2 de jul de 2016

As dores da transform(ação): estruturações e reestruturações

"Observo em mim mesma as mudanças de estação: eu claramente mudo com elas."
Clarice Lispector


   Transformar, dar uma nova forma, tomar uma nova ação, converter, transfigurar, transmutar, metamorfosear...tantas formas de dizer.
     As transformações decorrem à todo tempo, podendo se assemelharem com as estações do ano, como dizia Clarice Lispector.
    A primavera seria o desabrochar de nós mesmos do nascimento aos 20 anos, a saída do útero, o primeiro sorriso, a primeira leitura na escola, na adolescência, a primeira menstruação, a descoberta do beijo, da identidade sexual, da primeira vez. Esse florescer é permeado de surpresas, dores, primeiros amores. O verão se estabelece dos 20 aos 40 anos, uma época quente, ciclos encerrando e novos ciclos se abrindo, trabalho, o sexo, as amizades já não são mais as mesmas, a temperatura sobe na internalização do “ser responsável” , ativo, produtivo,manter o equilíbrio em seus diversos contextos (saúde, família, social, emocional, financeiro), aprender que por mais que na estação da primavera escolhas foram estabelecidas, pra nós mesmos e pra vida, como a saída da escola, a busca do ensino superior e a chegada à faculdade, no verão, as vezes, podemos chegar a conclusões de que o que queríamos, a expectativas que criamos, não necessariamente são as mesmas agora, as reestruturações estarão presentes, a caminhada na trilha é desistida no meio do caminho, novos caminhos são descobertos em outras direções completamente diferentes, novas trilhas, novos rumos, e novas perspectivas renascem.
    O outono chega dos 40 aos 60 anos, os cabelos caem, ficam brancos, toda a beleza
viçosa da vida, começa a diminuir, a chegada da aposentadoria vem o cansaço,a inércia, a bagagem é mais pesada que na primavera e no verão, o autoconhecimento de si mesmo, do outro e do mundo é maior, mais rico, o aprendiz de ontem, hoje se torna mestre regado de sabedoria, a euforia dos 20 e poucos hoje é exemplificada em paz, sossego, ensinamento, e por fim, o inverno de nossas vidas ( o fim de nossa existência), galhos secos, sem o verde brilhante das folhas. O dia é um ciclo, as fases da lua, as estações, tudo se inicia, e se tem um fim. Não aceitar a condição de cíclico, é não aceitar a condição da existência, das coisas que saem do lugar estático e que vão ao caminho do mudar, metamorfosear. Que sejamos sempre, as 4 estações do ano, que sejam necessárias para nossa construção do início da nossa história, até o último capítulo do livro.

Arythana De Freitas Soares
CRP 04/43456
(34) 3083-6720

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