidade do que tem que ser feito vai acumulando em quantidade maior. Uma olhada no relógio e no calendário já provocam aquele desespero de perceber que as horas estão correndo, os dias estão passando e o dia X de entregar o trabalho da faculdade, o artigo científico ou relatório da empresa para chefe está o mais próximo possível do que se imagina. Diante dessa tomada de consciência, tudo é realizado as pressas, pois todos esses dias que se teve para uma leitura cuidadosa, boa produtividade e avaliação da tarefa solicitada ficaram para trás e se mantiveram em ação, estritamente, em um só dia: o dia antes da entrega.


Este comportamento é chamado de PROCRASTINAÇÃO.


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Provavelmente, todos nós queremos evitar a dor ou incômodo de desempenhar algo que é entediante, cansativo ou difícil. Por isso, adiar tarefas pode ser mais comum do que imaginamos.


Esta ação ocorre em muitos seres humanos no trabalho, nos estudos, na vida psicossocial, com a saúde e até mesmo com tarefas diárias simples, devido alguns motivos apresentados a seguir:

- dificuldade em lidar com tarefas grandes ou difíceis que exigem concentração maior;
- medo de avaliação de terceiros;
- insegurança;
- sensação de pressão;
- baixa autoestima;
- hostilidade à tarefa ou à pessoa que solicitou;
- medo do fracasso;
- dificuldade de sair da zona de conforto;
- intolerância ao resultado à longo prazo;
- problemas familiares, amorosos ou de natureza fisiológica (anemias, problemas hormonais);


A procrastinação, ou seja, o adiamento de tarefas, pode ser fundamentada através de questões culturais, pelos processos relacionais e pela história de vida que condicionaram o indivíduo à esse hábito que, por sua vez, perpetua-se.


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A procrastinação nunca vem sozinha. Ela vem acompanhada com uma carga afetiva negativa como medo, angústia, nervosismo, peso na consciência e sensação de incompetência que, mesmo não ativados no início do ato de procrastinar, são ativados posteriormente, podendo agravar o quadro para depressão ou transtorno de ansiedade.
Por muitas vezes, a pessoa procrastinadora é rotulada como preguiçosa, imatura e desorganizada. Assim, por consequência, acaba cristalizando tais rótulos, formando crenças negativas de si mesmo, do mundo e do futuro, sem perceber que tal comportamento pode ser tratado.


O tratamento na psicoterapia

Exibindo 16bnvnfhjd.jpgO tratamento primeiramente consiste em compreender o que leva o comportamento de procrastinar: causas, vantagens e desvantagens na realização de tarefas, sentimentos trazidos para sessão e permeados neste processo, além de estabelecer o compromisso ao tratamento, sendo este realizado de forma colaborativa entre psicoterapeuta/cliente. Durante o processo são utilizadas técnicas de intervenção instrumentalizadas, como também exercícios de planos de ação, com data de início, estratégias de solução e  evolução do progresso, para possíveis mudanças de pensamentos e nova aquisição de comportamentos mais adaptativos.

O processo terapêutico também pode ajudar a pessoa a descobrir habilidades que não se conhecia antes e despertar novos sentidos de vida. Quanto mais breve o tratamento for iniciado, menores serão os prejuízos causados pelo movimento procrastinador e mais rápidos serão os resultados.



E você?  O que tem pra ser realizado HOJE? 
Que tal movimentar as ideias e colocá-las em ação AGORA ?


 Arythana de Freitas Soares
CRP – 04/43456
Psicóloga cognitivo-comportamental

Um comentário:

Gabriel Costa disse...

Aproveitando o assunto, a quem interessar, um teste para identificar seu tipo de procrastinador:

http://www.playbuzz.com/sidartal10/que-tipo-de-procrastinador-voc

É baseado no livro de uma psicóloga chamada Linda Sapadin (“It’s About Time!: The Six Styles of Procrastination and How to Overcome Them”, Penguin Books, 1997).

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