19 de dez de 2016

Alimentação e saúde mental

Que a nossa alimentação influencia a nossa saúde todo mundo sabe, mas estudos recentes indicam que nossa alimentação também influencia nossa saúde mental. O psiquiatra da Universidade de Melbourne e integrante da Sociedade de Pesquisa Internacional em Psiquiatria Nutricional, Jerome Sarris, tem estudado os benefícios da alimentação como tratamento de desordens psicológicas e psiquiátricas, como a depressão e o transtorno bipolar, por exemplo. “Os determinantes da saúde mental são complexos, mas, cada vez mais, há evidências sobre a importância da nutrição e sua implicação na incidência de distúrbios mentais. Defendemos o reconhecimento da dieta e da nutrição como determinantes centrais da saúde física e mental.", afirma Sarris (2015). Os novos modos de vida, advindos da modernidade, têm contribuído para o aumento significativo da ansiedade, depressão e outros transtornos mentais, e a alimentação tem sido um determinante crucial. Uma dieta rica em alimentos integrais, legumes, frutas, frutos do mar, carne magra, nozes e leguminosas, evitando-se o consumo de processados, fornece nutrientes essenciais para se prevenir vários transtornos mentais. Isso ocorre porque, para funcionar, o nosso cérebro utiliza uma proporção da nossa ingestão total de energia e nutrientes. Tanto sua estrutura como suas funções depende de aminoácidos, gorduras, vitaminas e minerais. Vários estudos epidemiológicos mostraram que padrões alimentares saudáveis estão ligados à redução da prevalência e do risco de depressão e suicídio. A nutrição materna durante a gestação e amamentação também tem se mostrado um importante determinante da saúde mental das crianças. Estudos têm mostrado que a orientação sobre uma alimentação mais saudável foi tão eficaz como a psicoterapia na prevenção e melhora de quadros de depressão. Nutrientes como ômega-3, vitamina B (incluindo ácido fólico), ferro, zinco, magnésio, vitamina D, aminoácidos, entre outros, podem auxiliar em atividades neuroquímicas benéficas para o manejo de transtornos mentais. Estudos clínicos apontam a utilidade dos ácidos graxos ômega-3 na prevenção de distúrbios como a depressão bipolar, transtornos de estresse pós-traumático, depressão maior e psicose. Além disso, a deficiência de zinco tem sido associada ao aumento de sintomas depressivos, havendo evidências de que a suplementação de zinco melhora o humor depressivo. Já a deficiência de vitamina B, principalmente o folato (B9), foi encontrada em pessoas deprimidas.  O ácido fólico também tem auxiliado na melhora de pacientes deprimidos. Estudos sugerem ainda que a deficiência de vitamina D nas mães está relacionada a um maior risco de se desenvolver esquizofrenia, e ao aumento de sintomas depressivos. É importante ressaltar que uma alimentação combinada com todas essas vitaminas tem se revelado mais eficaz do que a suplementação dos nutrientes isoladamente. Por isso, mais do que auxiliar nossos processos fisiológicos e nossa saúde física, uma alimentação correta, equilibrada e saudável também previne transtornos psicológicos, e colabora efetivamente para uma melhor saúde mental.


*Referência: Sarris, J. et. al. (2015). Nutritional medicine as mainstream in psychiatry. The Lancet Psychiatry 2(3), p. 271-274.

Juliene Pimenta Assunção

Psicóloga e Terapeuta Cognitivo Comportamental
CRP 04/46648 

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