27 de abr de 2017

O que é Bullying?

Utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.
O termo com esta definição foi proposto após o Massacre de Columbine, ocorrido em um colégio nos Estados Unidos  no ano de 1999, (onde dois adolescentes mataram 12 vítimas e feriram 21 vítimas, com tiros e bombas, e após o ato de violência  os adolescentes suicidaram), pelo pesquisador sueco Dan Olweus, a partir do gerúndio do verbo inglês to bully (que tem acepção de "tiranizar, oprimir, ameaçar ou amedrontar") para definir os valentões que, nas escolas, procuram intimidar os colegas tratando-os como inferiores.
A prática do bullying não é  recente, sendo este um problema mundial. A prática tem um grande poder de destruir a auto-estima da vítima, pois esta precisa permanecer no ambiente escolar e enfrentar todos os dias as humilhações diante de todos os colegas.
Em 20% dos casos o praticante de bullying também é vítima e já sofreu  antes atos de bullying. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida por medo ou vergonha.
Formas de Bullying
Algumas atitudes podem se configurar em formas diretas ou indiretas de praticar o bullying, como as listadas a seguir:
* Verbal: Insultar, ofender, xingar, fazer gozações, colocar apelidos pejorativos, fazer piadas ofensivas.
* Físico e Mental: Bater, chutar, espancar, empurrar, ferir, beliscar, roubar, furtar ou destruir os pertences da vítima, atirar objetos contra as vítimas.
* Psicológico e Moral: Irritar, humilhar e ridicularizar, excluir, isolar, ignorar, desprezar ou fazer pouco caso, discriminar, aterrorizar e ameaçar, chantagear e intimidar, tiranizar, dominar, perseguir, difamar, passar bilhetes e desenhos entre os colegas de caráter ofensivo, fazer intrigas, fofocas ou mexericos (mais comum entre os meninas).
* Sexual: Abusar, violentar, assediar, insinuar.
* Virtual: Com o surgimento de aparelhos e equipamentos de comunicação (computador, celular, internet...) surgiu novas formas de bullying, que são capazes de difundir de maneira avassaladora, calúnias e maledicências. Essa forma de bullying é conhecida como Ciberbullying.  Os praticantes do ciberbullying utilizam de todas as possibilidades que os recursos da moderna tecnologia lhes oferecem: e-mails, blogs, fotoblogs,  Youtube, Facebook,  Twitter, fotoshop, torpedos... Aproveitando do anomimato os praticantes de bullying (bullies) virtuais, inventam mentiras, espalham rumores, boatos depreciativos e insultos sobre outros estudantes, familiares desses, professores e outros profissionais da escola.
Consequências psíquicas e comportamentais do Bullying
Geralmente as vítimas de bullying apresentam uma baixa autoestima, a prática de bullying agrava o problema preexistente, assim como pode abrir quadros graves de transtornos psíquicos irreversíveis.  Não somente crianças e adolescentes sofrem com essa prática indecorosa, como também muitos adultos ainda experimentam aflições intensas advindas de uma vida estudantil traumática. Os problemas mais comuns que o bullying pode desencadear são:
* Sintomas Psicossomáticos:  Dor de cabeça, cansaço crônico, insônia, dificuldade de concentração, náuseas (enjoo), diarreia, palpitações, sudorese, tremores, desmaios, sensação de “nó” na garganta, calafrios, tensão muscular, formigamentos.
* Transtorno do Pânico: Caracteriza-se pelo medo intenso e infundado, que parece surgir do nada, sem qualquer aviso prévio.  O indivíduo é tomado por uma sensação enorme de medo e ansiedade, acompanhado de palpitações, calafrios, taquicardia, suores, sem razão aparente.
* Fobia escolar: Caracteriza-se pelo medo intenso de frequentar a escola, ocasionando repetências por faltas, problemas de aprendizagem ou evasão escolar. Quem sofre de fobia escolar passa a apresentar diversos sintomas psicossomáticos e reações do transtorno de pânico dentro da própria escola, onde a pessoa não consegue permanecer no ambiente escolar, onde as lembranças são traumáticas.
* Fobia social: Conhecida também  por timidez patológica, sofre ansiedade excessiva e persistente, com temor exacerbado de se sentir o centro das atenções ou de estar sendo julgado e avaliado negativamente. Com o decorrer do tempo, tal indivíduo passa a evitar qualquer evento social, ou procura esquivar-se deles, o que traz sérios problemas para sua vida escolar, social e afetiva.
* Transtorno de ansiedade generalizada (TAG):  A ansiedade generalizada é uma sensação de medo e insegurança persistente, que não “larga do pé”. A pessoa que sofre de TAG preocupa-se com todas as situações ao seu redor, desde as mais delicadas e importantes até as mais corriqueiras.
* Depressão: É uma doença que afeta o humor, os pensamentos, a saúde e o comportamento. Os sintomas são: tristeza persistente, ansiedade ou sensação de vazio, sentimento de culpa, inutilidade e desamparo, perda e aumento de peso, pessimismo, perca de interesse por atividades que anteriormente tinha prazer, ideias ou tentativas de suicídio.
* Anorexia e bulimia: É considerado um transtorno alimentar, sendo a anorexia um pavor descabido e inexplicável que a pessoa tem de engordar, com grave distorção da sua imagem corporal. Sendo que o indivíduo mesmo estando magro se vê acima do peso, e utiliza de regimes alimentares agressivos e rigorosos para se atingir os “padrões” de beleza. Já a bulimia se caracteriza pela ingestão compulsiva e exagerada de alimentos, geralmente muito calóricos, seguida por um enorme sentimento de culpa a pessoa utiliza ações compensatórias, como por exemplo, vômitos autoinduzidos (várias vezes ao dia), uso de laxantes, excesso de exercícios físicos e longos períodos de jejum.
* Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): Popularmente conhecido como “manias”, se caracteriza por pensamentos sempre de natureza ruim, intrusivos e recorrentes causando muita ansiedade e sofrimento.  Na tentativa de “exorcizar” tais pensamentos e aliviar a ansiedade, o portador de TOC passa adotar comportamentos repetitivos e ritualizado como: lavar as mãos várias vezes com medo de se contaminar, checar a maçaneta várias vezes, organizar os objetos sempre da mesma forma, na mesma posição, caso ela não cumpra esse ritual, sua mente não consegue parar de pensar que algo muito grave poderá acontecer a ela ou a seus entes queridos.
* Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): Pessoas que passaram por experiências traumáticas como vivenciar a morte de perto, acidentes, sequestros, assaltos... e vítimas de bullying que sofreram agressões ou presenciaram cenas de extrema violência e abusos sexuais, podem desenvolver TEPT. Este transtorno se caracteriza por ideias intrusivas e recorrentes do evento traumático, com flashbacks (como se fosse um filme) revivendo a situação do trauma e todo horror que os abateu.
Quadros menos frequentes
* Esquizofrenia: Popularmente conhecida como psicose ou loucura, é uma doença mental, onde faz com que o indivíduo rompa com a barreira da realidade e passe a vivenciar um mundo imaginário, paralelo. Caracteriza pela presença de delírios, pensamentos de perseguição, alucinações (ouvir vozes, ver vultos).
* Suicídio ou homicídio: Ocorre quando o indivíduo alvo de bullying não consegue suportar a coação dos bullies. Em total desespero, essas vítimas lançam mão de atitudes extremas como forma de aliviar seu sofrimento.
A vulnerabilidade de cada indivíduo, aliada ao ambiente externo, as pressões psicológicas e às situações de estresse prolongado, pode deflagrar transtornos graves que se encontravam, até então, adormecidos.
Identificando os personagens do Bullying
* As vítimas: Em geral são os alunos tímidos ou reservados, que apresentam pouca habilidade de socialização e que não conseguem reagir aos comportamentos provocadores e agressivos dirigidos contra elas.  Normalmente são mais frágeis fisicamente ou apresentam alguma “marca” que as destaca da maioria dos outros alunos: são gordinhas ou magra demais, altas ou baixas demais, usam óculos, são ‘nerds”, deficientes físicos, apresentam sardas ou manchas... Enfim, qualquer coisa que fuja ao padrão imposto por um determinado grupo pode deflagar o processo de escolha da vítima de bullying.
* Os agressores: Eles podem ser de ambos os sexos. Possuem em sua personalidade traços de desrespeito e maldade, o agressor pode agir sozinho ou em grupo. Os agressores demonstram aversão a normas, não aceitam serem contrariados ou frustrados, geralmente praticam pequenos delitos, como furtos, roubos ou vandalismos. O que lhes falta, é afeto pelos outros, essa afetividade deficitária  pode ser decorrente a lares desestruturados ou no próprio temperamento deste indivíduo.
* Os espectadores: São alunos que testemunham as ações dos agressores contra as vítimas, mas não tomam qualquer atitude em relação a isso: não saem em defesa agredindo, tampouco se juntam aos agressores.
As reações individuais das vítimas de Bullying
Não existe ser humano igual ao outro, cada um possui uma biologia própria, assim como suas próprias vivências psicológicas. Cada pessoa é um ser humano especial com suas habilidades e dificuldades, diante disso podemos observar diversos comportamentos frente ao bullying sofrido:
Algumas vítimas buscam ajuda em profissionais da área da saúde mental, (psicólogos, psiquiatras) visando adquirir habilidades para saber lhe dar com o outro, como resolver conflitos, melhorar a autoestima, a autossuperação dos medos. Outras revelam traços da personalidade ainda desconhecidos, como a capacidade de ser resiliente (capacidade do indivíduo de transformar dor, raiva, magoa em aprendizado), sendo capaz de gerar soluções que o ajude a superar os problemas e traumas surgidos pelas agressões do bullying.
Certas vítimas do bullying tornam-se ansiosos, inseguros, depressivos ou mesmo agressivos. Tendem a reproduzir em seus relacionamentos a violência que sofreram no ambiente escolar, podendo se estender até a fase adulta. Também podem desenvolver transtorno psiquiátrico sérios como: pânico, depressão, TOC, anorexia e bulimia... como falamos anteriormente. O Bullying ocorre em todas as escolas, tanto particulares como nas públicas.  
Não se pode esquecer que o bullying é um fenômeno de mão dupla, ou seja, ocorre dentro para fora da escola e virse-versa.  Em função disso, muitas tragédias ocorrem nas imediações das escolas, em shoppings, danceterias, festas, ruas ou praças públicas. Aqui no Brasil vários episódios já foram registrados.
Legislação
No Brasil, o ato pode levar os jovens infratores à aplicação de medidas socioeducativas. Na área cível, e os pais dos bullies podem, ser obrigados a pagar indenizações e podem haver processos por danos morais.
Foi sancionada a lei pela Presidente da república DILMA ROUSSEFF.  Art. 1o  Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território nacional. § 1o  No contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Parágrafo único.  
Há intimidação sistemática na rede mundial de computadores (cyberbullying), quando se usarem os instrumentos que lhe são próprios para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial.
É necessário entendermos que brincadeiras normais e sadias são aquelas nas quais todos os participantes se divertem. Quando apenas alguns se divertem á custa de outros que sofrem, isso ganha outra conotação (bullying).
A falta de conhecimento sobre a existência, o funcionamento e as consequências do bullying propicia o aumento desordenado no número e na gravidade de novos casos, e nos expõe a situações trágicas isoladas ou coletivas que poderiam ser evitadas.
Devemos aprender a não tolerar qualquer tipo de violência, de preconceito e de desrespeito ao próximo. Se você é vítima de bullying, peça ajuda. Conte o que está acontecendo para seus pais ou responsáveis, professores e diretores, para que sejam tomada as medidas cabíveis. Se você é um bullies (praticante do bullying), decida hoje abandonar este comportamento, pois você aprendeu as consequências que o bullying pode causar nas vítimas. Caso seja necessário peça ajuda de um profissional, um psicólogo ou psiquiatra, para saber lhe dar com as consequência do bullying ou a prática do mesmo.
Referências
Silva, Ana Beatriz. Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.  
BEANE, A. L. Proteja seu filho do bullying. Rio de Janeiro: Best Seller, 2010.
MALDONADO, M. T. Bullying e cyberbullying: o que fazemos com o que fazem conosco. São Paulo: Moderna, 2011.
RUOTTI, C.; ALVES, R.; CUBAS, V. de O. Violência na escola: um guia para pais e professores. São Paulo: Imprensa oficial do Estado de São Paulo, 2006.

Psicóloga Ludmilla Boaventura  CRP-04/37426
Especialista em Terapia Familiar e Sexologia
Psicoterapia com crianças, adolescentes e adultos.
Contatos: (34) 99649-2779 / (34) 98838-2779
Clínica Acolher


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