5 de nov de 2015

Seja um "vira-folha"!

“O sábio pode mudar de opinião. O ignorante, nunca.” Immanuel Kant

Hoje vamos abordar um tema simples, mas que, muitas vezes, pode atrapalhar significativamente nossas relações pessoais, profissionais e, também, nosso desenvolvimento pessoal: o direito de mudar de opinião.

É comum que, ao longo de nossas vidas, escutemos de nossos pais, amigos ou professores que a mudança de opinião é sinônimo de falta de personalidade, vulnerabilidade, inconstância e que recebamos apelidos como o de “vira folha” que acabam nos incomodando e gerando pensamentos do tipo:  “a primeira opinião é a que vale”, “tenho que ter muita certeza das coisas”, “tenho que manter minha palavra” e assim por diante.

No entanto, a inflexibilidade em permitir-nos mudar de opinião pode atrapalhar imensamente nossa evolução pessoal. Comumente percebo pessoas falando de política ou religião (sim, vamos exemplificar com temas polêmicos!) como se estivessem conversando sobre o time futebol “do coração” (que também temos o direito de trocar), que defendemos na alegria ou na dor. Se não concordamos com um político ou partido, o criticamos e, muitas vezes, não nos permitimos enxergar qualquer ponto positivo nele, não reconhecemos evoluções, não queremos nem tocar no nome!!! Tudo por quê? Porque se sou “A”, sou “A” e nunca algo do “B” poderá ser bom, nem do “A” ruim. É muito nítido observarmos essa inflexibilidade nas rodas de conversa sobre temas polêmicos, mas ela está em situações mais comuns do que imaginamos. Está na hora em que falamos que “não teremos filhos” (mas aí bate aquela vontade de tê-los  e pensamos: “Ai meu Deus, como irei contra aquilo que sempre afirmei?”), quando não frequentamos um lugar que temos vontade, porque que já criticamos alguma vez, nos momentos em que evitamos terminar um relacionamento desgastante porque, um dia, fizemos juras eternas de amor, etc.

Ao não exercermos o nosso direito de MUDAR DE OPINIÃO, fazemos com que as nossas DECISÕES tornem-se cada dia mais difíceis. Pense bem: se não podemos mudar de opinião, temos que fazer escolhas SEMPRE certas. E o que precisamos para isso? PENSAR... PENSAR... PENSAR... PENSAR novamente e, PENSAR de novo! Isso gera ansiedade e procrastina nossas atitudes, fazendo com que, muitas vezes, percamos muitas oportunidades interessantes e deixemos de viver experiências necessárias para nosso desenvolvimento pessoal.

Não estou dizendo para não avaliarmos e tornarmos seres inconsequentes e irresponsáveis! Nada disso! Simplesmente não precisamos tornar as situações “difíceis demais” ou “simples demais”. Como sempre, o segredo do sucesso é o equilíbrio. É importante formularmos nossas crenças, valores e pensarmos sobre nossos comportamentos. No entanto, podemos fazer tudo isso compreendendo que, se em algum momento das nossas vidas os contextos mudarem, se aprendermos conteúdos diferentes, se nos sentirmos diferentes, podemos mudar! Se o namoro não me fizer feliz um dia, posso terminar. Se a profissão que escolhi no colegial não é aquilo que imaginei, POSSO MUDAR! É claro que não é simples mudar e que a mudança pode, muitas vezes, vir acompanhada de sofrimento. Diante disso, é fundamental mudar de maneira responsável, habilidosa e assertiva. A ideia de mudança vem com o propósito de EVOLUIRMOS e alcançarmos o BEM-ESTAR.

Como já dizia Heráclito, nenhum homem banha-se duas vezes num mesmo rio. As águas mudam, o homem muda... a vida muda! Como ser tão certo num mundo de transições e inconstâncias?

Permita-se!


Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental  Neuropsicóloga CRP 04/3434-6 Tel.: (34) 3083-6720




Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...