20 de nov de 2015

A busca de parceiros e a carência afetiva: o porquê dar o início em um relacionamento quando se está carente?

Sentir-se carente, quem nunca? A carência afetiva é algo que acomete em alguns seres humanos em uma proporção maior, em um determinado momento da vida, período ou até por muitos anos desde o nascimento.

A cada dia é maior o número de pessoas que buscam por parceiros (as) com o objetivo de construir e manter um compromisso, um relacionamento sério, por temer a solidão, pelo fato de se sentirem amado, protegido, confiante, mas essas pessoas esquecem o aspecto principal: ter autoestima e confiança consigo mesmo.

Por esse motivo, me permito descrever sobre esse tema no blog para possibilitar a compreensão e a clareza do quando e o porque de se sentir carente, as formas de lidar e por ser uma demanda que mais aparece em meu consultório.

Desde o nascimento e as primeiras vivências, precisamos nos relacionar com o outro e é até necessário por motivo de sobrevivência, e com o passar do tempo, das fases de desenvolvimento físico, orgânico e cognitivo, nos tornamos independentes, com sensação de auto-eficácia, identidade própria e pertença em algum grupo social.

Mas algumas pessoas, mesmo na fase adulta, apenas se sentem felizes, completas e conectadas consigo mesmas se estiver a presença de um parceiro do lado, assim, emergem sonhos, expectativas, sede de ser amado ou adorado, para enfim, gozar da felicidade plena e se sentirem auto-regulados. Isso acontece por conta de necessidades que não foram supridas durante a infância, ocasionando esquemas desadaptativos.

Jeffrey Young (2008), define esquemas como padrões emocionais e cognitivos autoderrotista iniciado desde cedo em nosso desenvolvimento e repetidos ao longo da vida. Podem ser crença e sentimentos sobre si mesmo, e em relação ao ambiente, sendo disfuncionais, ligadas a altos níveis de afeto e um somatório do temperamento inato e da interação  com experiências nocivas.

Em relação a carência afetiva,  a mesma está relacionada em alguns esquemas no primeiro domínio descrito por Jeffrey Young (2008), chamado Domínio de Desconexão e Rejeição.

Este domínio descreve a expectativa de que as necessidades de ter proteção, segurança, estabilidade, cuidado e empatia, de compartilhar sentimentos e de ser aceito e respeitado não serão satisfeitos. Geralmente a origem familiar típica é rejeitadora é:



-  Distante
- Fria
- Rejeitadora
-  Refreadora
- Solitária
- Impaciente
- Imprevisível
- Abusiva





A partir desses conceitos, pode-se perceber que a carência afetiva advém de necessidades emocionais não-satisfeitas na infância, e as cinco necessidades fundamentais são:

-Vínculos seguros com outras pessoas ( inclui segurança, estabilidade, cuidado e aceitação)
- Autonomia, competência e sentimento de identidade
- Liberdade de expressão, necessidades e emoções válidas
- Espontaneidade e lazer
- Limites realistas e autocontrole

A partir da descrição e conceituação teórica da origem da carência, é necessário uma reestruturação e psicoeducação dentro da psicoterapia dos esquemas dentro da Terapia Cognitivo Comportamental, onde é elaborado o tratamento. Quanto maior a percepção das pessoas de que estar e se sentir carente excessivamente pode prejudicar suas relações, onde conflitos, equívocos e expectativas frustradas aparecem, melhor será sua vivência amorosa, em que a mesma se conscientiza que não é preciso se sentir feliz estando ao lado de alguém, que me desculpe o Tom Jobim, mas é possível sim ser feliz sozinho !


Young, J.E.; Klosko, J.S. & Weishaar, M.E. (2008). Terapia do esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed.


Arythana de Freitas Soares
CRP: 04/43456
(34) 3083-6720
Psicóloga cognitivo-comportamental

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