31 de mai de 2017

Compreendendo o Transtorno Obsessivo Compulsivo

Resultado de imagem para tocO TOC caracteriza-se pela presença de obsessões ou compulsões que consomem tempo ou interferem de forma significativa nas rotinas diárias da pessoa, no seu trabalho, na vida familiar ou social, e causam profundo sofrimento.
Considerado raro até há pouco tempo, o TOC é uma doença bastante comum, acometendo, aproximadamente, um em cada 40 ou 50 indivíduos. No Brasil, é provável que existam entre 3 e 4 milhões de portadores. Muitas dessas pessoas, embora tenham suas vidas gravemente comprometidas pelos sintomas, nunca foram diagnosticadas e nem tratadas. Talvez a maioria desconheça o fato de esses sintomas constituírem uma doença.
O TOC não sendo tratado pode-se tornar crônico. É considerado um transtorno mental grave. Até o momento as causas do TOC não são tão conhecidas, o início da doença, os aspectos neurológicos, neuropsicológicos e cognitivos, bem como as respostas aos tratamentos varia muito de cada indivíduo. O TOC atinge ambos os sexos geralmente apresentando-se na adolescência.
Existem fortes evidências de que fatores biológicos, a incidência familiar (genética), tornam certos indivíduos mais suscetíveis a desenvolver esses transtornos.
Estudos mostram que a maioria dos portadores tem pelo menos um outro transtorno psiquiátrico associado, sendo os mais frequentes (ansiedade) como a fobia social ou as fobias específicas e o transtorno depressivo maior.
Os diferentes sintomas de TOC são: contaminação e lavagem, ordem e simetria, repetição, verificação, colecionismo (acúmulo) e pensamentos indesejáveis (repugnantes), sobre sexo, agressão e religião (blasfêmias).
Limpeza. Origina-se do medo da contaminação. A pessoa fica avessa à sujeira de uma forma muito exagerada e passa a limpar, lavar, desinfetar tudo o que acha que possa estar sujo, de forma exagerada podendo chegar a passar noites em claro esfregando a casa.
Ordem e simetria. Se refere a sensação de que as coisas tem que estar naquela ordem que a pessoa considera a correta, ou tudo simétrico. Exemplos: Se ela tomou um gole de água vai ter que tomar outro só para formar um número par.
Repetição. A pessoa repete um certo número de vezes o mesmo comportamento. Por exemplo para chegar até a porta ela sente que tem que dar cinco passos, se não der os cinco passos sente compulsão a voltar e fazer novamente até estar correto.
Verificação. A pessoa passa horas verificando se as coisas estão da forma que ela considera ideal, nos lugares certinhos, por exemplo um deve estar copo no ponto exato da prateleira.
Acúmulo. A pessoa passa a acumular coisas inúteis até mesmo quebrados e sujos. Tem gente que guarda lixo em casa de forma a não sobrar espaço para passar pelos corredores. Eventualmente a televisão mostra algum caso de TOC onde pessoas além de não sair de casa também não deixam ninguém entrar pois sentem vergonha se si mesmas, mas ainda assim não consegue se conter.
Existem alguns eventos cognitivos relacionados ao TOC que podem levar a interpretação errada dos pensamentos intrusivos: responsabilidade exagerada, importância exagerada dos pensamentos, importância de controlar os pensamentos, exacerbação do risco, intolerância à incerteza e perfeccionismo.
A família pode ajudar e se transformar em um suporte importante para o diagnóstico e tratamento do TOC. Pode auxiliar a identificar rituais encobertos e não percebidos pelo próprio paciente, na elaboração das listas de rituais e de evitações (essencial para a terapia cognitivo- comportamental). Para tanto, é necessária a compreensão de como se dá o processo de cura, conhecer o fenômeno da habituação a aflição passa, por mais elevados que sejam seus níveis, e é suportável. É fundamental o apoio às tentativas de exposição e prevenção de rituais e à adesão ao tratamento, além da paciência e tolerância para eventuais aumentos de ansiedade ou retrocessos do paciente.
O TOC tem tratamento, na Terapia Cognitiva Comportamental é feito primeiro uma avaliação do paciente, diagnosticado inicia-se o tratamento, e de suma importância que paciente esteja motivado para a mudança que o tratamento exigirá. Utilizamos as técnicas de psicoeducação, a elaboração da lista de sintomas, diário de sintomas, exposição e prevenção de respostas e avaliação exagerada de riscos. A Terapia Cognitivo Comportamental é o tratamento mais eficaz a curto e a longo prazos para os sintomas do TOC.

Referências:
Rangé, Bernard e colaboradores. Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria – Porto Alegre: Artemed, 2011.
Cordioli, Aristides Volpato. Vencendo o transtorno obsessivo-compulsivo: manual da terapia cognitivo-comportamental para pacientes e terapeutas – Porto Alegre - Artemed, 2004.
Torres, Albina Rodrigues; Shavitt, Roseli Gedanke; Miguel, Eurípedes Constantino. Medos, dúvidas e manias: orientação para pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo e seus familiares – Porto Alegre – Artemed, 2001.

Ludmila Santos Soares 
Psicóloga Clínica
3083-6720


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