15 de nov de 2016

Atentando-se ao mindfulness: Uma técnica de foco no presente nas novas abordagens cognitivo-comportamentais



 Por Filipe Castro
 
Atualmente, muitas pessoas tem debatido e buscado uma técnica para controle de estresse e também para foco cognitivo e emocional. Um técnica bastante comentada recentemente é o mindfulness e tem sido aplicada em diferentes contextos como empresas, hospitais, escolas, entre outros. 
  Segundo Kabat-Zinn (1990) "Mindfulness significa prestar atenção de forma particular; intencionalmente, no momento presente, sem julgamentos enquanto a experiência ocorre.” Seu primeiro elemento então diz respeito a autorregulação da atenção para que ela possa ser mantida na experiência imediata e o segundo componente é composto pela abertura às experiências do presente. É caracterizada por uma aceitação à experiência, pela curiosidade em se experimentar espontaneamente os próprios pensamentos, sensações e sentimentos.
  O mindfulness procura ensinar a compreensão de que todo pensamento é apenas um pensamento. Ele deve ser entendido como um ponto de vista, que pode ser alterado se você assumir novas concepções e novas formas de olhar para o mundo, para as pessoas e para si mesmo. No mindfulness, há um grande ensinamento de que não se deve julgar aquilo que está sendo experenciado. Ele ensina a apenas experenciar. Isso quer dizer, que, no momento, em que você está praticando o mindfulness, aquilo que você está concentrado não é bom, ruim, certo nem errado, apenas é a própria experiência. 
  Quando é transmitido o ensinamento para você que quer começar a desenvolver a técnica de mindfulness, passam a seguinte recomendação:
  "Você se concentra em uma única coisa, como sua respiração. Inevitavelmente, sua mente “escapa” e perde-se em outros pensamentos e distrações. Ao perceber isso, você deve, com muita suavidade, permitir a saída desses pensamentos de seu foco para, então, retomar a concentração no processo respiratório: inspirar e expirar.”
  A recomendação é que você inicie esta prática com a respiração, mas você é livre para desenvolver da forma como achar melhor: caminhando, comendo, escovando os dentes, tomando banho, fazendo exercícios físicos. A questão é estar consciente da atividade que realiza, estar aberto a esta experiência, sem realização de julgamentos.
 Esta técnica tem sido apontada como capaz de trazer uma série de benefícios:
       Redução de estresse
       Autoconhecimento e melhor regulação da emoção
       Melhor controle sobre processamento das emoções
       Consciência corporal
       Maior compaixão
       Menor solidão
       Melhores resultados com peso
       Melhor sono
       Diminui possibilidade de doença cardíaca
       Diminui a pressão arterial
       Reduz a dor crônica
       Alivia dificuldades gastrointestinais
Observe um exemplo de exercício proposto por Forsyth disponível em uma diversidade de sites que tratam sobre Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT, em inglês), com tradução do site Contextual Science
“Esta é uma das melhores atividades diárias para praticarmos Mindfulness pois além de ser uma atividade prazerosa, ela proporciona uma série de estímulos e sensações que na maioria das vezes não percebemos por tomarmos banho mecanicamente enquanto nossa cabeça está em qualquer outro lugar, menos no AQUI e AGORA.
Ao tomar banho sinta a temperatura da água, sinta o toque das gotas do chuveiro caindo sobre o seu corpo e escorrendo por ele, observe cada sensação e cada movimento realizado. Nestes momentos, não julgue o banho ou a temperatura da água em boa ou má, simplesmente sinta. Observe você se tocando ao se lavar, o sabonete ou a bucha em contato com a sua pele, os movimentos verticais ou circulares, a espuma, o cheiro do sabonete e/ou xampu, observe também como durante o banho sua mente vai para longe do momento presente e você passa a pensar sobre o que fará depois do banho, observe como durante o banho você também tem a tendência de ficar se relembrando de coisas que já aconteceram, ficar remoendo sentimentos, sonhando e/ou preocupando-se com o futuro, nestes momentos, apenas observe o processo de como sua mente trabalha e escapa do presente e retorne a sua experiência de tomar banho de forma completamente consciente, observe o que você está fazendo no momento, toda vez que sua mente for para qualquer outro lugar, gentilmente traga-a para o AQUI e AGORA, estando consciente de cada movimento e sensação.”
É bem provável que quando se inicia a prática da técnica, você se sinta desafiado por não conseguir manter a atenção plena durante muito tempo. De repente, você se pega pensando em um outro tema, diante das preocupações. Mantenha a tranquilidade e aceite que isso faz parte do processo. A prática de mindfulness vai se desenvolvendo mais e mais com a experiência e praticar aceitação é fundamental.
“Com cuidado, redirecionar. Se a sua mente vagueia em planejamento, devaneio, ou crítica , observe onde ela passou e gentilmente a redirecione para experiência presente. Tente e tente novamente. Se você perder a sua sessão de meditação, você simplesmente pode começar de novo. Pela prática de aceitar a sua experiência durante a meditação, torna-se mais fácil de aceitar a experiência durante o resto do seu dia.”
  O mais importante é discutir o valor do agora. Às vezes, nos preocupamos muito com o futuro, sem lembrar que para que ele seja positivo, a construção tem que acontecer no presente. Pensamos no dia de amanhã, nas possibilidades, nas oportunidades, mas esquecemos de que elas estão presentes e muitas vezes, tem sido negligenciadas. Afinal, não temos certeza do amanhã. A certeza que temos é a do agora. Dalai Lama diz que "Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."

  O mindfulness pode gerar a construção interior da compreensão. Entende-se que não se tem a verdade. A forma como se pensava aos 15 é diferente da que se pensava aos 20 e diferente do que se pensa agora. A atenção plena aos nossos pensamentos, sensações e sentimentos permite que se compreenda que o outro também tem seus pontos de vista, tem suas convicções. Permite que se compreenda que todo comportamento tem uma história, uma justificativa para o outro. E assim, permite que se desenvolva a empatia, ensinando as pessoas a se colocarem no lugar das outras.

Em muitos sites e grupos de aplicação há relatos de que o mindfulness permite que sejamos mais justos, mais fraternos e mais humanos. Por que não praticar? Vamos começar?

Referencias:
Kabat-Zinn, J. (1990). Full Catastrophe Living: Using the wisdom of your body and mind to face stress, pain, and illness. New York: Delta.


 

Filipe Castro é psicólogo, graduado e mestre pela Universidade Federal de Uberlândia(UFU), com mestrado na linha de pesquisa de Processos Cognitivos. Trabalha clinicamente com psicoterapia a adolescentes e adultos, orientação vocacional, orientação de carreira. É também palestrante e consultor de empresas na área de Recursos Humanos (R.H) e Gestão de Pessoas, tendo experiência ampla na construção e aplicação de Treinamento e Desenvolvimento.
                                                           Contato: 3083-6720




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