16 de fev de 2016

O sentido das doenças psicosomáticas

                                                                             
"(...) Sofre do coração:
Quem guarda ressentimentos,
Quem vive do passado,
Quem não segue as batidas do tempo,
Quem não se ama e, portanto,
não tem coração para amar ninguém.

Sofre do ouvido:
Quem prejulga os atos dos outros,
Quem não se escuta,
Quem costuma escutar a conversa dos outros,
Quem ensurdece ao chamado divino.

Sofre dos olhos:
Quem não se enxerga,
Quem distorce os fatos,
Quem não amplia sua visão,
Quem vê tudo em duplo sentido,
Quem não quer ver.

Sofre de distúrbios da mente:
Quem mente para si mesmo,
Quem não tem o mínimo de lucidez,
Quem preza a inconsciência,
Quem menospreza a intuição,
Quem não vigia seus pensamentos,
Quem embota seu canal com a Criação,
Quem não se volta para o Universo,
Quem vive no mundo da lua,
Quem não pensa na vida,
Quem vive sonhando,
Quem se ilude,
Quem alimenta a ilusão dos outros,
Quem mascara a realidade,
Quem não areja a cabeça,
Quem tem cabeça de vento"


                                                                                                Maurício Santini

O SENTIDO DAS DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS


Se formos sinceros conosco, em nosso mundo interno, veremos que em muitas circunstâncias podemos ter tido doenças psicossomáticas. Uma dor de cabeça, uma tosse, intestino preso ou solto demais, azia, entre outros. Contudo, será que podemos encontrar um sentido neste tipo de manifestação? Ou seja, será que cada doença psicossomática tem um significado?

O quadro de significados das doenças emocionais é interessante porque seria uma saída para a cura. Se eu estou sentindo dor de cabeça, avalio se estou me criticando. Se é verdade que estou me criticando, tento parar de me criticar para que a dor de cabeça cesse. Se eu estou com o intestino preso, é porque tenho que resolver um problema. Se resolver o problema, o intestino volta a funcionar normalmente.
Ou seja, alcançaríamos a elucidação da causa psíquica e teríamos então um “remédio” para que a causa fosse eliminada e o sintoma curado.
A questão é que, desde a psicanálise, ficou comprovado que estes sentidos gerais são muito gerais. Em outras palavras, o sentido, o significado será individual. Pode talvez ser verdade que dores de cabeça tem relação com autocrítica, porém, ainda que seja verdade na maioria dos casos, não será verdade na totalidade deles. E, assim, alguns casos ficarão excluídos da possibilidade de cura.
Tomando como ponto de partida a unidade "ser-no-mundo" podemos compreender um processo de adoecimento no âmbito corporal, olhando para a forma como essa pessoa realiza seu existir, entendendo como a mesma interage com as solicitações de seu mundo e como escolhe suas respostas dentro das possibilidades que sua existência lhe oferece. Assim, é possível uma compreensão fenomenológica desse adoecer.Uma vez que o existir humano se realiza enquanto unidade, as doenças psicossomáticas podem ser compreendidas como uma restrição no âmbito corporal que se refere a essa totalidade existencial. Em outras palavras o adoecimento desvela uma privação nas possibilidades do Homem realizar sua própria existência e revela, em seu processo de cura, o amadurecimento emocional...o rever-se, reinventar-se e assim possibilitar inclusive, a elucidação do seu conteúdo psicossomático!
Quando a pessoa consegue encontrar um sentido mais amplo em seu adoecer, enxergando a doença como um estreitamento de seu campo existencial a partir do modo como se relaciona consigo e com o mundo, ela pode vivenciar o estar doente de maneira muito positiva, pois terá condições de ressignificar esse momento e conduzir seu existir a uma condição mais autêntica.
O conteúdo aqui lança um convite para olharmos com mais atenção o Homem contemporâneo, exposto a uma série de exigências provenientes de um mundo cada vez mais fragmentado, tecnológico, que o afasta de seu existir mais original, restringe suas possibilidades existenciais, limita o contato com o outro, com a natureza, com seu próprio existir. E aí está o desafio, resgatar a capacidade do Homem perceber-se novamente em todas as suas dimensões inseparáveis, enquanto um ser total, livre para concretizar suas escolhas de forma responsável, dando o sentido ao seu viver.
Assim o  "me sinto mal"  abre caminhos para o "estar bem"!
Textos de apoio: Prof.Felipe de Souza; Anna Paula Rodrigues Mariano.

Célia Gonçalves dos Santos
Psicologa Clínica e Neuropsicóloga - CRP: 04/IS00497    
Tel: 3083 6720



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