8 de mai de 2017

Falando sobre Timidez

A timidez é nitidamente uma reação de fuga. Por isso, quando em certas situações surge a timidez,
se fôssemos crianças não pensaríamos duas vezes: sairíamos correndo para nos refugiarmos em casa ou para nos atirarmos nos braços da mamãe. Como não somos mais crianças, nosso orgulho adulto não admite um ato que represente tamanha fraqueza. Controlamos nosso corpo e ele fica ali, mesmo que meio tenso, duro e sem ginga na cintura. Mas não controlamos nossa alma, que sai em disparada para se encaramujar em nossos interiores. Assim, porque não ficamos mais presentes, por inteiro, participando de corpo e alma da situação, ficamos psicologicamente empobrecidos e mediocrizados.
Essa é a dinâmica universal de todo sentimento de timidez. (Trecho do livro "Emoções no divã" de Eduardo Mascarenhas Ed.Guanabara).
 
  Muitas pessoas sofrem com a timidez, mesmo quando quase todos nós podemos ter algum traço inibitório como rubor, vergonha e insegurança em determinadas circunstâncias. Em alguns casos isso não causa prejuízo ou grandes problemas por ser até uma forma de proteção, um timing pessoal necessário para se adaptar a uma situação, ambiente ou pessoa nova.
Porém há um grau realmente perturbador nessas manifestações, quando a timidez alcança níveis tão intensos gerando um sofrimento tão acentuando que provoca limitações, retrações e isolamentos podendo chegar a chamada fobia social.

  O indivíduo tímido muitas vezes apresenta fenômenos físicos, como boca seca, palpitações, dor de cabeça, dor de barriga, suor excessivo, calafrios pelo corpo, gagueja ou perde momentaneamente a fala, tem dores musculares e sensações de mal estar generalizado.
Como consequências comportamentais a pessoa fala pouco, tem gestos pouco expressivos, fica de cabeça baixa, desvia o olhar facilmente, apresenta hesitação em falar, necessita estar quase sempre acompanhado e psicologicamente sente demasiada insegurança, vergonha, medo, baixa auto estima, tem sentimentos de inferioridade e são muitos sensíveis a críticas, temendo avaliações negativas.
Não raro devido aos sentimentos angustiantes diante das trocas afetivo-relacionais e como ato compensatório no enfrentamento dessa dor, ocorre o abuso de álcool e drogas.

  Como outros quadros psicológicos a timidez também apresenta raízes em causas multifatoriais, desde a forma da educação familiar ou um ambiente que não favoreça o contato social, mudanças frequentes de escola na infância, pais rígidos ou perfeccionistas, separação dos pais, experiências pessoais negativas e até traumáticas no campo social, profissional ou mesmo cultural onde a interpretação entre o ajuste ao que é imposto e a auto imagem resultam na crença pessoal de inadequação.
E como um ciclo vicioso e repetitivo, quanto antes esses efeitos da timidez fazem parte da vida do indivíduo mais difícil se torna 
a passagem pelas etapas de desenvolvimento humano, podendo adquirir características fóbicas ou de total isolamento por temor, angústia ou inabilidade nas trocas afetivos relacionais.

  Tão importante quanto reconhecer o que envolve a timidez e suas consequências é saber que ela não é imutável, não é um tipo de personalidade mas que é um estado diante do medo, é uma máscara usada ante as dificuldades e muitas vezes é o sentimento onde o grande juiz do tímido não está no mundo externo, mas dentro dele.
Com entendimento, tomada de consciência e apoio emocional é possível transformar os sintomas, encontrar soluções adequadas, viáveis e desejáveis para superar a timidez, vencer e lidar com os medos e ter uma vida normal.



Célia Gonçalves dos Santos
Psicóloga clínica
CRP 04/IS00497
Atendimentos presencial e online

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